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The Hives: ‘Nos copiem e sejam um pouco melhores’

Leia entrevista exclusiva da banda sueca à Billboard Brasil

The Hives (reprodução Facebook)

The Hives (reprodução Facebook)

Trajados de costume às 11h numa quarta-feira chuvosa em São Paulo, The Hives sobe o nível lá em cima. E eles sabem disso. Em entrevista à Billboard Brasil, a banda sueca afirma que é “como um beco de esperança para que outras bandas nos copiem e se tornem um pouco melhores”. Eles abrem os shows do My Chemical Romance no Allianz Parque, em São Paulo, nesta quinta (5) e sexta-feira (6).

Howlin’ Pelle Almqvist (vocal), Nicholaus Arson (guitarra), Vigilante Carlstroem (guitarra), The Johan and Only (baixo) e Chris Dangerous (bateria) estão no país para dois shows.

Com uma carreira de mais de 30 anos na música, os suecos são nome importante na história do garage rock. Com sete álbuns de estúdio, o mais recente foi lançado em agosto do ano passado. “The Hives Forever Forever The Hives” chegou como uma forte declaração de que a sonoridade e a personalidade da banda está mantida para sempre.

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The Hives, Sepultura e Brasil

A banda não é uma estranha no Brasil. Eles têm uma base de fãs estabelecida e se apresentaram mais de cinco vezes no país. Por isso, já provaram todas as comidas e bebidas possíveis, como feijoada, pão de queijo, caipirinha e açaí, e afirmaram amar todas.

“Nós amamos estar de volta no Brasil, amamos vir aqui e amamos sair e fazer coisas. E seja o que for, é sempre legal aqui. Tem muita comida e muita gente”, conta Nicholaus. Ele completa: “Nós temos muitos ótimos fãs aqui também. Fãs que vêm aos shows e dizem que somos bons e nos dão coisas”.

Pelle argumenta que as apresentações são provavelmente as coisas preferidas para se fazer no país, mas um fato interessante sobre o Brasil é a diversidade da flora e fauna, porque “são outras plantas e pássaros do que na Suécia”. “Não existe uma única árvore que eu reconheço, eu gosto disso.”

Os reis do garage rock – afinal, esse é o look que estampa a capa do álbum de 2025 -, também têm uma banda brasileira em sua playlist. Quando questionados, responderam de prontidão: “Sepultura!”.

“Eles tocaram em nossa cidade. Nós éramos muito jovens para ir. Isso foi nos anos 1980. E tem um vídeo muito bom no YouTube sobre isso que vocês devem ver. Sepultura, em 1989, em Fagersta. Talvez tivessem 400 pessoas ou algo assim por lá”, revela Pelle.

Shows com My Chemical Romance

The Hives é a banda de abertura da turnê de My Chemical Romance pela América Latina entre janeiro e fevereiro, passando por Peru, Chile, Argentina, Colômbia, México e, é claro, Brasil. As apresentações estão marcadas para 5 e 6 de fevereiro no Allianz Parque, em São Paulo.

“Nós já fizemos alguns desses shows na América Latina e todos foram realmente incríveis. O público pareceu se tornar instantaneamente fã do Hives, então é basicamente o que estamos fazendo, roubando alguns dos fãs do My Chemical Romance. Mas acho que podemos compartilhar os fãs com eles, então, tudo bem, não precisamos roubá-los”, brinca Pelle.

Começando em 1993, quando ainda eram crianças em uma cidade de indústria siderúrgica na Suécia, The Hives já performou em casas pequenas e em grandes arenas, sem se intimidar pela quantidade de público – seja pela falta dela no início de carreira ou pela alta demanda, principalmente após o hit “Hate to Say I Told You So”, do álbum “Veni Vidi Vicious” (2000). Eles são conhecidos por performances energéticas.

“A grande diferença entre tocar em um grande local ou em uma casa pequena é que há mais pessoas no grande local. Essa é a principal diferença que eu vejo do meu ponto de vista”, conta Pelle, mostrando que a performance no palco carrega sempre a mesma energia.

Afinal, eles frequentemente afirmam que são os melhores. Em sua bio, a descrição os apresenta como “a maior banda de rock que já agraciou a Terra com sua mera existência” e como “uma das mais inventivas e irresistíveis do século 21”.

