Mestre Ciça: a trajetória do comandante que virou enredo campeão na Sapucaí
Com 55 anos de Carnaval, Moacyr Silva Pinto celebrou título da Viradouro

Mestre Ciça durante desfile da Viradouro, campeã do Carnaval do RJ 2026 (Mauro PIMENTEL / AFP)
Moacyr Silva Pinto, o Mestre Ciça, fez história nesta quarta-feira (18) ao conquistar o título do Carnaval do Rio de Janeiro 2026 com a Unidos do Viradouro.
A vitória marca um momento singular na história da Sapucaí: Ciça foi, simultaneamente, o tema do enredo “Pra Cima, Ciça” e o comandante da bateria que embalou a própria homenagem na avenida.
Aos 69 anos, Ciça acumula cinco décadas de vivência no samba. Sua trajetória teve início em 1971, como passista na Unidos de São Carlos, escola onde também atuou como ritmista tocando agogô. Antes de se dedicar integralmente à música, o mestre trabalhou como mecânico de automóveis. A
pós um breve afastamento entre 1977 e 1986, retornou ao Carnaval e, em 1988, assumiu pela primeira vez o posto de mestre de bateria na Estácio de Sá, onde conquistou seu primeiro título do Grupo Especial em 1992.
O enredo da Viradouro em 2026 não se limitou ao aspecto afetivo, apresentando uma narrativa sobre disciplina e liderança.
O desfile retratou passagens do mestre por agremiações como União da Ilha, Grande Rio e Unidos da Tijuca, além de celebrar os campeonatos vencidos por ele na própria escola de Niterói em 2020 e 2024. Atualmente, ele é considerado o mestre de bateria mais longevo em atividade, somando cerca de 40 anos na função.
Viradouro campeão do Carnaval do RJ 2026
A escola de Niterói levou para a avenida o enredo “Pra Cima, Ciça”, uma homenagem direta à trajetória de Moacyr Silva Pinto, o Mestre Ciça, figura central das baterias cariocas.
O desfile, que ocorreu na madrugada de terça-feira (17), consistiu em um tributo em vida ao mestre de bateria, destacando sua inovação técnica e as décadas de serviço prestadas à folia.
Este é o quarto título da Viradouro. A escola também foi campeã do grupo especial em 1997, 2020 e 2024.
Em 2025, foi à avenida com o enredo “Malunguinho: o mensageiro de três mundos”, sobre a entidade afro-indígena, e conquistou o quarto lugar.
A vitória de 2026 interrompe a busca pelo bicampeonato da Beija-Flor de Nilópolis.
Ouça “Pra Cima, Ciça!”, samba-enredo do Viradouro 2026
Viradouro: veja letra do samba-enredo campeão:
Se eu for morrer de amor, que seja no samba
Sou Viradouro, onde a arte o consagrou
Não esperamos a saudade pra cantar
Do mestre dos mestres, herdei o tambor
(Se eu for morrer de amor) se for morrer de amor, que seja no samba
Sou Viradouro, onde a arte o consagrou
Não esperamos a saudade pra cantar
Do mestre dos mestres, herdei o tambor
(Eu vi, eu vi) eu vi a vida pulsar como fosse canção
Milhões de compassos pra eternizar
Em cada batida do meu coração (do meu coração)
O som que reflete o seu batucar
(Foi lá) lá, onde o samba fez berço, do alto do morro
Um menino orgulha Ismael, bicho novo
(Forjado nas garras) forjado nas garras do velho leão
(Contam, contam) contam no largo do Estácio
O destino em seu passo (o destino em seu passo)
Que fez, pouco a pouco, uma chama acender
Traz surdo, tarol e repique pro mestre reger
Quando o apito ressoa, parece magia
Num trem caipira, no olhar da baiana
Medalha de ouro, suingue perfeito
Que marca no peito da escola de samba
Quando o apito ressoa, parece magia (parece magia)
Num trem caipira (num trem caipira), no olhar da baiana (no olhar da baiana)
Medalha de ouro, suingue perfeito
Que marca no peito da escola de samba
Se a vida é um enredo, desfilou outros amores
Maestro fez do couro sinfonia
Na ousadia dos seus tambores
(Alô, meu mestre Ciça!)
Peça perfeita pra me completar
Feiticeiro das evocações
Atabaque mandou te chamar
Pra macumba jogar poeira
No alto, vai resistir a caixa de Moacyr
Legado do mestre Caveira
(Ó, sou eu, sou eu) sou eu mais um batuqueiro a pulsar por você (a pulsar por você)
Ciça, gratidão pelas lições que eu pude aprender
(E hoje, e hoje) e, hoje, aos teus pés
Somos todos um nessa avenida
(Num furacão) num furacão que nunca vai ter fim
Nossa história não encontra despedida
Se eu for morrer de amor, que seja no samba
Sou Viradouro, onde a arte o consagrou
Não esperamos a saudade pra cantar
Do mestre dos mestres, herdei o tambor
Se eu for morrer de amor (se eu for morrer de amor), que seja no samba
Sou Viradouro (sou Viradouro), onde a arte o consagrou
Não esperamos a saudade pra cantar
Do mestre dos mestres, herdei o tambor
(Ah, eu vi) eu vi a vida pulsar como fosse canção
Milhões de compassos pra eternizar (pra eternizar)
Em cada batida do meu coração (do meu coração)
O som que reflete o seu batucar
(Lá, foi lá) lá, onde o samba fez berço, do alto do morro
Um menino orgulha Ismael, bicho novo
Forjado nas garras do velho leão
(Contam, contam, contam) contam no largo do Estácio
O destino em seu passo
(Que fez, pouco a pouco) que fez, pouco a pouco, uma chama acender
(Traz surdo, tarol e repique pro mestre reger) traz surdo, tarol e repique pro mestre reger
(Ô) quando o apito ressoa, parece magia
Num trem caipira, no olhar da baiana
Medalha de ouro, suingue perfeito
Que marca no peito da escola de samba
Quando o apito ressoa, parece magia
Num trem caipira (num trem caipira), no olhar da baiana (no olhar da baiana)
Medalha de ouro (medalha de ouro), suingue perfeito
Que marca no peito da escola de samba
Se a vida é um enredo, (desfilou, desfilou) desfilou outros amores
(Agora o maestro) maestro fez do couro sinfonia (fez do couro sinfonia)
Na ousadia dos seus tambores
(Peça perfeita) peça perfeita pra me completar
Feiticeiro das evocações (oi, oi, oi)
Atabaque mandou te chamar
Pra macumba jogar poeira
No alto, vai resistir a caixa de Moacyr
Legado do mestre Caveira
(Sou eu, sou eu, sou eu) sou eu mais um batuqueiro a pulsar por você
Ciça, gratidão pelas lições que eu pude aprender
E, hoje, aos teus pés
Somos todos um nessa avenida
(Num furacão) num furacão que nunca vai ter fim
Nossa história não encontra despedida
(Se eu for morrer de amor) se for morrer de amor, que seja no samba
Sou Viradouro, onde a arte o consagrou (onde a arte o consagrou)
Não esperamos a saudade pra cantar
Do mestre dos mestres, herdei o tambor
(Se eu for, se eu for morrer de amor) se eu for morrer de amor, que seja no samba (que seja no samba)
Sou Viradouro, onde a arte o consagrou
Não esperamos a saudade pra cantar
Do mestre dos mestres, herdei o tambor
Do mestre dos mestres, herdei o tambor
Do mestre dos mestres, herdei o tambor
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