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Jorge Drexler celebra tambor que une o Uruguai ao Brasil

Jorge Drexler (Manuel Velez/Divulgação)

Jorge Drexler (Manuel Velez/Divulgação)

Em entrevista exclusiva à Billboard Brasil, o cantor e compositor Jorge Drexler abriu o coração sobre a fase de maior reconexão com suas raízes. Além de detalhar a criação de seu novo álbum, “Taracá”, ele explicou como buscou na própria essência a inspiração para este trabalho.

Nesse sentido, o artista destacou a influência profunda da morte de seus pais em sua visão de mundo. Drexler sentiu a necessidade de se reconectar com o Uruguai após completar 60 anos.

“Quando você deixa de ser filho e passa a ser o pai, isso cria mudanças profundas no sistema emocional. Senti a necessidade de me reconectar após a morte dos meus pais. Foi uma mistura de acontecimentos pessoais que me levou de volta”, revela o músico.

Apesar de uma trajetória de três décadas consagrada por um Oscar e 16 Latin Grammys, a conexão com as raízes continua sendo um dos pilares de sua obra.

“Eu sou uruguaio; vivi a primeira metade da minha vida no Uruguai e a segunda na Espanha. Fui para lá faz 30 anos, mas nunca deixei de viajar para o Uruguai ao menos três vezes por ano. Tenho toda a minha família lá”, afirma o cantor.

Este novo trabalho celebra a herança de Eduardo Mateo, a filosofia de Gonzaguinha e a sensibilidade poética que sempre ignora fronteiras.

O músico mantém uma ligação musical e afetiva profunda com o Brasil. Ele aponta o violão de João Gilberto como seu norte técnico. No entanto, ele descobriu em casa como aplicar essa sofisticação à sua própria língua.

“No Uruguai, o disco que me ensinou que isso poderia ser feito com a nossa linguagem foi “Mateo Solo Bien Se Lame”, de Eduardo Mateo. Ele foi um pioneiro mundial. É um disco com uma sonoridade super original que me influenciou definitivamente”, revela.

Ouça “Mateo Solo Bien Se Lame”, de Eduardo Mateo

As raízes e o ritmo de Taracá

O músico apresenta agora o seu novo álbum de estúdio, “Taracá”. O disco funciona como um ponto de encontro entre gerações. O projeto nasceu da necessidade de se reconectar com suas origens após a morte de seus pais.

Drexler sentiu uma mudança de papel dentro da própria família. O título da obra é uma onomatopeia que emula o som do tambor chico. Esse instrumento representa a base fundamental do candombe uruguaio.

Para o artista, o ritmo funciona como uma âncora existencial. “O Chico é a coluna vertebral; ele não improvisa, é fixo e meditativo. Ele mantém os outros tambores no lugar. É um tambor que te obriga a estar no presente”, explica.

Essa busca pelo aqui e agora o trouxe de volta ao Brasil em uma releitura emocionante. No álbum, ele transforma o hino “O Que É, O Que É?”, de Gonzaguinha, em um candombe. A faixa une o Rio de Janeiro a Montevidéu.

O compositor vivencia essa conexão pessoalmente em suas visitas aos redutos do samba carioca. Ele frequenta lugares como o Samba do Trabalhador e o Renascença Clube. Nessas rodas, a obra do mestre brasileiro sempre ecoa.

“É uma música celebratória e de uma reflexão filosófica profunda. Quis levar isso para o público que fala espanhol. Fiz uma adaptação da letra e transformei o samba em candombe para tornar a música realmente nossa”, detalha o músico.

Veja Jorge Drexler feat. Rueda de Candombe – ¿Qué será que es?

Parcerias e identidades em movimento

“Taracá” é um projeto plural e aberto ao diálogo. O disco traz colaborações que vão da rapper Young Miko à murga (gênero de teatro musical) de Falta y Resto. Além disso, o álbum conta com o talento de Américo Young e Ángeles Toledano.

Essa facilidade em transitar por diferentes mundos remete ao histórico do cantor com o cinema. Ao relembrar sua vitória no Oscar com “Al Otro Lado del Río“, ele destaca o apoio fundamental do país vizinho.

O filme “Diários de Motocicleta”, dirigido por Walter Salles, transformou aquele prêmio em uma conquista coletiva. O público brasileiro vibrou com a vitória como se fosse sua. Drexler recorda com carinho daquela noite especial.

“Subi ao palco para receber o prêmio das mãos do Prince. Como não fora convidado para cantar, usei meus 20 segundos de discurso para cantá-la à capela. Foi a resposta mais sutil e um toque de atenção para quem devia ouvir”, relembra.

Veja o momento emocionante de Prince entregando o Oscar para Jorge Drexler

Turnê mundial e o retorno ao Brasil em 2026

O compositor retorna ao Brasil em maio de 2026 com a turnê de lançamento de “Taracá”. O público pode esperar um espetáculo muito mais físico e percussivo. A nova banda traz uma energia jovem e expansiva ao palco.

Drexler montou um grupo que preza pela diversidade e pelo equilíbrio. O palco contará com oito músicos, sendo quatro homens e quatro mulheres. Muitos deles realizam sua primeira turnê internacional ao lado do uruguaio.

“O show está centrado na área percussiva e é muito forte. Diferente dos shows anteriores, onde a audiência ficava sentada, este é um show para ver de pé. Estou muito orgulhoso dessa energia”, conta o artista.

Os fãs em Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre presenciarão esse amálgama cultural. Drexler mora na Espanha, mas mantém o coração batendo no ritmo uruguaio e da alma brasileira. O álbum já está disponível em todas as plataformas.

Serviço – Jorge Drexler no show de lançamento de “Taracá”

CURITIBA
Data: 21 de maio de 2026 (quinta-feira)
Local: Teatro Positivo, no Festival Coolritiba
Endereço: Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza 5300, Campo Comprido – Curitiba (PR)
Horário: 21h30
Classificação etária: livre
Ingressos: a partir de R$ 180 no site Eventim

SÃO PAULO
Data: 23 de maio de 2026 (sábado)
Local: Espaço Unimed
Endereço: Rua Tagipuru 795, Barra Funda – São Paulo (SP)
Horário: 22h
Classificação etária: 18 anos
Ingressos: a partir de R$ 140 no site Eventim

RIO DE JANEIRO
Data: 27 de maio de 2026 (quarta-feira)
Local: Circo Voador
Endereço: Rua dos Arcos s/nº, Lapa – Rio de Janeiro (RJ)
Horário: 20h
Classificação etária: 18 anos
Ingressos: a partir de R$ 195 no site Eventim

PORTO ALEGRE
Datas: 29 e 30 de maio de 2026 (sexta-feira e sábado)
Local: Auditório Araújo Vianna
Endereço: Parque Farroupilha 685, Farroupilha – Porto Alegre (RS)
Horário: 21h
Classificação etária: 16 anos
Ingressos: a partir de R$ 160 no site Eventim

Ouça “Taracá”, de Jorge Drexler