Ressonância: conheça o festival dedicado à força da percussão

Festival Ressonância (Divulgação)
O Brasil é referência no imaginário global da música quando o assunto é ritmo. Nesse contexto, mais do que elemento de acompanhamento, a percussão atua como definidora da nossa identidade musical. E dentro desse mapa sonoro, a região Nordeste se destaca como território onde tradição e invenção se conectam.
Do maracatu ao coco, do afoxé ao samba de roda, das bandas de pífano às manifestações afro-indígenas, a percussão nordestina carrega em si camadas profundas de história e resistência, que ao longo do tempo não apenas se preservou, mas se reinventou continuamente.
Foi justamente dessa força que surgiram movimentos transformadores, como o Manguebeat, que eclodiu no Recife no início dos anos 1990 protagonizado por Chico Science & Nação Zumbi. E logo, num segundo momento desta cena, a chegada do Cordel do Fogo Encantado, marcada por uma percussão explosiva associada a tradição da poesia oral sertaneja. Em ambos os casos, a percussão passa a ocupar o centro de uma estética urbana, reinventando a tradição.
É impossível falar em percussão sem citar Naná Vasconcelos, que levou essa linguagem a uma dimensão internacional, expandindo os limites dos instrumentos percussivos, principalmente o do berimbau, colocando o Brasil no centro de uma conversa global sobre som, improvisação e experimentação. Foi também Naná quem, anos atrás, me inspirou a criar o Ressonância, projeto que somente agora tenho a oportunidade de concretizar.
O Ressonância – Festival Internacional de Percussão do Brasil nasce com a proposta de suprir no país a ausência de um festival relevante dedicado exclusivamente à música percussiva. Tem como objetivo estimular encontros entre diferentes tradições, linguagens e territórios sonoros, conectando diferentes propostas rítmicas, não só do Brasil, mas também afro-latino-americanas.
Nesta primeira edição, a curadoria se orienta no sentido de construir pontes e ampliar a percepção do público em relação á música percussiva. A programação aproxima diferentes tradições e abordagens: o candombe uruguaio de Lobo Núñez, as matrizes afro-brasileiras de Aguidavi do Jêje e experiências contemporâneas presentes nos trabalhos de Repercuti e de Alibombo y Los Sopladores. O Cordel do Fogo Encantado, por sua vez, faz uma apresentação especial, revivendo na íntegra o show de seu primeiro álbum, que completa 25 anos e que foi produzido por Naná Vasconcelos.
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Antonio “Gutie” Gutierrez – Jornalista e produtor cultural. Criador, diretor e curador do Festival Rec-Beat, que acontece anualmente no Recife, em meio ao Carnaval da cidade, com 30 anos de existência, com edições realizadas em várias cidades do país. Criador e diretor do ANIMAGE (Festival Internacional de Animação de Pernambuco) e, também do Ressonância – Festival Internacional de Percussão do Brasil, que acontece de 9 a 11 de abril, no Centro Histórico de Olinda (PE).
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