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Roqueiro de casaca, Kip Winger se despede dos palcos no Bangers Open Air

O roqueiro americano irá se dedicar ao processo de composição erudita

O roqueiro americano Kip Winger (Divulgação)

O roqueiro americano Kip Winger (Divulgação)

Em março de 2022, a Sinfônica de Nashville, sob o comando do maestro Giancarlo Guerrero (conhecido e admirado pelos frequentadores da Sala São Paulo) fez a estreia mundial de “Symphony of the Returning Light”.

Composta entre 2108 e 2020, a sinfonia utiliza os ritmos e as mensagens em código Morse para codificar recados de expiação pessoal e busca interior. Lançada recentemente nas plataformas de streaming, a sinfonia traz momentos frenéticos, que lembram algumas composições do russo Igor Stravinsky (1882-1971).

A maior surpresa, contudo, é que ela foi criada por um nome mais comum ao mundo do rock do que nas salas de concerto: o americano Kip Winger.

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O cantor e baixista, cuja banda é uma das atrações do Bangers Open Air, foi um dos ídolos do hard rock dos anos 1980, chamado jocosamente por muitos como “rock farofa”. Um termo preconceituoso, visto que, por baixo do excesso de maquiagem e laquê, havia uma legião de músicos, cantores e compositores de altíssima qualidade.

No caso de Winger, por exemplo, ele estudou música erudita, trabalhou com Alan Parsons (engenheiro de som responsável por, entre outras obras-primas, “The Dark Side of the Moon”, do Pink Floyd) e tocou na banda do performático roqueiro americano Alice Cooper.

“Foi uma aula de como o mundo do showbiz funciona, ver de perto aquelas engrenagens, tocar em estádios lotados”, diz Winger. Alice, que é conhecido por criar concertos que incluem decapitações e números ao lado de cobras, também foi um exemplo para o cantor.

“Ele é uma das pessoas mais divertidas e legais que conheci. Mas de repente, no camarim, você olhava para ele antes do show e via que ele tinha se tornado numa pessoa completamente diferente”, confessa o cantor.

Surgido em 1987 na cidade de Nova York, o Winger tinha em sua formação músicos do primeiro time como o guitarrista Reb Beach (mais tarde, do Whitesnake), o baterista Rod Morgenstein e o tecladista Paul Taylor, que depois fariam parte das bandas de apoio dos principais nomes do hard rock americano.

O primeiro disco do grupo, batizado apenas como “Winger”, vendeu 1 milhão de cópias e atingiu a 21a posição na parada de sucessos dos Estados Unidos por conta de músicas como “Hungry”, “Madaleine” e “Seventeen”.

A discografia de Kip Winger, contudo, é formada também por álbuns que fogem da estética glam rock. “Pull”, de 1991, que saiu em meio à uma troca de guarda na música. “Foi um disco composto sob pressão porque o hard rock tinha sido trocado pela música grunge [nota do redator: Nirvana, Pearl Jam e afins] e eu sofri um bloqueio criativo”, diz Winger.

“Estava com dificuldades em compor as letras e a gravadora chamou alguém para me ajudar. Mas ele criou versos tão estúpidos”, confessa. A solução foi cair na estrada. “Eu morava em Nova York, aluguei um carro e fui dirigindo até Miami e depois para o Novo México. Quando vi, as letras estavam prontas.”

O título de glam rock, normalmente associado a bandas como Motley Crue, Ratt e Poison, deixa o músico um tanto desconfortável.

“Nunca me enxerguei naquela cena, acho que a gente era mais influenciado pelo rock progressivo. As nossas influências eram Genesis, Yes, Gentle Giant”, explica. “Não tocamos instrumentos para mostrar que somos astros do rock, nossa música tem uma complexidade maior que a daquelas outras bandas.”

Winger é autodidata e sabe ler partituras. Mas seus talentos como compositor erudito se iniciaram depois do primeiro hiato da banda –entre 1994 e 2000. “Estudei com Richard Hermann, da Universidade do Novo México; Michael Kurek, da Universidade de Blair, e Richard Danielpour, que era da Escola de Música de Manhattan, em Nova York”, enumera. “Passei dez anos criando composições não tão boas até chegar lá” , diz.

Entenda-se por “chegar lá” ser reconhecido junto aos principais corpos de música erudita do país. Em 2010, seu balé “Conversations with Nijinsky”, baseado na vida do famoso bailarino russo, foi gravado pela Orquestra do Balé de San Francisco e foi para o topo das paradas de música erudita.

O disco também ganhou um prêmio Grammy nessa categoria. A composição chamou a atenção de Giancarlo Guerrero, maestro e diretor musical da Sinfônica de Nashville, que comissionou o cantor, baixista e agora compositor erudito, para duas obras –a “The Symphony of the Returning Light” e um “Concerto para Violino”.

“Sou grato a Guerrero por ele ter colocado essa luz sobre o meu trabalho”, diz Winger. “E você sabia que a banda predileta dele é o Rush? Giancarlo é percussionista”, diz Winger.

Winger Giancarlo Divulgacao
O maestro Giancarlo Guerrero e Kip Winger (Divulgação)

A apresentação do Bangers marca a despedida de Winger dos palcos, que irá se dedicar mais ao processo de composição. “Estou com 64 anos, amo os músicos da banda, mas quero dedicar os próximos vinte, trinta anos à criação de obras da seara erudita”, explica. Quem sabe ele possa vir ao Brasil, visto que Giancarlo Guerrero tem trânsito livre por aqui. É certo que pode-se até “bangear” durante a performance algumas composições de Winger. Só não peçam uma versão sinfônica de “Seventeen”.

FESTIVAL BANGERS OPEN AIR 2026

A terceira edição do Bangers Open Air acontece nos dias 25 e 26 de abril no Memorial da América Latina, em São Paulo (SP).

Entre as atrações estão Black Label Society, Primal Fear, Tankard, Feuerschwanz, Korzus, Nevermore, Project46, Within Temptation, Crypta. Killswitch Engage, Jinjer, In Flames, Onslaught, Evergrey, Amaranthe, Dirkschneider, Lucifer, Crazy Lixx, Roy Khan, Seven Spires, Silver Dust, Visions Of Atlantis, e Smith/Kotzen, de Adrian Smith (Iron Maiden) e Richie Kotzen. 

Os ingressos estão disponíveis pelo site Clube do Ingresso. Consulte valores, condições e setores disponíveis aqui.