O K-pop conquistou o mundo – por que ainda não ganhou o Grammy?
Rosé, do BLACKPINK, e ‘Guerreiras do K-pop’ receberam indicações históricas

Guerreiras do K-pop (Divulgação/ Netflix)
A história dos últimos 15 anos da música popular não pode ser contada sem um foco significativo na ascensão do pop coreano, que avançou do patamar de uma indústria poderosa, mas isolada para uma megaforça global.
Começando com o ultraviral “Gangnam Style”, do PSY, no início da década de 2010, e crescendo com o estrelato cada vez maior de grupos como BTS e BLACKPINK (e os projetos solo de seus respectivos membros) na última década, o K-pop evoluiu nos Estados Unidos, saindo do que era um fandom de nicho para uma parte importante do cenário pop, com músicas e álbuns no topo das paradas, turnês em estádios com ingressos esgotados e milhões de fãs devotados. Mas o que ainda falta para que o K-pop chegue ao pódio das premiações nos Estados Unidos? Representatividade significativa na “noite mais importante da música”.
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Nos últimos anos, a Academia de Gravação priorizou a expansão do alcance global do Grammy, com novas categorias, como Melhor Performance Musical Africana (introduzida em 2024) e Música Mexicana (renomeada de Melhor Álbum de Música Regional Mexicana em 2024, após sua introdução em 2012), refletindo a crescente presença nos EUA de seus respectivos gêneros na década de 2020.

Mas mesmo com essa inclinação para a inclusão global, o K-pop – que aparece regularmente nas paradas da Billboard há uma década – ainda não tem sua própria categoria no Grammy.
“Tivemos muitas conversas sobre uma categoria de K-pop, na verdade”, diz o CEO da Academia de Gravação, Harvey Mason Jr., para a Billboard. “Temos conversas sobre isso ao longo dos anos e, obviamente, a música é tão predominante, tão impactante, e está ressoando globalmente agora.”
Mason afirma, porém, que o maior desafio em estabelecer tal categoria é garantir, primeiro, que os membros da Academia tenham a estrutura necessária para sustentá-la.
“Imagine se adicionássemos uma categoria para um gênero musical e não tivéssemos membros suficientes para avaliar essa música, seria um desastre não só para nós, mas para o gênero, porque seria representado incorretamente, não seria preciso nem teria resultados relevantes”, explica.
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Para isso, a Academia tem buscado a comunidade pop coreana nos últimos anos para garantir que sua representação continue a crescer dentro da instituição. “Temos trabalhado muito entre a comunidade criativa e a comunidade executiva em torno do K-pop“, afirma.
“Precisamos continuar a alcançar essa comunidade e garantir que as pessoas que estão criando, escrevendo, produzindo e cantando sejam membros da nossa organização para podermos acertar, acertar as definições da categoria e acertar o que compõe a categoria.”

Parte da dificuldade nesses acertos pode estar no fato de simplesmente definir “K-pop” como um gênero distinto, em vez de um termo genérico para artistas coreanos que fazem música popular.
Em um artigo da Billboard de 2021 sobre as possibilidades de uma categoria K-pop ser adicionada ao Grammy, o então diretor de premiações da Academia, Bill Freimuth, defendeu que o gênero, multifacetado, deveria ser contemplado nas categorias pop preexistentes. “O que ouvimos da comunidade é que eles consideram o que estão criando como [simplesmente] música pop”, explicou ele.
Esse artigo também identificou o volume de inscrições como um problema, já que a Academia recebeu apenas 14 inscrições de K-pop para a cerimônia daquele ano, constituindo menos de 1,5% do total de inscrições na área pop – muito menos do que a Academia precisa receber para uma área que está considerando dedicar uma categoria inteira.
Jeremy Erlich – fundador da empresa ALTA Music Group, que conta com a estrela solo do BLACKPINK, Jennie, entre seus clientes – vê o risco de uma potencial categoria de K-pop se tornar “o lugar onde você coloca tudo [daquele mundo] naquela categoria”.
Ele aponta para Bad Bunny, superstar que conquistou o Grammy apenas uma vez (até agora), apesar de sua indicação ao prêmio de Álbum do Ano em 2023, nas categorias Pop Latino e Música Urbana. “Se você olhar para Bad Bunny, ele não quer ser o maior astro latino. Ele quer ser o maior astro. E ele merece o direito [de ter essa oportunidade no Grammy].” A música pop coreana tem sido pouco reconhecida nas categorias pop ou geral do Grammy.
O BTS fez história no início desta década com três indicações consecutivas na categoria de Melhor Performance de Duo/Grupo Pop – por “Dynamite” (2021), “Butter” (2022) e “My Universe” (2023), parceria com o Coldplay, sendo que essa última também rendeu ao septeto uma indicação de álbum do ano como parte do disco do Coldplay “Music of the Spheres”. Essas foram as primeiras indicações ao Grammy que artistas pop coreanos receberam. Eles perderam em todas.
No último ano, a exposição do K-pop nos Estados Unidos também explodiu graças à colaboração de Rosé e Bruno Mars em “APT.”, que chegou ao topo da Billboard Global 200; ao sucesso que Rosé e suas colegas de grupo do BLACKPINK Lisa e Jennie alcançaram com seus respectivos álbuns solo na Billboard 200; e, em particular, ao enorme fenômeno de “Guerreiras do K-pop”, o musical animado de super-heroínas da Netflix ambientado em um universo K-pop fictício.

