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Cabelo da Tony Country: o que significa expressão da música de Bin Laden

O MC paulista é um trend-setter e sempre lançou moda no funk de São Paulo

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Filosofia chinesa, surf e fluxo: "cabelo da Tonw & Country pra mostrar que é de vilão" (Reprodução/Facebook/Instagram)

Como foi que MC Bin Laden levou o surf e a filosofia chinesa para o fluxo dos bailes paulistas? O hit “Bololo Ha Ha” do MC (agora estrela do “Big Brother Brasil” ou “BBB 24“) é um museu da moda de baile do início da década de 2010. Lançada em 2014, a canção descreve com detalhes a mente (fashion) de um vilão pronto para aloprar nos bailes da Baixada Santista. Além de detalhar com onomatopéias o ronco dos motores no fluxo, a canção, já em seus versos iniciais, explora um visual que o MC tentou emplacar (e emplacou): o cabelo da Town & Country. Ou melhor, da “Tony Country”.

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Um jovem MC Bin Laden, em 2014, portando um yin yang nos dedos e lançando também no cabelo (Reprodução/Facebook)

A história do uso do símbolo de origem no taoismo chinês no mundo pop não é nova. Mas a ligação dele com Bin Laden é inusitada e tem relação com uma marca havaiana de pranchas de surf , a capacidade lírica inesgotável do MC ao conseguir explorar cada detalhe, cada canto dos bailes funks e adaptá-los como crônicas em sua música e, por último, ainda resvala no inimigo público número um da polícia brasileira, o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Town & Country é uma marca havaiana de pranchas e surfwear que popularizou-se no funk paulista por causa de sua logomarca, um símbolo yin e yang adaptado para o surf. Em 1971, a dualidade e o simbolismo chinês encantou o fundador da marca, Craig Sugihara. O equilíbrio do símbolo representava uma necessidade fundamental também no surf.

 

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A marca nunca foi vendida em larga escala no Brasil. Mas ostentando um símbolo comum em muros das periferias de São Paulo, a Town and Country começou a ser vista passeando pelos bailes.

Quarenta e três anos após Craig parafinar suas pranchas no Havaí, a fusão de surf com taoismo começou a fazer, literalmente, a cabeça de jovens que amavam barulho de moto, lanças-perfume, fluxos e passinhos do romano. A meditação, aqui, no caso, era a busca pelo equilíbrio em uma rotina de “vida loka”: trampar/se divertir; ser do fluxo/mas consciente.

 

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Melhor do que comprar uma camisa da T&C, o que os moleques da Baixada Santista fizeram foi estampar aquele yin yang havaiano nos cortes de cabelo. Lançar o corte da “Tony Country” — a marca acabou ficando conhecida pela forma como soava aos ouvidos — virou tendência e, de quebra, ainda fazia referência ao símbolo que é familiar em São Paulo: foi adotado pelo Primeiro Comando da Capital, o PCC, logo em sua criação, como explica a Folha de São Paulo.

A dualidade entre o branco e o preto não ficava só na cabeça. Na mesma “Bololo Ha Ha”, o MC convoca os “iraquianos”, como eram chamados seus fãs, a lançarem uma meia branca e uma meia preta, assim, jogada na canela, que era pra ter o visual de vilão completo.

 

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