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Mad in Brazza em São Paulo: o que esperar dos shows brasileiros

WIU, Yunk Vino, Alee, L7NNON, Kayblack e outros nomes ocupam o Novo Anhangabaú

L7NNON, atração do Mad in Brazza em São Paulo

L7NNON (AS FOTOS DE JOÃO / Estar Comunicação/Divulgação)

O Mad in Brazza estreia em São Paulo no dia 9 de agosto, um domingo, no Novo Anhangabaú. Depois de quatro edições realizadas no Paraná, o festival chega à capital paulista com Ty Dolla $ign no topo do cartaz e uma programação concentrada em rap, trap e funk. A abertura dos portões está marcada para as 13h.

A lista divulgada pela organização reúne nomes brasileiros de diferentes frentes da música urbana, entre eles WIU, Yunk Vino, Alee, L7NNON, Kayblack, Vulgo FK, 2ZDinizz, Derek, DJ Arana, MC Kako, Soh Lopez e Amabbi. A programação também inclui o canadense RealestK, além da atração principal norte-americana.

Mais do que acompanhar sucessos isolados, o público encontrará artistas apresentando projetos recentes, novas configurações de palco e repertórios que mostram a aproximação cada vez maior entre trap, funk, R&B e música eletrônica. Veja abaixo o que esperar dos principais shows brasileiros do Mad in Brazza em São Paulo.

WIU leva hits e a nova fase de “Colapso Global”

O show de WIU deve reunir duas fases importantes de sua carreira. De um lado, estão músicas que ajudaram a ampliar seu público, como “Coração de Gelo”, “Felina” e “Vidigal”. Do outro, aparece o repertório de “Colapso Global”, álbum colaborativo lançado com Teto em janeiro de 2026. O projeto ganhou um espetáculo próprio, pensado como uma experiência visual e sonora ligada ao universo da 30PRAUM.

Como Teto não integra o anúncio mais recente da edição paulistana, a expectativa é que WIU adapte as músicas do disco para um formato solo. “ISSO AQUI É BRASIL”, usada pelos dois artistas para encerrar o show no Festival de Verão de Salvador, é uma das faixas que podem funcionar como ponto alto da apresentação.

Yunk Vino transforma o palco em extensão de “MR.”

Yunk Vino chega ao festival durante a turnê de “MR.”, seu primeiro álbum de estúdio. Lançado em março, o trabalho foi desenvolvido durante cerca de dois anos e marcou uma etapa mais estruturada de sua discografia, sem abandonar os flows e as atmosferas que construíram sua base de fãs.

A “MR. Tour” começou em julho, em São Paulo, com participações de Veigh, Duquesa, Kyan e outros convidados. No Mad in Brazza, o formato deve ser mais compacto, combinando as músicas do álbum com faixas anteriores. A apresentação tende a privilegiar graves, transições contínuas e a estética noturna que acompanha o trabalho do rapper.

Alee equilibra a intensidade de “CAOS” com o trap soul

Alee encerrou em 2025 o ciclo de “CAOS” com uma edição deluxe de 24 faixas e participações de Filipe Ret, MC Cabelinho, Leviano e Klisman. Músicas como “Passado de um Vilão”, “Tempo do Ouro”, “Party” e “Tudo de Novo” devem continuar ocupando parte importante do repertório.

Em 2026, porém, o baiano abriu outra frente com “PARA: TODAS QUE FINGI AMAR”, álbum colaborativo com Klisman orientado pelo trap soul e pelo R&B. A combinação permite que o show alterne momentos mais agressivos com faixas melódicas, sem perder a ligação de Alee com a musicalidade de Salvador.

L7NNON deve apostar em repertório amplo e participações

L7NNON é um dos artistas com catálogo mais abrangente do evento. Seu repertório atravessa rap, funk e canções de apelo pop, característica que permite montar um show com mudanças rápidas de andamento e músicas reconhecidas por públicos diferentes.

Em abril, o rapper apresentou com Papatinho e a Orquestra Novo Traço o projeto “Cordas e Batidas”, que levou suas músicas para arranjos orquestrais. No Mad in Brazza, a tendência é outra: bases mais diretas, sucessos concentrados e espaço para possíveis convidados, formato frequente em suas apresentações em festivais.

Kayblack chega depois de atingir 1 bilhão de streams

Kayblack alcançou em junho a marca de 1 bilhão de reproduções no Spotify com o EP “Contradições”, lançado em 2023. O projeto tornou-se o primeiro EP de trap brasileiro a atingir o número na plataforma, impulsionado por músicas que consolidaram o lado melódico do artista.

