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Política migratória de Trump faz artistas repensarem turnês nos EUA

Reportagem da NPR mostra mudanças de rotas e comportamentos

O candidato à Presidência dos Estados Unidos Donald Trump

Donald Trump, em campanha pela Presidência dos EUA (Go Nakamura/Reuters)

Com um sistema de vistos cada vez mais complexo e o aumento da repressão migratória sob o governo de Donald Trump, artistas internacionais estão cancelando turnês nos Estados Unidos e repensando os riscos de entrar no país. É o que conta a NPR em reportagem especial.

O cantor canadense Bells Larsen, que planejava sua primeira turnê nos EUA após lançar o álbum “Blurring Time”, foi forçado a cancelar os shows após uma nova diretriz do governo americano afirmar que apenas reconhece os sexos “masculino” e “feminino” conforme o registro de nascimento. Artista trans, Larsen já havia atualizado seu passaporte, mas concluiu, com apoio jurídico, que não teria segurança para entrar nos EUA. “É de partir o coração”, disse.

Larsen não está sozinho. Com a intensificação dos controles do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega), músicos como o alemão Alex Bernath e o grupo polonês Trupa Trupa relatam medo, burocracia e insegurança jurídica para se apresentar em solo americano.

Em paralelo, relatos de artistas detidos, deportados ou barrados por críticas ao governo dos EUA — incluindo estudantes, cientistas e músicos — levaram países como Canadá e Alemanha a emitirem alertas de viagem. Até o Rock & Roll Hall of Famer Neil Young, nascido no Canadá, demonstrou preocupação em não conseguir reentrar no país após críticas públicas a Trump. “Se você disser algo contra o presidente, pode ser barrado na entrada”, escreveu em abril.

O processo de visto é caro e demorado: exige um agente patrocinador, dossiê completo de carreira, cartas de recomendação, consulta sindical e entrevista consular. Segundo o advogado Matthew Covey, só o processo pode custar até US$ 10 mil — sem garantia de aprovação.

Mesmo artistas que conseguem o visto correm riscos na fronteira, onde agentes da CBP têm autoridade final para permitir ou negar a entrada, muitas vezes com base em análises de celulares e computadores. Bandas como a britânica Subhumans relataram comprar celulares novos apenas para evitar possíveis confiscações.

Artistas de países da África, América Latina e mundo árabe enfrentam ainda mais barreiras e atrasos. “Você vai aos EUA, se apresenta, mas recebe pizza como cachê e dorme no chão”, resume Covey. “É preciso ter clareza se isso vale mesmo para a sua carreira.”

Apesar dos desafios, alguns músicos insistem. “Minha música também é sobre beleza, e acredito que arte dá esperança”, diz Grzegorz Kwiatkowski, vocalista do Trupa Trupa, que também é pesquisador do Holocausto e residente artístico de Yale.

Para Larsen, o impacto vai além da carreira. “Somos pessoas reais com histórias importantes para contar. Ter que silenciar isso para viajar é devastador.”