Published by Mynd8 under license from Billboard Media, LLC, a subsidiary of Penske Media Corporation.
Publicado pela Mynd8 sob licença da Billboard Media, LLC, uma subsidiária da Penske Media Corporation.
Todos os direitos reservados. By Zwei Arts.

História, política e recordes: o que está por trás de Bad Bunny no Grammy 2026

Artista pode conquistar feito histórico caso leve Álbum do Ano

Bad Bunny

Bad Bunny se consagra no Grammy Latino 2025 (The Grosby Group)

¡Ay Benito! Considerado um dos artistas mais influentes da música latina e global, Bad Bunny roubou os holofotes em 2025. O cantor e compositor lançou o álbum “Debí Tirar Más Fotos”, de 17 faixas, em janeiro do ano passado.

Com ele, levou três troféus no Grammy Latino e agora concorre em seis categorias no Grammy, incluindo as principais Álbum do Ano, Canção do Ano e Gravação do Ano.

Antes mesmo de colocar as mãos num gramofone na premiação que ocorre neste domingo (1º) , o astro porto-riquenho já venceu: ele alcançou feitos históricos para um artista que canta majoritariamente em espanhol e celebra suas raízes na música.

De Porto Rico para o topo do mundo

Nascido em Vega Baja, Porto Rico, Benito Antonio Martínez Ocasio adotou o nome artístico Bad Bunny quando iniciou sua carreira, em 2016. Quase dez anos separam os hits que o projetaram, “Diles” e “Soy Peor”, de seu título como Artista Latino do Século 21 pela Billboard.

O cantor acumulou 16 músicas no topo do Hot Latin Songs e oito álbuns número 1 no Top Latin Albums. Além disso, detém um recorde de 89 músicas entre as dez mais do Hot Latin Songs — mais que o dobro de Enrique Iglesias e Luis Miguel (com 39 cada um) — desde que a parada foi criada em 1986.

+Leia Mais: Bad Bunny lidera lista da Billboard dos maiores latinos

Em seu catálogo, quatro álbuns alcançaram o topo do Billboard 200: “Debí Tirar Más Fotos” (2025), “Nadie Sabe Lo Que Va a Pasar Mañana” (2023), “Un Verano Sin Ti” (2022) e “El Último Tour del Mundo” (2020).

O porto-riquenho também foi eleito por cinco anos consecutivos, de 2020 a 2024, o maior artista latino na Billboard. Não à toa, teve 27 indicações (recorde histórico) no Latin Billboard Awards 2025, vencendo 11 delas, incluindo a de Artista do Ano.

Em 2025, ele também foi o artista mais escutado no mundo no Spotify – pela quarta vez – e “Debí Tirar Más Fotos” se tornou o álbum global mais ouvido no mesmo ano.

História no Grammy

O sucesso de Bad Bunny, um artista latino com letras em espanhol, ao dominar métricas globais em um mercado historicamente cercado por canções em inglês, mostra um sinal de mudança estrutural na indústria. O reconhecimento vai além do sucesso nas plataformas digitais e ganha espaço institucional.

Pela primeira vez na história, um artista cantando em espanhol é indicado simultaneamente nas três categorias mais importantes do Grammy, fazendo a Academia reconhecer e reafirmar a importância crescente da música latina no cenário comercial/mainstream.

A conquista, estampada no nome de Benito, reflete também a carreira de outros artistas latinos e abre espaço para discussão sobre a diversidade linguística e cultural dentro de cenários como a Academia, espaço onde o artista já passou a circular – e dominar.

No Grammy Latino 2025, Bad Bunny teve 12 indicações e levou Álbum do Ano e Melhor Álbum de Música Urbana por “DeBÍ TiRAR MáS FOToS”; Melhor Performance de Reggaeton por “Voy a llevarte pa pr”; e Melhor Canção Urbana e Melhor Performance de Música Urbana por “DTmF”.

Já no Grammy 2025, ele concorre em Álbum do Ano e Melhor Álbum de Música Urbana por “DeBÍ TiRAR MáS FOToS”; Canção do Ano e Gravação do Ano por “DtMF”; e Melhor Performance Musical Global por “EoO”.

Sua presença nas categorias principais do Grammy deste ano abre caminho para um possível recorde histórico na música. Nunca antes na história das premiações um cantor conseguiu vencer a categoria Álbum do Ano no Grammy Latino e no Grammy. Bad Bunny é um forte candidato para conquistar esse feito.

+Leia Mais: Grammy: Bad Bunny pode conquistar feito inédito

Impacto além das premiações

Além do sucesso nas plataformas digitais e nas premiações como artista, Bad Bunny é, acima de tudo, um símbolo de resistência cultural. Ele representa e celebra a identidade dos países da América Latina, e passou a ganhar destaque em debates políticos e sociais.

Em “Debí Tirar Más Fotos”, o artista incomodou setores conservadores por trazer letras sobre a realidade colonial de Porto Rico e referências diretas à desigualdade sob a administração americana. No disco, Bad Bunny reivindica a identidade porto-riquenha e critica o tratamento da ilha como “território de segunda classe”.

Sua escolha como primeiro artista latino solo a ser headliner do show do intervalo no Super Bowl, a prestigiada final da liga de futebol americano (NFL), acontece no momento em que a imigração é pauta sensível no governo atual dos Estados Unidos.

Bad Bunny e outros artistas latinos criticam abertamente a política migratória americana. Desde 2020, ele se tornou uma das vozes mais ativas da diáspora porto-riquenha, usando sua música para abordar desigualdades sociais e o legado colonial dos Estados Unidos. Porto Rico é um território que, embora governado por Washington há mais de um século, não tem direito a voto presidencial.

O próprio presidente Donald Trump chegou a comentar em entrevista sobre a escolha do artista no Super Bowl, dizendo que nunca ouviu falar do cantor e que era uma “escolha louca”. “O Super Bowl deveria celebrar artistas que amam nosso país, não pessoas que o criticam”. Ele também afirmou que não assistirá a apresentação, marcado para 8 de fevereiro de 2026, no Levi’s Stadium, na Califórnia.

Essa será a única apresentação de Bad Bunny nos Estados Unidos. Ele segue em turnê mundial com  56 datas em estádios ao redor do globo, mas afirmou em entrevista à revista “i-D”, que optou por não incluir o país no cronograma devido à possibilidade de ações da polícia anti-imigração nos locais de show. “O ICE poderia estar lá fora. E era algo que nos preocupava muito”, disse.

+Leia Mais: Treta de Bad Bunny e Trump: entenda polêmico Super Bowl 2026

Ultrapassar gigantes do pop em métricas e audiência, redefinir como artistas latinos se inserem em narrativas globais e sustentar discursos de impacto cultural fazem de Bad Banny o nome do momento. E se ele levar o gramofone para casa, se torna um marco para a música latina no mainstream.