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Como um clássico da axé music salvou a vida de Paulo Miklos

'Xibom Bombom', de As Meninas, ganhou até uma recriação no disco do ex-Titã

Paulo Miklos Jorge Daux Divulgacao

O cantor Paulo Miklos (Jorge Daux/ Divulgação)

Em dezembro de 2024, Paulo Miklos foi acometido por uma tosse chatinha. Tentou xarope, remédios e nada. O tal problema, na verdade, eram os primeiros sintomas de uma pneumonia, que o levaram para o hospital. 

O caso era tão grave que o cantor foi parar na UTI da casa de saúde. Quando finalmente foi extubado pelos enfermeiros, Paulo balbuciou algo como “bom bom bom”, para o espanto de sua filha, Manoela Miklos. Ela só foi entender o significado daquele mantra quando viu o pai surgir no programa “Altas Horas”, da Rede Globo, ao lado de Carla Cristina, vocalista do extinto grupo de axé As Meninas. Foi então que ela percebeu que o tal balbucio do pai era… “Xibom Bom Bom”, sucesso de As Meninas de 1999. “Eu também gosto da letra, que fala de desigualdade social”, diz o revitalizado e recuperado Miklos, em entrevista à Billboard Brasil.

“Xibom Bombom” é um dos destaques de “Coisas da Vida”, primeiro trabalho no qual o ex-vocalista dos Titãs assume a sua faceta como intérprete –o disco traz ainda canções de Rita Lee (a faixa-título), Zé Rodrix (“Mestre Jonas”), Paulo Diniz (“Eu Quero Voltar para a Bahia”), Beto Guedes (“O Sal da Terra”) e muitos outros.

A inclusão do axé de As Meninas e “Evidências”, de José Augusto e Paulo Sérgio Valle, que Chitãozinho e Xororó transformaram numa espécie de hino brasileiro do século 21, tem recebido um quinhão (pouco, na verdade) de narizes torcidos porque seriam canções, digamos, “bregas”. O queixume não procede visto que uma das características mais marcantes dos Titãs, antigo grupo de Miklos, era justamente a diversidade musical –presente logo no primeiro single, “Sonífera Ilha”, que era cantada justamente por Miklos.

 Nascido em Perdizes, zona oeste de São Paulo, Miklos perambulou por alguns circuitos musicais antes de se fixar nos Titãs. Um deles foi o Arembepe, grupo de reggae, que tinha entre seus integrantes o cantor Chico Evangelista (1952-2017), considerado um dos pioneiros do reggae no país. “Foi meu primeiro cachê como músico. Fiz um arranjo para eles e criei um som de trombone que fazia um ‘fuóooon’. Foi engraçado o maestro e aqueles músicos de orquestra virem me perguntar o que era o risco que eu tinha feito para mostrar o ‘fuóoon’”, confessa o cantor. 

Miklos passou ainda pela experiência de se apresentar nos tais bares da vida. Um dos projetos foi ao lado de Ciro Pessoa, membro da formação original dos Titãs, que saiu pouco antes da gravação do primeiro disco. Nesses tempos, uma de suas diversões era cantar “Cachorro Babucho”, canção estranhíssima de Walter Franco (1945-2019). “Eu tocava de madrugada, ficava estendendo as notas e muita gente achava que era feito da bebida”, diverte-se. Miklos tentou outra experiência como músico de bar, dessa vez ao lado de Sérgio Britto, que depois seria seu companheiro de Titãs. “A gente ia cantar algumas covers, até coisas dos Beatles. Mas nunca passou dos ensaios”, comenta.

Em meio século de trajetória artística, Paulo Miklos trabalhou com os mais diferentes produtores –de Liminha, que ajudou a moldar o som dos Titãs, a nomes como Pupillo (ex-baterista da Nação Zumbi) e Dudu Marote. “Coisas da Vida” reafirma sua experiência com Rafael Ramos, iniciada em seu disco anterior, “Do Amor Não Vai Sobrar Ninguém”, de 2022. Além disso, conta com os arranjos de Otávio de Moraes, maestro e filho de Chiquinho de Moraes, ex-arranjador dos discos clássicos de Roberto Carlos nos anos 1970. Saiba mais sobre o processo de criação do ex-Titã e de outras curiosidades na entrevista abaixo.