MONSTA X no Brasil: microfone ligado e K-pop com sabor brasileiro
Grupo sul-coreano emociona e reforça conexão com o país em show eletrizante

MONSTA X em São Paulo (X/Reprodução)
O MONSTA X se apresentou em São Paulo, na última terça-feira (9), trazendo para a capital paulista o show que marca sua terceira passagem pelo país. O sexteto é formado por Shownu, Joohoney, Kihyun, Hyungwon, Minhyuk e I.M (que está ausente da turnê para cumprir o tempo de alistamento obrigatório no exército) e é um dos nomes de maior destaque da 3ª geração do K-pop, desde o debut em 2015.
O evento ajudou a reviver boas memórias dos shows anteriores (de 2018 e 2019) e deixou promessas para um futuro muito próximo com o público brasileiro: “Fazem 7 anos desde o nosso último show no Brasil e eu garanto que a gente não vai demorar tudo isso para voltar!”, afirmou Kihyun.
Conhecido por sempre exceder as expectativas no quesito artístico, a realidade é que o MONSTA X vem entregando o que promete em cada passagem pelo país. O show da “[THE X: NEXUS]” – que acompanha o primeiro comeback completo em quatro anos com o álbum “THE X”(2025) – trouxe uma sequência de sucessos de várias eras do grupo; clássicos como “Dramarama”, “Shoot Out”, “Alligator” e “LoveKilla” foram o mix perfeito com hits mais recentes, como “Tuscan Leather” e “N the Front” (faixa-título trabalhada em 2026).
“Vocês são lindos!”, provoca Hyungwoon em português, antes da performance de “Beautiful”, sucesso do 1º álbum completo do grupo lançado em 2017.

E com quase três horas de evento – entre performances em grupo, solos impecáveis, vídeos-conceito e trocas emocionantes com o público – o setlist não cobriu nem metade da rica discografia dos 11 anos de estrada do grupo. E isso é um elogio, na mesma proporção que deixa um gosto de “quero mais” de tantas outras músicas que não saem das playlists do MONBEBE [nome dado ao fandom].
O MONSTA X conseguiu transformar a própria memória muscular das coreografias intensas, em uma nova memória afetiva para os fãs. Apesar de não superar em números de audiência os anos anteriores no país, esse show representou a conexão com o Brasil não só no emocional, mas em nível cultural: o rapper Joohoney – também responsável pela co-produção de vários sucessos do grupo – gravou do próprio celular o coro de “eu não vou embora” que ecoava na casa de shows, em certo momento. Ele garantiu que o registro vai ser usado de sample para uma próxima composição, assim que retornar à Coreia do Sul. “[Com essa música] vocês vão ser todos parte do MONSTA X!”, afirma o artista.
+ Leia mais: MONSTA X fala sobre show no Brasil e novo álbum: ‘Honestos e crus’
O tempero brasileiro nas músicas do grupo não é novidade. A faixa “Do What I Want” (2025) utiliza um sample clássico do funk brasileiro, com trechos da música “Tati e as Gulosas”, famosa na coletânea Furacão 2000. A produção mistura os elementos eletrônicos com as acapellas em português, incluindo os icônicos bordões “as novinhas” e “como que ela vai” – ambos cantados a plenos pulmões pelos fãs presentes no show.
O comeback solo de Joohoney, lançado no início do ano, também trouxe a collab com o duo Tropkillaz em uma das faixas de seu segundo álbum solo “INSANITY”, na faixa “Bite”, em que os brasileiros são creditados como arranjadores da música.
“Vocês são icônicos… Papo reto!”, brinca Hyungwoon – ainda em português, em um dos vários momentos em que ele e os outros integrantes fizeram questão de falar a mesma língua que o fandom (literalmente).
Outro destaque da noite vai para as vozes: estabilidade, controle de respiração em meio a energia das performances e harmonias entre os diferentes timbres dos cinco membros presentes no palco – sem deixar de fora a voz do I.M no backtrack, notório por ser dono de um grave envolvente. Claro, esse é o trabalho que se espera de qualquer artista, mas que tem dividido opiniões dentro da cena do K-pop desde a sua criação, já que o gênero sempre apostou em danças complexas, que não deixam muito espaço para o vocal no ao vivo.
Mas o MONSTA X mostrou, mais uma vez, que a perfeição tão presente na cultura de idol da indústria do K-pop não precisa escolher entre voz e coreografia, e nem recorrer a excesso de autotune e I.A para ser bom. E essa é a relevância que supera qualquer tendência momentânea: no final do dia, o microfone ligado nunca vai sair da trend.

“Eu estou até agora chocado que vocês cantaram a parte do (sample de) Funk de Do What I Want (…) Só o Brasil poderia entregar isso”, afirma Joohoney.
Conhecer verdadeiramente seu público e garantir a fidelidade de uma audiência que aguarda pacientemente durante anos para a próxima turnê atravessar o globo é um feito que poucos grupos de K-Pop tem a oportunidade de alcançar. O show brasileiro da “[THE X: NEXUS]” chancelou que idols que conseguem unir a senioridade, com talento bem lapidado por mais de uma década de estrada e conexão genuína com a própria arte resultam na melhor experiência para quem consome, e ama, o seu trabalho.
“Nós fomos muito felizes hoje”, afirma Shownu (líder do grupo), ao fim do seu discurso. E não poderíamos concordar mais.
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