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Valentino, estilista da alta sociedade, morre aos 93 anos em Roma

Designer italiano foi adorado por gerações de estrelas de cinema

Valentino

Valentino (Coleman Rayner/The Grosby Group Rome)

Valentino Garavani, o estilista italiano da alta sociedade cujos vestidos de alta costura – frequentemente em seu tom característico de “vermelho Valentino” – foram presença constante nos desfiles de moda por quase meio século, morreu em sua casa em Roma, na Itália. A notícia foi anunciada por sua fundação nesta segunda-feira (19). Ele tinha 93 anos.

“Valentino Garavani não foi apenas um guia e inspiração constante para todos nós, mas uma verdadeira fonte de luz, criatividade e visão”, disse a fundação em um comunicado publicado nas redes sociais.

O corpo será velado na sede da fundação em Roma, na quarta (21) e quinta-feira (22). O funeral será realizado na sexta-feira (23), na Basílica de Santa Maria degli Angeli e dei Martiri, na Piazza della Repubblica, em Roma.

Conhecido universalmente pelo primeiro nome, Valentino era adorado por gerações de membros da realeza, primeiras-damas e estrelas de cinema, de Jackie Kennedy Onassis a Julia Roberts e a Rainha Rania da Jordânia, que juravam que o estilista sempre as fazia se sentir e parecer o melhor possível.

Nunca adepto de ousadia ou de looks extravagantes, Valentino cometeu pouquíssimos deslizes fashion ao longo de sua carreira de quase meio século, que se estendeu desde seus primeiros anos em Roma, na década de 1960, até sua aposentadoria em 2008.

Seus designs infalíveis fizeram de Valentino o rei do tapete vermelho, o estilista preferido das celebridades para as cerimônias de premiação. Seus suntuosos vestidos já abrilhantaram inúmeras cerimônias do Oscar, notavelmente em 2001, quando Roberts usou um vestido vintage preto e branco para receber sua estatueta de melhor atriz.

Além de seu característico tom de vermelho com nuances de laranja, outras marcas registradas de Valentino incluíam laços, babados, renda e bordados; em suma, adornos femininos e delicados que contribuíam para a beleza dos vestidos e, consequentemente, para a de quem os vestia.

Sempre bronzeado e impecavelmente vestido, Valentino compartilhava o estilo de vida de seus clientes da alta sociedade. Além de seu iate de 46 metros e uma coleção de arte que incluía obras de Picasso e Miró, o estilista possuía um castelo do século XVII perto de Paris, com um jardim que, segundo relatos, ostentava mais de um milhão de rosas.

Valentino e seu parceiro de longa data, Giancarlo Giammetti, transitavam entre suas residências — que também incluíam propriedades em Nova York, Londres, Roma, Capri e Gstaad, na Suíça — viajando com seus cães da raça pug. O casal recebia regularmente amigos e clientes famosos, incluindo Madonna e Gwyneth Paltrow.

“Quando vejo alguém e, infelizmente, a pessoa está relaxada, correndo por aí de calça de moletom e sem maquiagem… Sinto muita pena”, disse o estilista à emissora “RTL” em uma entrevista de 2007. “Para mim, a mulher é como um lindo buquê de flores. Ela tem que ser sempre sensacional, sempre agradar, sempre ser perfeita, sempre agradar o marido, o amante, a todos. Porque nascemos para nos mostrarmos sempre da melhor forma.”

Valentino nasceu em uma família abastada na cidade de Voghera, no norte da Itália, em 11 de maio de 1932. Ele disse que foi seu amor pelo cinema na infância que o levou ao mundo da moda.

Após estudar moda em Milão e Paris, ele passou grande parte da década de 1950 trabalhando para o renomado estilista parisiense Jean Desses e, posteriormente, para Guy Laroche, antes de abrir seu próprio negócio. Ele fundou a Maison Valentino na Via Condotti, em Roma, em 1959.

Desde o início, Giammetti esteve ao seu lado, cuidando da parte administrativa, enquanto Valentino usava seu charme natural para construir uma clientela entre os ricos e famosos do mundo todo. Após alguns contratempos financeiros iniciais — os gostos de Valentino sempre foram extravagantes, e a empresa gastava sem limites — a marca decolou.

Entre as primeiras fãs estavam as musas do cinema italiano Gina Lollobrigida e Sophia Loren, bem como as estrelas de Hollywood Elizabeth Taylor e Audrey Hepburn. A lendária editora-chefe da “Vogue” americana, Diana Vreeland, também apadrinhou o jovem estilista.

Ao longo dos anos, o império de Valentino se expandiu à medida que o estilista adicionou linhas de prêt-à-porter, moda masculina e acessórios ao seu portfólio. Valentino e Giammetti venderam a marca para uma holding italiana por um valor estimado em US$ 300 milhões em 1998.

Valentino permaneceria como estilista por mais uma década. Em 2007, o costureiro celebrou seu 45º aniversário na moda com uma grande festa de três dias em Roma, culminando em um baile suntuoso na Villa Borghese.

Ele se aposentou em 2008 e foi brevemente substituído pela também italiana Alessandra Facchinetti, que havia assumido o lugar de Tom Ford na Gucci antes de ser demitida após duas temporadas.

A passagem de Facchinetti pela Valentino provou ser igualmente curta. Logo em seu primeiro desfile para a marca, rumores circulavam de que ela já estava de saída, e apenas um ano após sua contratação, Facchinetti foi de fato substituída por dois designers de acessórios veteranos da marca, Maria Grazia Chiuri e Pier Paolo Piccioli.

Chiuri deixou a Gucci para assumir o comando da Dior em 2016, e Piccioli continuou a liderar a maison durante um período áureo que culminou com o lançamento do sapato Rockstud, em parceria com Chiuri, e com sua cor característica, um tom de fúcsia chamado Pink PP.

Ele deixou a Gucci em 2024, juntando-se posteriormente à Balenciaga, e foi substituído por Alessandro Michele, que revitalizou os ícones da marca com estilos românticos e sem gênero definido.

A Valentino pertence à Mayhoola, do Catar, que detém 70% das ações, e ao conglomerado francês de luxo Kering, que possui 30%, com opção de assumir o controle total em 2028 ou 2029. Richard Bellini foi nomeado CEO em setembro passado.

Valentino foi tema de diversas retrospectivas, incluindo uma no Musée des Arts Décoratifs, localizado em uma ala do Museu do Louvre, em Paris. Ele também foi tema de um aclamado documentário de 2008, Valentino: O Último Imperador, que narrou o fim de sua carreira na moda.

Em 2011, Valentino e Giammetti lançaram o que chamaram de “museu virtual”, um aplicativo gratuito para computador que permite aos visitantes apreciar cerca de 300 peças icônicas do estilista.

[Esta reportagem foi traduzida livremente da Billboard. Leia o texto original, em inglês, aqui.]