A trilha sonora do filme, lançado em junho, alcançou o topo da Billboard 200, com o grande sucesso, “Golden” – creditado a HUNTR/X, o grupo fictício da animação, dublado pelas artistas coreanas EJAE, Audrey Nuna e Rei Ami – que está no topo do Hot 100 há mais de 20 semanas. A faixa recebeu indicações em cinco categorias no Grammy 2026.
Com esses sucessos, o gênero pôde presenciar avanços no Grammy: Rosé, do BLACKPINK, foi indicada em três categorias, sendo duas delas principais: Canção do Ano, Gravação do Ano e Melhor Performance de Duo/Grupo Pop, com “APT.”. “Golden” recebeu indicações em cinco categorias no Grammy 2026.
“Vemos o respeito [pelo K-pop] crescendo exponencialmente na última década”, diz Torsten Ingvaldsen, executivo independente de A&R que trabalha para conectar artistas americanos e coreanos. “Vimos tudo isso se encaixar em ‘Guerreiras’, isso mostra o que o estilo de vida em torno do K-pop pode alcançar.”
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União de forças
Além de conquistar cada vez mais fãs nos Estados Unidos a cada ano, o cruzamento de artistas ocidentais com artistas coreanos também aumentou significativamente, resultando em colaborações de renome e interculturais entre Jung Kook e Latto ou Lisa com RAYE e Doja Cat.
Além disso, escritores, produtores e outras figuras dos bastidores da indústria musical americana se unindo a estrelas pop coreanas se tornou cada vez mais comum. Amanda Hill, codiretora de criação da editora Runner Music, trabalhou com criativos americanos que colaboraram com os criadores de sucessos do K-pop Lisa e TXT em projetos recentes, e o cofundador da Runner e estrela do OneRepublic, Ryan Tedder, se uniu à superpotência da gravadora K-pop HYBE para formar e treinar um novo grupo masculino global.
“Acho que a indústria musical coreana fez um ótimo trabalho se apresentando por aqui, aprendendo sobre todos os compositores e organizando sessões interessantes”, diz Hill.
Ela explica que, embora o K-pop tenha uma presença antiga na indústria fonográfica americana, os verdadeiros influenciadores só recentemente começaram a se destacar nos Estados Unidos: “Eu diria que nos últimos três ou quatro anos, a indústria musical coreana tem passado mais tempo em Los Angeles — onde, antes disso, parecia mais apenas relacionamentos por e-mail.”
E o futuro?
Apesar das indicações de “APT.” e “Golden” ao Grammy 2026, o público levanta discussões sobre a Academia reavaliar se o K-pop deve ter sua própria categoria para garantir sua representação na premiação. Em última análise, para que uma categoria seja adicionada, um ou mais membros da Academia podem ter que liderar o movimento.
“Acho que seria preciso alguém, qualquer um que estivesse torcendo por isso no quadro do Grammy”, sugere Hill. “Sei que a categoria de compositor do ano [introduzida em 2023] demorou muito [para ser adicionada], mas foi defendida por algumas pessoas que estavam no Conselho e trabalharam muito para que isso acontecesse. Então, acho que [uma categoria de K-pop] precisaria de um grupo comprometido de pessoas para se fazerem ouvir.”
À medida que a globalização da música pop se espalha, Hill também se pergunta se adicionar uma categoria de K-pop não seria, em última análise, sonhar alto o suficiente – sugerindo que uma nova categoria poderia ser criada para abranger toda a música pop asiática, incluindo japonesa e chinesa, em vez de ser “específica de K-pop”. “Há muitas coisas acontecendo em diferentes países, e acho que essa seria uma categoria mais inclusiva”, diz ela.
“Estamos em uma era em que boa música vem de todos os lugares… você só precisa estar aberto e ouvir música de todo o mundo. Você nunca sabe de onde virá em seguida.”
[Esta matéria foi publicada na edição de 4 de outubro de 2025 da Billboard nos Estados Unidos e teve alterações após a divulgação dos indicados ao Grammy 2026. Leia o texto original, em inglês, aqui].

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