SP House se consolida como hub de negócios e vitrine global no SXSW
Diretora da InvestSP explica por que o Brasil vive seu melhor momento lá fora

Julia Saluh em entrevista ao Cabos & Cases (BillboardBr)
Diretamente da SP House, no SXSW 2026, o Cabos & Cases recebeu Julia Saluh, diretora de Relações Internacionais da InvestSP, para discutir a evolução de um dos projetos brasileiros mais relevantes dentro do festival. O que começou como uma ação pontual em 2022 se transformou em um dos principais pontos de encontro e negócios para a delegação brasileira em Austin.
“Cadê a nossa casa?”, relembra Júlia ao contar o momento em que a equipe percebeu que o Brasil, apesar de ser uma das maiores delegações do evento, ainda não tinha um espaço próprio estruturado. A partir dessa inquietação nasceu a SP House, hoje descrita por muitos como a “Casa Brasil” dentro do SXSW.
De presença tímida a plataforma estratégica
A primeira participação aconteceu em 2022, ainda no contexto do pós-pandemia, com um único dia de programação. Já em 2023, o projeto ganhou corpo e, em 2026, mais do que dobrou de tamanho, com múltiplos palcos e uma agenda robusta que espelha os principais temas do festival.
A lógica por trás do crescimento é clara: transformar presença institucional em geração de negócios. “O SXSW é a maior vitrine do mundo para inovação e indústria criativa. O que é discutido aqui reverbera o ano inteiro”, afirma Julia em entrevista à CMO da Billboard Brasil, Camila Zana.
Diferentemente de outras casas internacionais no SXSW – muitas vezes focadas em entretenimento e circulação rápida – a SP House se posiciona como um espaço de permanência. “Aqui as pessoas entram e ficam. Porque sabem que vão fazer conexão, vão encontrar gente relevante e potencialmente fechar negócios”, explica.
O modelo aposta no chamado “networking qualificado”: encontros informais que destravam conversas que levariam meses para acontecer. Segundo Julia, há casos de reuniões que finalmente aconteceram ali após longas tentativas frustradas. Mais do que conteúdo ou shows, a casa funciona como uma plataforma facilitadora de negócios.
Por isso, cada detalhe da SP House é pensado como ferramenta de atração: do café à programação musical – cuja curadoria fica a cargo da Billboard Brasil –, passando por painéis sobre tecnologia, comportamento e indústria criativa. “Tudo que está aqui dentro tem uma razão de ser: fazer as pessoas ficarem mais tempo e conhecerem as empresas brasileiras”, diz.
A estratégia também inclui trazer outras delegações internacionais para dentro da casa, ampliando o alcance e posicionando o Brasil como player global.
Para Julia, o momento do país no cenário internacional é único.
“O Brasil está no nosso momento mais importante de visibilidade e credibilidade. Todo mundo quer conhecer, quer fazer reunião, quer entender o que está acontecendo.”
Esse interesse é sustentado por resultados concretos: prêmios, crescimento da música brasileira no streaming e maior presença em mercados globais. Mas ela alerta: o desafio agora é consistência, especialmente no follow-up. “Não adianta fazer contato e não responder depois. A capacidade de dar continuidade é o que transforma conexão em negócio.”
Creative SP: o motor por trás da operação
Por trás da presença brasileira em eventos como o SXSW está o Creative SP, programa que seleciona e prepara empresas para atuar internacionalmente. A iniciativa oferece capacitação, treinamento de pitch e apoio financeiro para participação em eventos globais – de música a audiovisual e publicidade.
Mais do que subsídio, o diferencial está na preparação estratégica: “O que as empresas mais valorizam é o treinamento e a comunidade. Uma ajuda a outra, e isso faz muita diferença.”
De São Paulo para o mundo – e vice-versa
Mesmo sendo uma iniciativa do governo paulista, a SP House ultrapassa fronteiras regionais. “A casa não é do governo. É do Estado, dos paulistas, dos brasileiros”, resume Júlia. Esse caráter aberto ajuda a explicar por que o espaço virou ponto obrigatório para brasileiros – e cada vez mais para estrangeiros – no SXSW.
Com o crescimento acelerado, a pergunta inevitável já surge: o que vem depois? “Esse é o nosso atual pesadelo: pensar na próxima edição. A régua está lá em cima”, admite Júlia.
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