Entrevista: JBACH revela como compõe músicas com o Stray Kids
Compositor participou de 'DO IT' e 'Like It'
Vencedor do Grammy, JBACH conquistou de vez o mundo do K-pop com suas composições de sucesso. Nascido em Detroit, nos Estados Unidos, o compositor colaborou com singles “DO IT”, do Stray Kids, e “Spaghetti”, do LE SSERAFIM.
As duas canções se destacaram nos charts da Billboard e nas plataformas de streaming nos últimos meses.
“Quando componho para diferentes gêneros e artistas, acho importante ouvir a discografia das pessoas para quem quero escrever, para entender o que define o som delas”, conta JBACH para a Billboard Brasil.
“Isso ajuda a saber o que funciona e o que não funciona para elas, e aí fica mais fácil ter ideias criativas sobre o que elas poderiam fazer a seguir e ainda não tentaram. Depois disso, é fácil se adaptar”.
“No fundo, as pessoas adoram refrões cativantes, então, como compositor, estou sempre tentando encontrar um refrão específico que prenda a atenção das pessoas, que as conecte.”
“Descobrir o que é um refrão para um artista ou gênero específico pode ser feito de maneiras diferentes, mas sempre se resume à mesma essência”, explica.
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Além de “DO IT”, o artista também está creditado como compositor em “Like It”, faixa do álbum “ATE” do Stray Kids.
“Meu Deus, meus meninos! Nós amamos 3RACHA aqui em casa!”, declara. “Geralmente, começamos conversando, ouvindo músicas até decidirmos uma direção, e então eles participam de todo o processo, do conceito às melodias, letras e produção. Eles têm uma noção ótima do próprio som, o que facilita muito compor com eles, e estão super dispostos a experimentar novos sons, o que é muito divertido porque me dá a oportunidade de pensar em coisas novas para nós testarmos.”
Com seus trabalhos, ele acumula mais de 3,7 bilhões de streams em mais de 60 lançamentos. JBACH começou a carreira sob mentoria de Pharrell Williams e já trabalhou com Anitta no aclamado álbum “Funk Generation”.
“Eu sou completamente obcecado pela Anitta. Ela é uma estrela e dá para perceber isso no instante em que ela entra na sala”, elogia o produtor.
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“Meu querido amigo Jesse Saint John me levou para passar uns dias com ela e seus produtores (GORKY, Maffalda, Zebu) e nós literalmente só conversamos, dançamos, nos divertimos muito e eu aprendi tanto sobre música e cultura brasileira.”
“Tenho muito orgulho dela, aquele álbum nos rendeu uma indicação ao Grammy! Também sou apaixonada pela Luísa Sonza e pelo Pabllo Vitar, já escrevi para as duas divas, então fiquem ligados. E claro, a rainha Mulher Melancia! ‘Velocidade 6’ é a minha música favorita.”
JBACH é um americano de origem caldeia/iraquiana de primeira geração e o primeiro em sua comunidade a alcançar sucesso na música.
“Eu definitivamente adoro trazer um pouco da essência árabe para os meus discos. Cresci ouvindo música árabe (Nancy Ajram, Sherine, Nawal Al Zoghbi) e acho que o mundo está mais do que pronto para esse som no pop, e eu adoro incluir minhas pequenas referências árabes”, diz.

“Os caldeus (cristãos iraquianos) também são muito trabalhadores; nossas famílias vieram do Iraque e tiveram que construir suas vidas nos Estados Unidos, então sinto que grande parte da minha ética de trabalho está enraizada na minha cultura. Às vezes, faço três sessões por dia em alguma coisa com temática caldeia.”
Questionado sobre o maior desafio da carreira até agora, JBACH diz que o início da trajetória foi desafiador.
“Acho que acreditar em mim mesmo antes de ter qualquer resultado concreto foi muito difícil. Eu estava sem dinheiro, aceitando qualquer trabalho que encontrasse em Los Angeles, e pensava em desistir com frequência, mas continuei aparecendo em todas as sessões que aceitavam e fui progredindo aos poucos”.
“É fácil se manter na música depois que você começa a ganhar dinheiro; o difícil é superar o maior obstáculo, que é persistir o suficiente para ter uma chance real de sucesso.”
“A coisa mais valiosa que aprendi ao longo dos anos foi parar de questionar tudo e simplesmente confiar no meu gosto. Já me questionei se minhas ideias eram legais o suficiente para compartilhar, se eu era legal, e se eu tivesse uma ideia que ninguém gostasse, etc., mas você precisa se libertar disso.”
“A maneira como você precisa agir é partindo do princípio de que você pertence a qualquer lugar que esteja e que, se você realmente gosta de uma ideia, ela é incrível. Seu gosto é, claro, único, mas representa muitas pessoas, e se você perder essa confiança no seu gosto, você se perde. Isso funciona para a vida também: quando você silencia aquela voz na sua cabeça, você realmente consegue estar presente e intencional em tudo o que faz, e todos vão te achar incrível por isso.”









