Homenagem à Marrom: exposição ‘Com Amor, Alcione’ chega a São Paulo
Mostra celebra 50 anos da cantora; estreia está marcada em 11 de julho

Alcione em Copacabana (Roberto Filho/Brazil News)
No dia 11 de julho, o Museu das Favelas abre suas portas para a exposição “Com Amor, Alcione”. A mostra celebra mais de cinco décadas de estrada de uma das vozes mais emblemáticas da música popular brasileira. O evento chega a São Paulo após registrar enorme sucesso de público em sua passagem pelo Maranhão, firmando o espaço paulista como um centro essencial de preservação da memória negra periférica.
A própria cantora expressou grande entusiasmo com a oportunidade de apresentar sua trajetória para o público de São Paulo. Para Alcione, ocupar esse local representa um momento de forte conexão com seus admiradores paulistas.
“É uma honra ter a minha vida e obra ocupando o Museu das Favelas. O nome, por si só, já revela a grandiosidade dessa instituição, que estou ansiosa para conhecer. Espero que o público goste e venha conhecer a história desta Marrom aqui, que tem uma gratidão imensa pelo povo de São Paulo. Nos vemos em breve”
O público terá acesso a um rico acervo que ultrapassa a marca de 650 peças individuais. A seleção traz registros fotográficos raros com grandes ícones da nossa cultura, gravações em vídeo, troféus históricos e vestuários marcantes que acompanharam a artista nos palcos. O circuito vai além de uma simples organização por datas, focando na construção da imagem pública e afetiva da cantora, com temas dedicados aos laços familiares, espiritualidade e sua relação com as escolas de samba. A jornada ganha reflexões importantes com visões de nomes como Leci Brandão, Nei Lopes e Leonardo Bruno.
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O impacto cultural da exposição ‘Com Amor, Alcione’
A diretora da instituição cultural, Natália Cunha, reforça que o acolhimento do projeto fortalece o papel do museu em resgatar relatos cruciais sobre a diversidade brasileira. Ela aponta que a obra construída pela intérprete une diferentes regiões e realidades periféricas.
“Receber ‘Com Amor, Alcione’ no Museu das Favelas é reconhecer uma artista cuja trajetória ajuda a compreender a formação cultural do Brasil. Ao longo de mais de cinco décadas, Alcione construiu uma obra marcada por encontros entre territórios, memórias e identidades que dialogam diretamente com as histórias que preservamos e compartilhamos aqui. Esta exposição reafirma o Museu como um espaço de celebração e valorização de legados fundamentais para a construção da nossa memória coletiva.”
O projeto ganha uma novidade feita sob medida para a temporada em São Paulo, que coloca em evidência a vida das populações migrantes. Essa nova ala destaca como esses grupos ajudaram a moldar as transformações culturais e urbanas da metrópole. A organização dos conteúdos ficou sob a responsabilidade de Deyla Rabelo, Gabriel Gutierrez e Luciana Gondim, somada à colaboração de Jairo Malta no planejamento institucional. O foco principal está em destacar a presença negra e as heranças vindas do Nordeste.
De acordo com Gabriel Gutierrez, que dirige o Centro Cultural Vale Maranhão e atua como curador do evento, a itinerância serve para diminuir distâncias geográficas que historicamente isolam certas regiões brasileiras.
“Fazer a ponte São Paulo–Maranhão é quebrar mais uma barreira histórica do isolamento do Norte e Nordeste do país. Alcione fez isso quando migrou para o Sudeste e transformou a cultura nacional. Esperamos que essa itinerância dedicada à artista amplie a percepção dos visitantes sobre a construção da cultura brasileira, reconhecendo sempre a contribuição do pensamento popular, principalmente afro-indígena, nesse percurso. A exposição é um grande viva a todos que, como Alcione, inventaram e continuam inventando nosso país a partir das margens”
O diretor-geral do Instituto de Desenvolvimento e Gestão, Ricardo Piquet, conclui dizendo que as mostras artísticas desempenham uma função vital para o entendimento da nossa ancestralidade.
“Receber a exposição no Museu das Favelas é afirmar a potência das instituições culturais como espaços de reconhecimento, memória e construção simbólica. A trajetória de Alcione atravessa música, território, ancestralidade, carnaval, fé e pertencimento, compondo uma leitura profunda sobre o Brasil. Para o idg, que tem atuado na consolidação de museus conectados aos desafios e às identidades do nosso tempo, esta exposição amplia o lugar das narrativas negras, nordestinas e periféricas na compreensão da nossa identidade coletiva.”
Serviço: Exposição: ‘Com Amor, Alcione’
- Abertura: 10 de julho de 2026
- Em cartaz até: 6 de dezembro de 2026
- Local: Museu das Favelas (Largo Páteo do Colégio, 148, Centro Histórico de São Paulo – SP)
- Visitação: Terça a domingo, das 10h às 17h (permanência até as 18h).
- Entrada: Gratuita
- Ingressos: Disponíveis para retirada antecipada via Sympla ou diretamente na recepção do Museu (sujeito à lotação)
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