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RÜFÜS DU SOL: ‘Ver pessoas chorando no show é um presente’

Trio australiano retorna ao Brasil em fevereiro; saiba mais

RÜFÜS DU SOL (reprodução)

RÜFÜS DU SOL (reprodução)

Embalado por um marco histórico como turnê de música eletrônica mais bem vendida da história, RÜFÜS DU SOL retorna ao Brasil em 2026 com “Inhale / Exhale Tour”. O trio australiano tem shows confirmados em Curitiba (PR), no dia 24 de fevereiro, na Pedreira Paulo Leminski, e em São Paulo (SP), no dia 27 de fevereiro, no Mercado Livre Arena Pacaembu.

A banda também percorre a América do Sul em sua maior turnê pelo continente. Conversamos com Tyrone Lindqvist, vocalista, um dia após sua apresentação em Buenos Aires, na Argentina. “Foi ótimo. Foi a nossa primeira apresentação do ano e foi muito divertido”, contou sobre a arena lotada.

Entre performances imersivas e intimistas mesmo em meio a uma multidão de pessoas, ele conta sobre o trabalho ao lado de Jon George e James Hunt, a conexão com o público brasileiro, os bastidores criativos e o impacto global que rendeu indicações ao Grammy.

Tyrone, vocalista do RÜFÜS DU SOL (reprodução)
Tyrone, vocalista do RÜFÜS DU SOL (reprodução)

Relação entre RÜFÜS DU SOL e América Latina

Essa é a maior turnê que vocês já fizeram na América do sul até agora. O que motivou essa decisão? Você acha que a cena da música eletrônica deveria prestar mais atenção aos países latino-americanos?

Sim, acho que sim. Muitos fãs pediam para tocarmos no Brasil e na América do Sul, mas viajar para cá é caro e isso sempre foi um grane desafio para nós. Quando tivemos condições financeiras e um número suficiente de fãs pedindo nossa vinda, decidimos fazer a viagem. Não lembro exatamente quando foi a primeira vez, quando tocamos em algumas edições do Lollapalooza. Talvez em 2019. Foi uma experiência incrível, os fãs, o público, a energia…

Foi importante para nós voltar e compartilhar nosso amor com essa parte do mundo. Espero que mais artistas façam isso, porque é realmente uma parte especial do mundo. Você percebe essa energia até online, basta ver shows de bandas como Bring Me The Horizon, por exemplo. Não sei dizer, mas o público é intenso, quase “louco”.

Olha, eu concordo. E sou muito fã do Bring Me The Horizon, achei interessante você citá-los. Vocês ouvem metal ou outros gêneros além da música eletrônica?

Sim, eu diria que nós, como uma banda, somos muito influenciados por toda a música. Amamos Radiohead e, em termos de novidades, amamos Turnstile.

Crescemos na Austrália ouvindo a rádio Triple J, que tocava todos os gêneros de música: hip hop, rap, metal… acho que só não tinha muito jazz, mas provavelmente deveria ter uma noite de jazz. Enfim, foi uma boa maneira de aprender mais sobre a música do que apenas um gênero.

E alguns desses ritmos ou sons inspiram o RÜFÜS DU SOL?

Sim, absolutamente. Qualquer coisa que nos inspira é válida para levarmos ao estúdio, então não importa o gênero ou o ano. Compartilhamos muita música entre nós e também propomos pequenos desafios criativos, como tentar fazer a nossa própria versão de determinada música.

Os caras fazem muitos DJ sets, então estão sempre atentos ao que há de novo na música eletrônica. Então, eles trazem as referências das suas faixas favoritas e dizem: “Adoraríamos fazer um beat assim” ou “Vamos criar um synth nessa linha”. É muito legal trabalhar dessa forma no estúdio.

Sabe nossa faixa “Levitating”? Naquela música, eu pensei: “Sinto que poderíamos fazer algo como ‘Shape of You’, do Ed Sheeran. Algo diferente para eu cantar. O ritmo poderia seguir essa linha, poderíamos deixá-la de determinada forma…”. Você sabe, algo que tivesse essa referência mas fosse nossa versão, com nossa identidade, algo que soasse como RÜFÜS DU SOL. Criamos esses pequenos desafios para deixar tudo mais fresco, criativo e divertido no estúdio.

