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Voz de Baby Saja, Danny Chung compôs hits de ‘Guerreiras do K-pop’

Compositor e cantor falou com a Billboard Brasil sobre sucesso da animação

Baby Saja, de 'Guerreiras do K-pop', foi dublado por Danny Chung

Baby Saja, de 'Guerreiras do K-pop', foi dublado por Danny Chung (Sony/Netflix/Divulgação)

A animação “Guerreiras do K-pop” está fazendo história nos charts da Billboard e nas plataformas de streaming. Todas as faixas originais estão no Hot 100 e o filme bateu o recorde de “Wicked” na Billboard 200.

O longa-metragem da Sony Pictures Animation, que estreou no dia 20 de junho na Netflix, conta a história de um grupo de cantoras, o HUNTR/X, que usa o poder da música para proteger seus fãs de demônios. O que elas não esperavam era que a maior ameaça veio na forma do grupo rival Saja Boys, que, na verdade, são demônios disfarçados – leia a crítica do filme aqui.

A trilha sonora é uma das responsáveis pelo sucesso de “Guerreiras do K-pop”. A produção musical contou com nomes experientes da música pop como Teddy Park, Lindgren, Stephen Kirk, Jenna Andrews e Ian Eisendrath.

O time de compositores teve a presença de Danny Chung. Ele é um dos produtores da THEBLACKLABEL, agência responsável por carreiras de grupos e artistas como Rosé (BLACKPINK), MEOVV, SOMI, ALLDAY PROJECT, entre outros.

Responsável por composições como “Soda Pop”, Danny com a Billboard Brasil sobre o sucesso de “Guerreiras do K-pop” e os bastidores da animação. Ele também dublou Baby Saja, um dos integrantes do Saja Boys.

“A criação e o lançamento do filme foram um marco absoluto na minha vida. Me deu outra oportunidade de criar música para projetos nos quais acredito de todo o coração. Pude aprender coisas novas e me desafiar a aplicar o que faço a uma nova mídia cinematográfica”, diz Danny. “Fui trazido para o projeto pela produtora associada Agnes Lee, que conheço desde os 14 anos! Então, este é um momento de ciclo completo para nós”.

“Quando comecei a fazer música, eu mesmo era um artista, mas não lanço minhas próprias canções há quase 10 anos, então poder dar voz à Baby Saja foi surreal. O filme significa muito para mim por muitos motivos”, explica.

Há mais de 10 anos, Danny se dedica à criação de canções no K-pop – sendo creditado como compositor em grandes hits como “Lovesick Girls”, “How You Like That”, “Hello Bitches”, entre outros.

Leia a entrevista de Danny Chung para a Billboard Brasil

Billboard Brasil: Pode me contar como foi o processo criativo para “How It’s Done” e “Soda Pop”?
Danny Chung: Ian [Eisendrath] fez grande parte do trabalho pesado, entendendo exatamente o que precisava ser executado com essas músicas e deu à equipe musical a direção necessária. “How It’s Done” precisava ser forte, preparar o cenário e apresentar HUNTR/X ao mundo como um grupo de mulheres incríveis, além de super-heroínas. 24, Ido e TEDDY (da THEBLACKLABEL) conseguiram traduzir essa direção para a música que você ouve. EJAE, Mark Sonnenblick e eu tivemos sessões separadas para descobrir como transmitir essa mensagem liricamente. EJAE foi a gênia por trás do “done done done” no refrão que dá aquela sensação dramática de “dun dun dun” dos filmes.

“Soda Pop” é a introdução musical dos Saja Boys e tinha que desempenhar dois papéis. Tinha que ser quase irritantemente contagiante e até um pouco constrangedor por natureza, e tinha que ser uma metáfora e prenunciar a agenda tóxica dos Saja Boys de consumir almas. Foi muito divertido compor porque era muito brilhante e sombrio ao mesmo tempo. Vince e Kush (da THEBLACKLABEL) forneceram boa parte da linha principal e eu estava lá para lidar com as letras. Também foi uma experiência única para mim poder escrever e dar voz ao rap de Baby Saja como alguém que praticamente fica exclusivamente nos bastidores da música.

