Published by Mynd8 under license from Billboard Media, LLC, a subsidiary of Penske Media Corporation.
Publicado pela Mynd8 sob licença da Billboard Media, LLC, uma subsidiária da Penske Media Corporation.
Todos os direitos reservados. By Zwei Arts.

OFERECIDO POR

Ivete abre o coração sobre o amor por cantar e a relação de cura com os fãs

Ivete Sangalo (Divulgação)

Ivete Sangalo (Divulgação)

Com mais de 20 milhões de discos vendidos e um catálogo que já ultrapassa 1,5 bilhão de streams no Spotify, ganhadora quatro vezes do Grammy Latino e recordista de prêmios Multishow, Ivete Sangalo se consolida a cada ano como uma das artistas mais consistentes e relevantes da música brasileira. Todo Carnaval, uma música sua (ou mais) toma o país inteiro reafirmando sua capacidade de conectar clássicos do repertório com sucessos contemporâneos.

Em 2026, é a vez de “Vampirinha”, faixa divertida de duplo sentido cuja letra e a coreografia tomaram a boca e a mente do povo e que concorreu fortemente ao título de hit da folia deste ano. Duplo sentido, aliás, é elemento clássico na obra carnavalesca de Veveta. Quem não se lembra da uva de “Céu da Boca” (2007) ou da merenda de “Lobo Mau” (2011)? “‘Vampirinha’ é uma música que mexe com a fantasia, com o lúdico e com a pirraça”, avalia Ivete em entrevista à Billboard Brasil. “O propósito é tirar a gente desse lugar sério e levar para o sarcasmo, para a brincadeira. O Carnaval é o ambiente mais fértil para isso acontecer.”

E, mesmo após tantos anos de carreira, Ivete ainda se vê experimentando situações inéditas. Figura central e indispensável da folia em Salvador, Mainha estreou em 2026 no Carnaval de rua de São Paulo e do Rio de Janeiro. Na capital fluminense, no dia 1º de fevereiro, a Riotur contou meio milhão de pessoas aos seus pés. “Viver essa ideia do Carnaval em lugares que antes eu nunca tinha vivido tem me trazido muitíssimas emoções, a exemplo do Rio. Foi além do que eu imaginava ser.”

Ivete ainda deu uma passada por Pernambuco para o Olinda Beer, antes de retornar para a capital baiana, onde comanda há 24 anos o tradicional Bloco da Coruja e ainda se apresenta em diversos eventos, como o Camarote Villa. Estender o trabalho para além das fronteiras da Bahia pode exigir um preparo a mais, mas Ivete conta que cuidar da voz e do corpo é um compromisso contínuo. “Meu corpo e minha cabeça são a minha prioridade. Não é algo que faço só no Carnaval. É uma manutenção de todo o ano. Seria irresponsável eu só atribuir ao meu corpo esse movimento de saúde quando ele está submetido a esse tipo de maratona”, explica. “Preparo durante todo o ano. E isso envolve a voz, envolve fisicamente o corpo e o emocional. Meu corpo e minha cabeça são a minha prioridade, porque, além de me manter viva, saudável e lúcida, quando eu convoco o meu corpo, seja no movimento ou na voz, ele aparece. Esse é o meu modo de vida.”

Menina dos olhos

Até porque Ivete nem diminui o ritmo quando a folia acaba. Em 2026, ela volta aos palcos com o projeto Clareou, que celebra o samba na sua trajetória pessoal e artística. A turnê reestreia em abril, em Florianópolis, e viaja o Brasil com novas apresentações. “Esse projeto foi uma das coisas mais incríveis de 2025. Estou muito feliz em poder continuar com ele e com um número maior de cidades agora. Vai ser uma retomada de ano muito positiva”, comemora.

capa2

O São João, em junho, também está nos planos de Veveta. “Tenho alguns projetos de música em mente, mas estou degustando uma coisa por vez, porque não há necessidade de tanta ansiedade. O Clareou tem sido a menina dos olhos da minha vida.”

