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Fontaines D.C. anuncia novo álbum ‘Dopamine Chamber’

Banda lança single 'Marianne'; disco chega dia 16 de outubro

Fontaines D.C.(Reprodução/Elizaveta Porodina)

Fontaines D.C (Reprodução/Elizaveta Porodina)

Fontaines D.C. anunciou que seu quinto álbum de estúdio, “Dopamine Chamber”, será lançado no dia 16 de outubro. A novidade chega acompanhada do primeiro single, “Marianne”, já disponível em todas as plataformas digitais.

Uma introdução arrebatadora ao álbum, “Marianne” se desenrola como cortinas de veludo vermelho em um decadente teatro italiano, evocando tetos altos e uma elegância em decomposição. Inspirada, em parte, pela série de suspense “Ripley” (2024), a faixa fala sobre escapismo e hedonismo, funcionando como um chamado de sereia que oferece ao ouvinte uma fuga da, ou em direção à, perdição.

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Ao longo da letra, o vocalista Grian Chatten convida o ouvinte a segui-lo rumo ao desaparecimento, enquanto o arranjo reluz ao seu redor.

Por trás da sedução, porém, há uma questão mais difícil: até que ponto alguém estaria disposto a abrir mão da própria imaginação, quando a alternativa é permanecer plenamente consciente diante da catástrofe?

O single também ganha um videoclipe dirigido por Dave Meyers, o arquiteto visual por trás de “HUMBLE.”, de Kendrick Lamar, e “SICKO MODE”, de Travis Scott.

Estrelado pelo próprio Grian Chatten, o vídeo é alucinatório, refletindo perfeitamente os sentimentos e a atmosfera do single.

“Dopamine Chamber” chega como uma constelação por trás de ondulantes suspiros de fumaça: baladas intensas e melodias grandiosas brilhando através da névoa.

Em um mundo à beira do colapso, o álbum questiona como o prazer se transforma diante do perigo e o que a busca por ele revela sobre nós. Ao longo do disco, Fontaines D.C., formado por Grian Chatten, Carlos O’Connell, Conor Curley, Conor Deegan e Tom Coll, transitam entre gratificação e apreensão até que os dois sentimentos se fundem, refletindo a sobrecarga provocada pela inteligência artificial, pelo colapso ambiental e pela violência política, todos circulando pelos mesmos algoritmos que memes, piadas e a cultura das celebridades.

“O próprio álbum é uma câmara de dopamina”, diz Chatten. “Você entra nela e nós testamos em você essas diferentes peças musicais capazes de alterar a mente ou o humor.”

Enquanto “Romance” mantinha suas tensões em equilíbrio, o novo trabalho inclina a balança.

“Acho que Romance talvez fosse 60% humano e 40% corrompido pela automação e por uma perda de sensibilidade”, diz Chatten, que passou um período entre a grandeza decadente de Veneza, Viena e Sicília em busca de inspiração para as letras.

“Este parece mais 60% corrompido, a máscara está vestindo o rosto um pouco mais.”

O vocalista resistiu a qualquer impulso em direção a um otimismo fácil. “Achei que seria mais poderoso deixar a esperança de fora e refletir a feiura de forma honesta. Este precisava soar mais como um alerta catastrófico.”

“Nossos álbuns sempre questionaram uma sensação de pertencimento a um lugar”, diz o baixista Conor Deegan.

“Primeiro, Dublin; depois, estar longe de Dublin; e então tentar encontrar o romance em outro lugar. Neste disco, a pergunta passou a ser: para onde você foge?” Talvez para dentro de si mesmo, ou para o hedonismo, a fantasia, a perfeição cosmética, a juventude eterna ou a atualização infinita de uma tela.

Ao longo de cinco álbuns, o Fontaines D.C. se recusou a repetir a si mesmo, de “Dogrel” (2019) e “A Hero’s Death” (2020) ao número 1 “Skinty Fia” (2022) e ao anárquico e caleidoscópico “Romance” (2024).

“Dopamine Chamber” representa a mudança mais radical da banda até agora: sintetizadores de timbres frios, baterias pulsantes, samples e triggers, diversas músicas sem guitarra alguma e as cordas envolventes do pop italiano dos anos 1960 transformadas em algo sintético.

Para o guitarrista Conor Curley, o objetivo era romper com os próprios pontos de referência da banda. “Eu estava tentando encontrar coisas que apontassem para o futuro.”

O álbum foi produzido com James Ford entre Londres, o interior da Inglaterra e Palermo, onde Chatten gravou os vocais em uma cabine improvisada, construída com colchões e almofadas.

“Há uma sensação comovente de que estamos à beira de algum outro tipo de humanidade, ou não humanidade”, diz Chatten.

Escute os sucessos de Fontaines D.C.