Potyra Lavor leva comitiva feminina para decifrar o SXSW 2026
CEO da IDW Company propõe menos resumo e mais profundidade na leitura do evento

Camila Zana e Potyra Lavor, do grupo IDW, convidada do podcast Cabos & Cases / BillboardBR
“Um evento que existe há 40 anos é para a gente bater palma de pé.” A fala de Potyra Lavor resume o peso que o SXSW ainda carrega, e o motivo pelo qual o festival segue sendo um dos principais pontos de encontro da indústria criativa global. Em 2026, o evento ampliou seu alcance, mas também intensificou um sentimento já conhecido de quem circula por Austin: o FOMO ou fear of missing out (“medo de ficar fora”, em tradução livre para o bom português).
“O SXSW é o próprio FOMO”, diz a CEO da IDW Company, em entrevista ao podcast Cabos & Cases, da Billboard Brasil, comandada pela CMO Camila Zana.
Para a CEO da IDW Company, a unificação das programações trouxe ganhos evidentes – especialmente para a música que, segundo ela, teve seu ano mais forte dentro do festival. “Você junta públicos diversos, formadores de opinião que antes não estavam na semana da música. Isso incentivou a trazerem artistas e shows maiores”, afirma.
Mas a estratégia da executiva em 2026 não foi apenas acompanhar o SXSW, e sim reinterpretá-lo. Neste ano, Potyra liderou uma comitiva de oito mulheres da IDW, empresa majoritariamente feminina que comanda o Afropunk Brasil, que vive o evento a partir de diferentes perspectivas: pesquisa cultural, negócios, produção, comunicação e gestão de projetos.
“Cada uma está trazendo um olhar. E quando a gente se encontra no fim do dia, faz mini-downloads, uma complementa a outra naturalmente”, conta. Wssa abordagem também nasce de uma crítica direta a um dos formatos mais comuns de cobertura do SXSW: os relatórios pós-evento. Para Potyra, traduzir o festival em um grande “download” é, na prática, uma tarefa limitada.
“É muito difícil explicar para quem não esteve aqui o que acontece ou como aplicar aquilo”, diz.
A alternativa da IDW é clara: abandonar o panorama generalista e apostar em recortes mais profundos. Em vez de tentar resumir tudo, a ideia é selecionar temas específicos e explorá-los com mais densidade e identidade própria.
Esse olhar também está conectado a outro ponto central da sua visão: o papel do Brasil dentro do SXSW. Mais do que uma presença numerosa – a maior delegação fora dos Estados Unidos –, o país aparece como referência de pensamento.
“O Brasil é uma metodologia. A gente usa o Brasil como metodologia para tudo o que faz”, afirma.
A ideia se apoia na diversidade cultural, na capacidade de adaptação e na complexidade social brasileira como ativos estratégicos para inovação. Um exemplo disso aparece na própria programação da SP House, que discutiu o impacto econômico do São João — uma festa que, segundo ela, movimenta mais do que o Carnaval, mas ainda é subestimada pelo mercado.
Ao mesmo tempo, a presença feminina estruturada no festival não é apenas simbólica. Potyra deixa claro que o objetivo é ampliar a iniciativa nos próximos anos, abrindo espaço para mais mulheres e diferentes perfis dentro da indústria.
“A gente ainda tem um mercado muito masculino. Quem conseguiu avançar um pouco mais tem a obrigação de puxar mais gente junto”, diz.
Entre excesso de estímulos, encontros improváveis e repertórios cruzados, a leitura de Potyra sobre o SXSW é menos sobre tendência e mais sobre processo. Em vez de tentar dar conta de tudo, a aposta está em escolher melhor, aprofundar mais e construir conhecimento de forma coletiva.
TRENDING
- Acidente em show do Super Junior na Coreia do Sul deixa três feridos 06/04/2026
- BTS: o setlist dos sonhos para a turnê mundial ‘ARIRANG’ 06/04/2026
- SUGA, do BTS, revela a verdadeira história por trás de nome artístico 06/04/2026
- Uma grande família chamada Angra 06/04/2026
- Melhor comeback de março: veja quem venceu a votação na Billboard Brasil 07/04/2026