E voltando a falar sobre Lollapalooza Brasil, eu estive lá ano passado e foi um show poderoso. Você acha que público brasileiro tem algo especial ou algo diferente na energia?
Eu acho que sim. É um público muito, muito vocal. Eles são muito responsivos com o que você diz e são muito apaixonados. Quando nós tocamos em 2019, conseguimos andar pelo festival e assistir a outros shows, porque ainda não éramos tão reconhecidos. Estar entre as pessoas e assistir a música ao vivo do ponto de vista de um público foi realmente especial, porque é uma cultura diferente e uma energia diferente do que estávamos acostumados e amamos isso.

Foi um verdadeiro presente poder tocar lá e ver os shows lá. Não sei, mas me parece um país muito celebrado. Eu sei que o Carnaval está acontecendo agora, né? Eu nunca estive nessa época no país, mas você vê vídeos e parece tão festivo e livre. Um monte de espíritos livres.

Exato! Ainda sobre o Lollapalooza Brasil, havia uma videomaker correndo pelo palco, filmando vocês ao vivo e transmitindo nas telas. Foi algo tão dinâmico e importante pra experiência do show. Como surgiu essa ideia?

Nosso diretor criativo Katsuki viu um show da Rosalía no qual havia uma pessoa captando imagens ao vivo e projetando nos telões, algo realmente bonito. Mesmo que fosse um show grande, isso criava uma sensação de intimidade. Como somos uma banda live, com bateria e vocais ao vivo, e percebemos que nossos shows se tornaram maiores, ele apareceu com essa ideia, sugerindo que poderia ser um jeito legal de criar uma atmosfera mais íntima mesmo que tocássemos para várias pessoas.

Então, Leah entrou para nosso time e tem filmado nossas apresentações faz uns nove anos. A ideia é transmitir instantaneamente nas telas para que as pessoas possam ver o que está acontecendo e os fãs nos disseram que isso é muito legal. E preciso dizer que a câmera que ela segura é muito pesada. E ela corre por nós três. Ao mesmo tempo é um trabalho tão suave. É impressionante! Eu não entendo como ela consegue. Eu mesmo já quase caí do palco um monte de vezes, usando óculos escuros não dá pra ver muito bem. Eu acho que ela deve ter caído uma única vez. Mas realmente foi uma adição muito especial ao show.

Realmente traz uma atmosfera tão íntima. Como vocês conseguem criar isso mesmo tocando para milhares de pessoas? Esse é um dos segredos?

Nós sempre amamos a música eletrônica e o que isso oferece… um pequeno clube onde as pessoas compartilham um momento ao ouvir o DJ tocar suas faixas favoritas… há uma unidade nesse clube e uma energia onde as pessoas podem escapar ou estar em seu próprio mundo. Nós tentamos levar isso para níveis um pouco maiores para nós mesmos. Acho que é essa experiência compartilhada de um público tendo conexão ao ouvir música juntos, dançar e realmente não pensar em mais nada.

Mas nós gostamos da interação entre o orgânico e o ao vivo, como uma banda, que pode ser uma banda de rock misturada com música eletrônica, como o Daft Punk ou  The Chemical Brothers, atos que possuem um pulso mais underground em que você pode se perder. Encontrar o ponto entre essas duas coisas nos parece muito especial e, por qualquer razão, as pessoas parecem se conectar com esses esses dois mundos.

Acho que as letras das músicas também são uma extensão nós sentimos e pensamos, e quando estamos passando por algo difícil ou eufórico, nós fomos fortes para conseguir levar essas sensações para as músicas. E pessoas se conectaram com isso. Quando nós tocamos e vemos as pessoas na frente, como ontem à noite, por exemplo, tinha pessoas chorando em momentos diferentes no set, ou se beijando com paixão enquanto tocávamos “Treat You Better”… isso me trouxe muita alegria. É muito doce ver as pessoas se sentindo livres.

Nós fazemos música para nós mesmos, mas é um presente ver o que ela significa coisas para outras pessoas.

Sucesso de “Inhale / Exhale”

A turnê mundial de “Inhale / Exhale” foi reconhecida pela Live Nation como a turnê eletrônica mais vendida de todos os tempos. Como vocês reagiram quando receberam essa notícia? Um feito desse tamanho muda algo internamente? Existe mais pressão agora ou isso traz mais liberdade criativa?

Nós ficamos tão surpresos e animados! Estávamos em Sidney tocando esses shows que foram feitos para a tour da “Inhale / Exhale”. Foi lá que crescemos e que começamos como uma banda. Então já era uma grande celebração e quando eles nos deram essa notícia, foi um abraço muito bom para nós e o time. Nós somos uma banda por 15 anos. Tocamos em quase todos os locais em Sidney, em Melbourne, nos EUA, na Europa, em todas as cidades. Nós não fomos de zero a espaços massivos. Foi uma crescente. Não acho que nós estávamos trabalhando para isso, necessariamente, mas foi uma boa surpresa.

