Story Of The Year: ‘Somos quatro caras que amam música e se divertem juntos’
Banda norte-americana lançou o álbum 'A.R.S.O.N.'

Story of the Year (divulgação)
Com mais de duas décadas de carreira, o Story Of The Year reafirma sua identidade em 2026. A banda norte-americana celebra a recepção do público ao novo disco “A.R.S.O.N.”, sigla para “All Rage Still Only Numb”.
Mostrando um lado mais introspectivo, sem abrir mão da sonoridade agressiva e pesada que marca sua trajetória, o álbum reúne 11 faixas que exploram temas como vulnerabilidade emocional. A produção é assinada por Colin Brittain, baterista do Linkin Park, com co-produção de Dan Book e Kevin McCombs.
Com sete álbuns de estúdio, o Story Of The Year ganhou projeção internacional com “Page Avenue”, álbum de estreia lançado em 2003, e construiu uma base fiel de fãs ao longo dos anos. A última passagem da banda pelo Brasil aconteceu em 2025, durante o festival I Wanna Be Tour, com shows em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba.
Em entrevista à Billboard Brasil, o vocalista Dan Marsala detalha o processo criativo de “A.R.S.O.N.”, comenta a recepção das novas músicas ao vivo e reflete sobre mais de 20 anos de carreira, a evolução da Story Of The Year e os próximos passos.
Eu sei que vocês fizeram um show de lançamento do álbum, certo? Como foi?
Foi incrível. Fizemos em St. Louis, nossa cidade natal. Tocamos várias músicas novas pela primeira vez. É muito legal poder lançar material novo e apresentar ao público. A gente sempre gosta de fazer isso na nossa cidade, já virou tradição. É o nosso momento especial de mostrar músicas novas. Foi divertido, foi incrível.
Teve alguma música que ganhou uma dimensão inesperada ao vivo?
Sim, isso sempre acontece. A gente escreve e grava músicas que muitas vezes nunca chegam a ser tocadas ao vivo. Às vezes você acha que uma música é sua favorita, mas ao vivo ela não funciona tão bem e o público não reage. Outras vezes, dá para sentir que a energia é certa para tocar ao vivo. Muitas acabam ficando de fora.
Tocamos “3 am”, “Into the Dark”, “Gasoline” e “Disconnected”, que foram os primeiros singles. Essas a gente já sabia que funcionariam. Também tocamos “I Don’t Want to Feel Like This Anymore”, a última do álbum. Todas funcionaram bem, mais ou menos como esperávamos.
Às vezes você testa algo e a reação é diferente. Temos uma música chamada “Wolves”, de alguns álbuns atrás, e “Praying for Rain”, que tem uns sete minutos. É longa e meio caótica. Quando tocamos, as pessoas às vezes só ficam olhando, tentando entender. Mas às vezes você faz isso por você mesmo, independentemente da reação. A gente ama música, então está tudo bem.
São mais de 20 anos de banda e muitas músicas. Fica difícil escolher o setlist, porque existem músicas que precisam estar sempre lá, como “Until the Day I Die” e “Anthem of Our Dying Day”. Temos sete álbuns, centenas de músicas. Fica cada vez mais difícil escolher.
Sobre o nome do álbum, “A.R.S.O.N.”, que significa “All Rage Still Only Numb” (em português: toda raiva ainda continua entorpecida), quando vocês chegaram a essa frase, soou mais como uma confissão ou um diagnóstico?
Nós pensamos primeiro no nome “A.R.S.O.N”, que aparece na faixa “Gasoline”. A partir disso, construímos o significado. Trabalhamos várias ideias e palavras como “raiva” e “entorpecimento” se destacaram. Elas resumiam bem o sentimento do disco.
A gente sempre dá nome ao álbum no final do processo. Quando tudo está pronto, ouvimos e pensamos no que representa aquele trabalho. Esse disco tem músicas pesadas e intensas, mas também muito emocionais. Reflete como a vida é: estamos sempre com raiva, mas isso não resolve nada.
Assista ao videoclipe de ‘Gasoline (All Rage Still Only Numb)’, de Story Of The Year
Falando sobre isso, o álbum trata de ansiedade, conflitos internos e sentimentos humanos. Isso veio de experiências pessoais?
Um pouco de tudo. Hoje em dia escrevemos juntos no estúdio. As ideias vão surgindo e passam por mim na hora de decidir o caminho. Eu gosto de escrever letras pessoais, mais escuras e metafóricas. Também gosto quando as pessoas interpretam de formas diferentes. Nem sempre precisa significar para o público o mesmo que significa para mim. Cada música é diferente. Às vezes é algo específico, às vezes um conceito mais amplo. Mas gosto de manter esse tom mais introspectivo.
Existe alguma faixa que quase ficou de fora, mas hoje parece essencial?
Gravamos algumas músicas que não entraram no álbum. Sempre acontece. Escrevemos muito, especialmente o Ryan, nosso guitarrista, que traz várias ideias. Algumas chegam a ser totalmente desenvolvidas, mas acabam ficando de fora.
Talvez a gente lance alguma como lado B no futuro. Sempre existem músicas extras, mas nem todas são aproveitadas. Isso acontece em todos os discos, e raramente voltamos a trabalhar nessas faixas depois.
Sobre esses possíveis lados B ou novos lançamentos, há planos?
Ainda não, mas pensamos em uma edição deluxe, talvez com músicas ao vivo. Tudo é possível. Às vezes guardamos músicas e nunca lançamos. Os fãs sabem que temos várias guardadas. Mas, se houver demanda, podemos lançar algo.
Existe a possibilidade do Story Of The Year voltar ao Brasil?
Sim, queremos muito. A última turnê foi incrível. Sempre depende de logística e negociação, mas estamos tentando viabilizar. Adoraríamos voltar, os fãs são incríveis.
E, se voltarem com essa turnê, existe a chance de tocar o álbum completo?
Ainda não fizemos isso com este disco. Já fizemos com “Page Avenue” algumas vezes. Eu adoraria tocar o álbum inteiro, mas ainda estamos trabalhando nisso. Seria incrível.
Por fim, já são mais de 20 anos de carreira, sete álbuns de estúdio, e vocês mantêm a essência do som. O que mudou na mentalidade do Story Of The Year?
Talvez não tenha mudado tanto. Antes de tudo, somos amigos. Crescemos juntos, andando de skate, desde os anos 90. Quando nos reunimos, fazemos música que gostamos, sem pensar se os outros vão achar legal ou não.
Se você gosta do que faz, isso acaba conectando com as pessoas. Esse sempre foi nosso pensamento. A tecnologia mudou e a forma de gravar também, mas no fundo continuamos sendo quatro caras que amam música e se divertem juntos.
Ouça ‘A.R.S.O.N.’, de Story Of The Year
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