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Veja o que FBC prepara para show no Lollapalooza 2026

Ele contou como prepara a participação no festival à Rolling Stone

O rapper, ativista e também ator Fabrício Soares, o FBC durante cena do curta 'Assaltos e Batidas' (Renan R1G)

O rapper, ativista e também ator Fabrício Soares, o FBC durante cena do curta 'Assaltos e Batidas' (Renan R1G)

O rapper mineiro FBC se prepara para um momento decisivo em sua trajetória no próximo domingo (22). Sua apresentação no Lollapalooza Brasil não é apenas um show, mas uma celebração histórica que encerra a turnê do disco “Assaltos e Batidas”, lançado em 2025.

No festival, o show acontece às 19h05, no palco Flying Fish, com banda completa. O artista prometeu transformar o palco em uma retrospectiva de seus 20 anos de estrada. Em entrevista à Rolling Stone Brasil, ele adiantou que o público pode esperar canções que não aparecem nos repertórios ao vivo há muito tempo, resgatando toda a sua história no rap.

O significado político de ocupar o Lollapalooza

Para ele, ocupar o line-up de um festival desse porte é uma vitória política e cultural. O objetivo é fazer com que a música eletrônica de favela e a cultura periférica quebrem as barreiras que ainda persistem na indústria fonográfica do país.

“Na conjuntura atual do Brasil e do mundo, uma pessoa que nunca abandonou a veia política, ocupar um lugar assim, poder falar, cantar, mostrar meu trabalho, desenvolver um raciocínio ali com aquele tanto de gente, pô, isso, pra mim, é histórico.”

A evolução sonora e o novo álbum de rock

O encerramento desta fase marca o início de um novo ciclo artístico. Em abril de 2026, ele lançará seu próximo álbum de estúdio, reafirmando sua habilidade de transitar entre diferentes estéticas musicais com total domínio técnico e criativo.

Nascido Fabrício Soares Teixeira, o rapper é natural de Belo Horizonte e sempre desafiou rótulos. Ele estreou com o trap em “S.C.A” (2018) e conquistou o país com “BAILE” (2021), disco que resgatou o Miami Bass e as batidas dos anos 80.

A exploração sonora continuou em “O Amor, O Perdão e A Tecnologia Irão Nos Levar Para Outro Planeta” (2023). Já em 2025, ele retornou às raízes com “Assaltos e Batidas”, um projeto profundamente político que dialogou com intelectuais como Ian Neves e Jones Manoel.

Radicalização política e estudos

Sobre esse trabalho anterior, o artista destacou que se dedicou mais aos estudos nesses dois anos do que em toda a sua vida. Para ele, ser radical significa ir na raiz dos problemas, algo que refletiu em sua música e posicionamento.

“Radical, para mim, é ir na raiz das coisas, né? Eu acredito que pra ser radical tem que ter estudo. Eu me dediquei muito mais nesses dois anos aos estudos do que dediquei a minha vida toda”, afirmou o músico à Rolling Stone Brasil.

O novo projeto, que deve se chamar “Os Porcos Vem Aí”, será focado no rock. A produção é assinada por BAKA, músico mineiro que já trabalhou com Gaby Amarantos e com o grupo Rosa Neon, trazendo a agressividade necessária para o gênero.

Referências históricas e mentoria na cena

O disco terá influências das décadas de 80, 90 e início dos anos 2000. Faixas como “Guilhotina Neles” e “Canudos”, que faz referência ao livro “A Guerra de Canudos”, já tiveram trechos revelados, mantendo o tom crítico e social.

Além da carreira solo, ele atua como mentor no estúdio Xeque-Mate. Recentemente, produziu o álbum “Segue o Baile” da artista Mac Júlia, que estourou com o hit “Se Tá Solteira”, e colaborou com o músico Pepito no single “Para Não”.

O rapper também direciona carreiras de nomes como Abbot, Luar, Mabi e Marcel Tofani, este último ligado ao coletivo de Djonga.