“Inhale / Exhale” também foi indicado ao Grammy, assim como os anteriores. E vocês também já venceram uma vez. Como é alcançar premiações desse porte? Fazer parte desse tipo de reconhecimento é algo que vocês buscam ativamente ou é mais uma consequência natural do trabalho que vêm desenvolvendo?

Eu me lembro que quando fomos indicados pela primeira vez, não parecia possível. Foram duas nomeações no Grammy Awards pelo “Solace”, uma pelo álbum e outra pela faixa “Underwater”. E foi tão emocionante ir à cerimônia, simplesmente se vestir e caminhar pelo tapete, estar lá. Foi emocionante ver artistas que eram enormes, mas foi surreal para nós, porque não é por isso que fizemos a música, não é por isso que entramos em turnê. Foi como um presente, como um pequeno abraço, e conseguimos compartilhar o dia com o nosso time, foi incrível.

E depois, quando fomos indicados novamente, e conseguimos ganhar um [Melhor gravação Dance/Eletrônica por “Alive”], que foi muito surreal. Ser indicado em prêmios e ser reconhecido pelo arte que você faz é muita sorte. Acho que há talento, cuidado, tempo e energia que gastamos para fazer coisas. Mas eu acho que há sorte em ser reconhecido. O álbum de Jamie XX não foi indicado e foi um dos meus álbuns favoritos eletrônicos dos últimos quatro anos. Então, você sabe… não acho que seja simples. Às vezes você é sortudo e se reconhece por algo e às vezes você não.

Três álbuns da discografia de vocês têm versões com remixes. Como surgiu a ideia de lançar álbuns completos de remixes? Como escolhem os artistas?

O Jon e o James fazem os sets de DJs e eles têm um amor por novos elementos. E desenvolveram amizades próximas com DJs e produtores de todo o mundo. Então é uma paixão nossa, da nossa equipe, do nosso manager… Porque nós, como uma banda, fazemos música que não é necessariamente amigável com clubes, porque provavelmente está no lado um pouco mais pop, ou apenas pelo fato de que há letras, há versos, coro, vozes…. estruturas que não se encaixam efetivamente num club, que é mais rítmico. Então é legal ter esses artistas que olhamos e gostamos para interpretar nossas músicas e para que elas possam existir nesse ambiente, às vezes as seis da manhã, com sola nascendo.

E nós estamos super gratos com todo mundo que colocou o seu toque mágico nelas, tipo Vintage Culture, colocando suas mãos mágicas por duas vezes [nas faixas “Next To Me” e “Lately”]. É uma honra. E foi importante para nós, desde o nosso primeiro álbum tentamos fazer remixes, e muitas pessoas disseram “não”. Realmente tivemos que perguntar e perguntar, mas recusavam. E, você sabe, vez ou outra encontrávamos um artista que dizia: “tudo bem, eu vou fazer”. No segundo álbum, ficou um pouco mais fácil conseguir pessoas. No terceiro, mais fácil ainda. E com o nosso quinto álbum, conseguimos fazer dois álbuns remixes completos. Foi legal.

RÜFÜS DU SOL (reprodução)
RÜFÜS DU SOL (reprodução)

Realmente, a versão de Vintage Culture pra “Next To Me”, do álbum “Surrender”, é muito famosa aqui no Brasil. E para encerrar, falando em Brasil, você têm alguns dias antes dos shows por aí. Estão planejando explorar as cidades?
Sim! Será a nossa primeira viagem para Curitiba. Então eu estou animado. É sempre emocionante ir para uma nova cidade, porque não sabemos o que esperar. Não sabemos como são as pessoas, o café, a comida, as lojas. Nós tentamos encontrar uma loja de vinis, geralmente em cada cidade, ver quais são os discos. E nós amamos os óculos. Muitas lojas de óculos. E só sair andando por aí… então sim, definitivamente vamos explorar um pouco. Eu acho que temos algum tempo em ambas as cidades também. Talvez seja apenas dois dias, mas, você sabe, é um pouco de tempo para explorar. É legal porque estamos no inverno nos Estados Unidos, eu moro em San Diego e os caras moram em Miami. Eu acho que é mais quente em Miami, mas… é bom vir aqui durante o verão, as coisas se tornam mais vibrantes.

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