O repertório recente também inclui o álbum “A Cara do Enquadro”, lançado em 2025 com participações de KL Jay, MC Hariel, Kyan e LPT Zlatan. Assim, o show pode alternar letras confessionais, faixas românticas e músicas construídas para grandes públicos. “Melhor Só”, “Cartão Black”, “Preferida” e “Segredo” aparecem entre as escolhas recorrentes de suas apresentações.

Mad in Brazza: Vulgo FK representa o encontro entre funk e trap

Vulgo FK construiu parte de sua projeção com o álbum “Perdas e Ganhos” e sucessos como “Ballena”, faixa que chegou ao grupo das dez músicas mais ouvidas do país. Seu show costuma explorar a fronteira entre trap, funk e melodias românticas, com refrões que funcionam bem em apresentações de festival.

A presença de Kayblack no mesmo evento abre espaço para encontros e participações, embora o festival ainda não tenha anunciado como os shows serão organizados. Os dois já dividiram grandes programações e pertencem a uma geração que aproximou de vez o trap das dinâmicas do funk paulista.

2ZDinizz combina rima, samba e referências religiosas

O show de 2ZDinizz deve trazer um dos contrastes mais claros da programação. Em vez de concentrar a apresentação apenas nos códigos sonoros do trap, o rapper incorpora influências de samba e valoriza a escrita e a interpretação das letras.

O repertório deve ser baseado principalmente em “Patrono”, álbum que ultrapassou 100 milhões de streams e associa a formação do artista no rap à sua fé. Em sua apresentação no Lollapalooza Brasil 2026, 2ZDinizz priorizou justamente as músicas do disco e um formato centrado nas rimas.

Derek apresenta a fase conceitual de “ARꓘANO”

Derek leva ao Mad in Brazza a experiência acumulada desde a Recayd Mob e um repertório atualizado pelo álbum “ARꓘANO”. Lançado em abril, o disco tem 16 faixas e participações de Jorge Vercillo, Jade Baraldo, Klisman, Marks e outros artistas.

O rapper descreve sua performance atual como mais intensa por causa da trajetória com o coletivo, período em que se apresentou no Brasil e no exterior. No palco, músicas de “ARꓘANO” devem dividir espaço com faixas de “Trap The Fato” e registros ligados à história da Recayd.

DJ Arana amplia o mandelão com música eletrônica

DJ Arana chega ao festival poucos dias depois de lançar “Mobile”, álbum produzido inteiramente pelo celular. O trabalho reúne 11 músicas e parte do funk mandelão para explorar psytrance, tech house, hard techno e drum & bass.

Essa mistura pode transformar sua apresentação em um dos momentos mais voltados à pista. “Mulher Violino”, escolhida como faixa principal do disco, resume a nova fase, baseada em batidas mais aceleradas e transições entre funk e eletrônica.

MC Kako aproxima funk, rap e rock dos anos 2000

MC Kako representa a vertente do funk que dá maior espaço à composição e à narrativa. O artista cita Marcelo D2, RZO, Chico Science e Charlie Brown Jr. entre suas referências, influências perceptíveis no flow e na montagem visual dos shows.

Ao mesmo tempo, seu catálogo inclui músicas de forte circulação no streaming, como “A Danada Me Ligando”, colaboração com MC Tuto e MC Cebezinho que entrou nas paradas brasileiras. A apresentação deve equilibrar faixas reflexivas e músicas de resposta imediata do público.

Soh Lopez e Amabbi ampliam a presença feminina

Soh Lopez integra a nova geração do trap paulista e ganhou projeção recente com sua participação no “The Box Medley 13”. Em julho, a artista lançou “VIDA”, dando continuidade a um repertório marcado por flows incisivos e letras sobre ambição, autonomia e as experiências de mulheres dentro da cena.

Amabbi oferece outro registro. A cantora da zona norte de São Paulo transita entre trap, R&B, soul, samba e pagode, usando uma formação vocal iniciada ainda no coral da igreja. Em março, lançou o álbum “Crisálida”, formado por 13 músicas e centrado em seu amadurecimento artístico.

As duas apresentações ajudam a evitar que a programação brasileira fique restrita às vozes masculinas já estabelecidas. Também mostram caminhos diferentes para a nova geração: Soh Lopez parte de um trap mais direto, enquanto Amabbi aposta em melodias e cruzamentos com o R&B.

Serviço: Mad in Brazza São Paulo 2026

Data: 9 de agosto de 2026, domingo
Abertura dos portões: 13h
Local: Novo Anhangabaú
Endereço: Avenida São João e Rua Formosa, Centro Histórico de São Paulo
Classificação: 18 anos
Ingressos: Bilheteria Digital
Atração principal: Ty Dolla $ign
Artistas brasileiros anunciados: WIU, Yunk Vino, Alee, L7NNON, Kayblack, Vulgo FK, 2ZDinizz, Derek, DJ Arana, MC Kako, Soh Lopez e Amabbi.