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SXSW 2026: entre Supla, Call of Duty e forró, Dominguinho vira fenômeno global

Após ganhar o Brasil, João Gomes, Jota.pê e Mestrinho levam projeto para o mundo

Turnê 'Dominguinho' com João Gome,1 Jota.pê e Mestrinho (Clayton Felizardo/ Brazil News) )

Turnê 'Dominguinho' com João Gomes, Jota.pê e Mestrinho (Clayton Felizardo/ Brazil News)

O sinal de que o Dominguinho tinha cruzado fronteiras não veio de um gráfico de streaming, mas sim de Supla. Sim, ele, o Papito. “O Supla falou que já tinha tocado aqui, que o festival era irado… e que tinha um cara muito punk que queria me ver, que era fã do nosso trabalho”, conta João Gomes, incrédulo.

É o tipo de validação improvável que só o SXSW entrega: um encontro entre mundos que não deveriam necessariamente se cruzar, mas que, em Austin, fazem todo sentido. Pouco depois, no palco da SP House, veio a confirmação prática. A convite da Billboard Brasil, o trio formado por João, Jota.pê e Mestrinho fez um show disputadíssimo para uma plateia eclética. De brasileiros com canções como “Lembrei de Nós” e “Arriadin Por Tu” na ponta da língua, a gringos encantados com o nosso forró.

 

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Para Jota.pê, a dimensão do festival norte americano ainda bate como surpresa. “Caraca!”, reage o três vezes vencedor do Grammy Latino, ao saber que Mestrinho já havia passado pelo festival mais de uma década atrás em uma versão do SXSW muito diferente da atual. Hoje, com uma presença brasileira mais robusta em Austin, o contexto mudou. E o tamanho do projeto também.

O Dominguinho, que nasceu como um encontro entre amigos, virou outra coisa. Mas ninguém ali parece ter percebido exatamente quando. “A gente lançou na sexta, passou o fim de semana e a galera continuava ouvindo. Segunda, terça, quarta… aí eu falei: ‘meu Deus, o que está acontecendo?’”, lembra João Gomes. Foi nesse ponto que o projeto deixou de ser só lançamento e virou demanda: shows, estrada, público crescente… e, agora, circulação internacional. A turnê europeia, com quase 30 dias de estrada, já vem no espírito do Dominguinho: com saudade de casa e acompanhada de um detalhe revelador: todos baixaram o mesmo jogo para jogar juntos enquanto estão fora. “Call of Duty”, entrega João.

Entre uma passagem de som e outra, o forró convive com partidas online uma imagem que traduz bem esse momento: tradição nordestina em trânsito global, salpicada por referências contemporâneas e uma dinâmica de grupo que mistura amizade, humor e ambição. E, apesar do salto, há uma consciência clara de que o movimento não é isolado.


“Tem banda de forró, a Fulô de Mandacaru, tocando em Buenos Aires e ninguém fala”, aponta João. A leitura é clara: o Dominguinho não cria um fenômeno do zero, mas sim ilumina o que já existe e ainda não ocupa o espaço que poderia. Há, segundo eles, um Nordeste espalhado pelo mundo. O que falta é visibilidade. Nesse cenário, o projeto funciona como amplificador do gênero como um todo. “Quanto mais a gente leva o forró para cima, mais gente vem junto”, finaliza João.