Seja no Carnaval ou nos palcos mundo afora, Ivete abraça sucessos que atravessam seus mais de 30 anos de carreira. Hits da época da Banda Eva, como “Eva” e “Me Abraça”, seguem presentes no setlist em clima de nostalgia. Ivete não fala em saudade, mas em gratidão. “Essas músicas mexem muito comigo porque contam sobre um momento em que esse sonho estava sendo construído. É um contexto de amor e de memórias afetivas muito intenso. Quando eu canto essas músicas, é uma maneira de reiterar a minha gratidão a esse tempo”, diz, emocionada. E reflete que a sensação a respeito do começo da carreira é de nostalgia, não de saudade. “Tenho uma memória maravilhosa desse tempo, mas o que eu vivo hoje tem tanta potência que não abre espaço para saudade. Eu sou muito bem cuidada pelo público. Está tudo correndo do jeito que tem que ser.”

A troca com o público é o eixo central de sua carreira. Ivete corrige qualquer tentativa de hierarquizar essa relação: “O público não é parte do espetáculo, é o espetáculo. Não tenho como fazer meu trabalho se não tiver a participação das pessoas. Minha história necessita do público. Os fãs me salvaram inúmeras vezes. Não só no palco, mas ao me ajudar a acreditar no que eu estou fazendo, como em momentos de muita delicadeza pessoal. Essa resposta me fortaleceu e fez com que eu ficasse grandona.”

A artista começou no axé e hoje transita com naturalidade entre pop, samba e outros gêneros. Ivete conta que esse movimento não foi estratégia. “A música e as relações entre artistas e fãs transcendem essa tentativa de controlar os rótulos”, avalia. “Na verdade, não temos controle de nada. Especialmente das sensações. Não criei uma expectativa de sair de bolhas e transcender aquilo tudo, como também nunca imaginei que seria limitada a uma única coisa.”Seu único desejo é que a música continue provocando efeitos transformadores na vidado seu público. “A arte não é uma conta tão exata. A música e o entretenimento são feitos de viver o momento.”

O exato prazer de cantar

O que é exato desde sempre é o prazer que Ivete tem de cantar. “Hoje, mais do que nunca, estou cada vez mais ávida por cantar e por estar com as pessoas”, diz Ivete. “O prazer de cantar não é determinado por números, por tempo ou popularidade. Eu canto no elevador. Eu gosto de cantar.”

Apesar da essência e a entrega serem as mesmas, ela reconhece que a artista que sobe ao palco hoje não é a mesma de décadas atrás.“Sou firme nos meus propósitos. Eu sigo uma trilha importante. Claro, dentro desse caminho, as paisagens mudam. É como se fosse uma estrada, não saio dela, mas os cenários mudam. Chegam filhos, novos projetos e aprendizados. Lições dentro da alegria ou da dor”, filosofa. “Nunca subo no palco para entregar pela metade. Quero sempre o meu melhor show, meu máximo. Eu fico feliz em não perder isso.”

Consagrada como uma das maiores artistas da música brasileira, Ivete dispensa modéstia ao avaliar o lugar do país no cenário internacional. “A nossa música é a melhor do mundo, sempre foi. É a mais rica harmonicamente, com melodias sofisticadas, ritmos completamente particulares, maneira de interpretar e de compor, músicos excepcionais”, avalia.“Cada região do país tem uma história para contar. Tem muita poesia na dor e na alegria. Sempre que o resto do mundo tem contato [com a música brasileira] é uma catarse”.

Ao falar do futuro, Ivete responde sobre o próprio legado com a mesma liberdade que orienta sua trajetória: “Quero ser lembrada como cada pessoa quiser — pelas memórias, pelas conexões que construímos através da música. O que desejo já faço em vida.” Essa presença se reflete num repertório que atravessa gerações e num Carnaval que não cansa de cantar seu nome.