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Eles são a indústria

Com mais de 30 anos de estrada, The Hives mantém uma energia que dá inveja aos millenials de 30 anos. Desde o álbum de estreia “Barely Legal” (1997), passando por “Tyrannosaurus Hives” (2004), “The Black and White Album” (2007), “Lex Hives” (2012) e “The Death of Randy Fitzsimmons” (2023) até chegar em “The Hives Forever Forever The Hives” (2025), a sonoridade dos suecos permanece latente.

Essa identidade muito bem construída pela Hives é um trunfo nos dias atuais, em que a indústria emprega um papel cruel ao pressionar os artistas. Essa cobrança imposta para uma constante necessidade de inovação, que leva a novas eras ou conceitos, não é algo que afeta os pensamentos da banda.

Pelle explica:

“Nós não sentimos nenhuma pressão da indústria porque nós pensamos que somos como a nossa própria indústria. Nós fazemos o que fazemos e isso parece estar funcionando, não importa se as tendências sobem ou descem, ou se o rock está dentro ou fora, ou o que for popular, parece que o que o Hives está fazendo está indo bem. Então, não ouvimos muito da indústria. E acho que nunca ouvimos, porque somos de uma cultura de que quanto menos ouvimos da indústria, melhor”.

Nicholaus completa e brinca que “de vez em quando a indústria quer que outras bandas pareçam como a Hives também. Então nós somos a indústria”.

“Sim, nós somos a banda para derrotar. Aqui estamos, como um beco de esperança para que outras bandas nos copiem e se tornem um pouco melhores”, finaliza o vocalista.

O último disco é como uma declaração dessa ideia. “The Hives Forever Forever The Hives” já deixa claro, no título, que o DNA da banda permanece o mesmo para sempre. Com uma introdução, um interlúdio e mais 11 faixas, o álbum mostra que três décadas na ativa

“Eles amam. Sim, parece que os fãs realmente gostam. Foi um processo longo e curto. Algumas das músicas, ou partes das músicas, são muito antigas. Mas para nós foi uma gravação bem rápida, porque só tínhamos um certo tempo entre tours para fazer. E foi a primeira vez que fizemos dois álbuns tão rápido [em 2023 e 202]. É um trabalho muito difícil, mas é provável que seja uma coisa popular. Parece que os fãs gostam de receber mais. Então, isso foi bom”, contam.

Quando questionados sobre qual conselho dariam para bandas que gostariam de seguir com uma carreira tão longa quanto a deles, a banda imediatamente brinca: “Parar. Quando você tiver 30 anos, desista. Aí você está pronto. Eu acho que parar e se reformular parece ser uma melhor estratégia. Você ganha muito mais dinheiro se parar e reformar algumas vezes”.

Logo em seguida, Pelle reformula: “Eu acho que a nossa única sugestão para artistas mais jovens é que você tem que fazer isso até não gostar mais. E depois você tem que fazer isso até começar a gostar de novo. E então talvez você seja bom”.

“Se você é bom, talvez seja divertido. Mas se você está em uma banda terrível por 30 anos, então é desistir”, complementa Nicholaus.

Os caras mais legais do planeta

Na lista de personalidade, a banda pode dar check em vários quesitos: estilo, bom humor, auto estima, boa música… E bom condicionamento físico, afinal não é qualquer pessoa que consegue performar no palco por mais de 90 minutos vestindo terno, calça e sapato social.

Essa natureza “cool” do Hives está intrínseca em cada integrante antes mesmo do sucesso. Eles acreditam que antes de serem bons, eram legais.

“Sim, eu acho que éramos legais antes de sermos bons. Talvez não nos primeiros 5 anos de vida. Sim, mas com 6 anos de idade nós ficamos muito legais”, brincam. E complementam: “Eu acho que a banda era legal antes da banda ser boa. Por isso nós ficamos muito legais. Se nós tivéssemos uma banda sendo boa, talvez nós tivéssemos algo. E parece que está funcionando”.

Toda a energia e estilo do Hives podem ser conferidos ao vivo nesta quinta-feira (5) e sexta-feira (6) nos shows em São Paulo. Há poucos ingressos para venda na plataforma Eventim.

Ouça ‘The Hives Forever Forever The Hives’