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Imagem do filme ‘Guerreiras do K-Pop’ (Netflix)

“Guerreiras do K-pop” quebrou o recorde da Hot 100 anteriormente detido pela trilha sonora de “Wicked”. Como você se sente?
Isso é loucura para mim, porque eu adoro “Wicked”. Minha namorada e eu fazemos duetos aleatórios de “Defying Gravity” em casa. Tive o privilégio de ter tido sucesso com composições antes, mas o sucesso de “Guerreiras do K-pop” é especial para mim. Era uma ideia tão nova e não comprovada. Tudo o que tínhamos era um grupo de indivíduos que acreditavam profundamente nela e estavam dispostos a trabalhar duro para torná-la realidade. Todos os envolvidos são extremamente talentosos, mas o tipo de reconhecimento que este filme e a trilha sonora vêm recebendo não acontece sem que as estrelas se alinhem. O maior agradecimento vai para todos que deram uma chance ao filme e apertaram o play.

Imagem do filme 'Guerreiras do K-Pop'
Imagem do filme ‘Guerreiras do K-Pop’ (Netflix)

Você pode compartilhar algum momento memorável quando trabalhava na trilha sonora e na dublagem de Baby Saja?
Gravei os vocais das músicas em Nova York com o Ian lá para dirigir os vocais, mas para a fala “goo goo gaga”, eu estava em Bangkok trabalhando em outro projeto. Michelle Wong, uma produtora brilhante de “Guerreiras do K-pop”, me deu a direção de como seria a cena, mas foi um pouco desafiador saber como executá-la exatamente, especialmente sozinho, do outro lado do mundo. Então, acabei gravando uma faixa de quase 4 minutos minha repetindo “goo goo gaga” sem parar. Os diretores, no fim das contas, escolheram a que você ouve na tela.

Em uma postagem no Instagram, você falou sobre sua adolescência e como o K-pop te influenciou. Quando você olha para aquele garoto de 13 anos ouvindo H.O.T. escondido, o que vem à mente hoje?
Trabalho com música há mais de 20 anos e, especificamente, com K-pop há mais de 10 anos. Quando comecei a trabalhar com K-pop, ele era grande, mas não era nem de longe o que você vê hoje. Estava apenas começando a transbordar globalmente, mas eu sabia que algo estava acontecendo e que eu queria fazer parte disso. Essa mentalidade não era o caso para mim aos 13 anos. Eu tive oportunidades de fazer parte do sistema de treinamento de K-pop naquela época, mas não parecia a jornada certa
naquela época. Eu não tinha certeza do que o K-pop significava para mim na época, ou mais importante, do que ser coreano realmente significava para mim. Mas, com o tempo, encontrei minha confiança em mim mesmo e nessa direção da música. A jornada tem sido incrível.

O que faz uma música transcender as barreiras linguísticas e realmente se conectar com as pessoas?
Emoção e entrega sempre importam mais do que as próprias palavras. Você pode dizer “certo”, “certo?”, “certo…”, e tudo soará diferente e significará coisas diferentes, mas será compreendido universalmente dependendo de como você o diz, não do que você diz.

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Imagem do filme ‘Guerreiras do K-Pop’ (Netflix)

Você ajudou a moldar o som de um dos maiores grupos do planeta. O que você acha que torna o BLACKPINK tão universalmente atraente?
BLACKPINK são super-heroínas da vida real. Elas representam feminilidade, força, coragem, vulnerabilidade, tudo isso enquanto são duronas. Tudo isso é verdade para elas enquanto existem em um mundo onde mulheres asiáticas, especificamente, são estereotipadas como submissas, e elas estão aqui conquistando o mundo. Que parte disso não poderia ser atraente [ao público]?

Você falou sobre a evolução do K-pop nas últimas décadas. Como é testemunhar essa mudança de perto e também como alguém que ajudou a moldá-la?
Minha parte favorita de toda essa jornada “Guerreiras do K-pop”, sejam músicas das quais participei ou agora, é quando vejo crianças se vendo e se ouvindo nos artistas e na música no palco ou na tela. Quando vou a shows de artistas com quem trabalhei, olho mais para a plateia do que para o palco. Ainda me impressiona ver crianças olhando para esses artistas e sabendo que seu mundo será um onde mulheres e homens asiáticos serão super-heróis e isso lhes dará a crença de que podem ser iguais. Nas últimas semanas, desde que o filme foi lançado, inúmeros amigos e desconhecidos me enviaram clipes de seus filhos cantando e aprendendo a coreografia das músicas do filme, e eu sei que eles se veem como os personagens principais, como deveriam.

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Imagem do filme ‘Guerreiras do K-Pop’ (Netflix)