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Encontro de gerações com Marcelo Falcão

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Sarah Oliveira abraça Falcão na gravação do Çorona Luau MTV' (Rafa Leforte/Billboard BR)

Marcelo Falcão é um velho conhecido do “Corona Luau MTV”. Com sua antiga banda, O Rappa, o vocalista carioca participou de duas edições do programa, em 2000 e 2004. Vinte anos depois, já em carreira solo, ele retorna para uma parceria inédita na nova temporada da atração. O cantor de 51 anos se juntou ao rapper L7nnon, de 30, para um show que promete misturar gerações e unir estilos musicais diferentes.

Nesta entrevista, realizada nas areias da Praia do Preá (CE), onde a atração foi gravada, ele reflete sobre a carreira de três décadas, conta mais detalhes da preparação para o “Luau” e revela qual é a sua fórmula secreta para seguir popular entre o público jovem: “Me sinto um pouco o tiozão da galera, mas no bom sentido”.

O que significa para você voltar ao palco do “Corona Luau MTV”, agora numa versão renovada?
Me sinto honrado e feliz de estar aqui junto a essa geração com a qual me identifico muito. O L7nnon é um cara que considero um talento que se destaca, um grande parceiro. Fiz uma música com ele, uma parada feita com muito amor. É essa vibe de poder trazer o violão de novo, esse frescor. E estar no Ceará revivendo isso é demais.

Billboard Brasil: Como foi a sua parceria inédita com L7?
O que vocês prepararam para o “Corona Luau MTV”? Cara, vou te contar que a experiência no estúdio [durante os ensaios] foi incrível. Um momento bacana de gerações diferentes se encontrando, com uma admiração mútua. A gente buscou criar um formato que fizesse o público se sentir como se estivesse ali, junto com a gente, curtindo a vibe do lugar. Esse é o clima que queremos passar com o “Luau”, intimista e acústico. O violão, que é meu melhor amigo, se encaixa perfeitamente nesse estilo e ajuda muito a criar essa conexão.

Fale um pouquinho mais sobre o violão, o seu “melhor amigo”…
Pois é, cara. Estava há um tempão sem tocar tanto, mas acabei de finalizar umas músicas novas, e isso me fez relembrar como é bom tocar com a minha banda. E agora, ainda mais tocando com o L7nnon, eu me sinto um pouco o tiozão da galera, mas no bom sentido [risos]. A música traz essa generosidade, e ele é um cara especial para mim, admiro muito o som dele.

Como foi a construção desse show com o diretor musical Daniel Ganjaman? O que os fãs podem esperar?
O Ganja é um amigo de longa data. A gente tem uma admiração mútua, e ele é um cara que entende muito bem essa onda do acústico, do “Luau”. A gente tem a banda completa para brincar, para tocar de verdade, sabe? Eu amo beats, mas ter a banda ali é outra coisa, dá para brincar, declamar. E com o Ganja envolvido, sempre tem aquele swingão, aquele grave. É uma interação que flui muito bem.

A juventude sempre esteve ligada à sua música. Qual o segredo para continuar conversando com esse público?
É fazer algo que você sente que está conectado com o mundo atual, sem forçar a barra. Eu gosto de tudo, de 808 a caixa, ao bumbo, ao contratempo. Sou colecionador de vinil, então estou sempre conectado. Recentemente, o Cabelinho tatuou uma música minha, e no meu disco tem o Orochi, o Major RD, todos fazendo referências e homenagens. É uma admiração mútua, uma conexão que ultrapassa gerações. Ter essa interação é o segredo, a gente troca ideias e cria juntos.

Como você encara esse processo de aprendizado contínuo, mesmo sendo referência para tantos e diversos artistas?
Estou sempre aprendendo, cara. Tenho meus ídolos, mestres que admiro, e acho incrível sentar e tocar com essa nova geração, sentir a vibe deles. No estúdio, eu sempre tento estar aberto para novas experiências.

Pensando naquele “Luau” do Rappa em 2004, o que mudou no Falcão como artista 20 anos depois?
Mudou a percepção de que tudo é possível, basta querer. Vivi muito tempo com a fórmula do Rappa, mas agora posso mostrar minha individualidade. A evolução é contínua. Sempre vejo o palco como um lugar sagrado. Quando você entra, tem que dar tudo de si. É um processo de amadureci- mento constante.

O mercado da música mudou radicalmente com a internet. Como você vê essa transformação? Mudou para melhor ou pior?
A tecnologia trouxe muita coisa boa, não dá para negar. Tudo evoluiu: melhores equipamentos, melhores possibilidades. O desafio é se adaptar e usar essas ferramentas para continuar fazendo música de coração. Eu acredito que, no fim das contas, a essência é o que conta. Se você mantém a verdade no que faz, a conexão com o público continua forte.

É verdade que você vai lançar uma canção inédita do Chorão?
Tive acesso ao acervo dele graças ao Xande, o filho do Chorão, que eu considero quase um afilhado. No dia do enterro, o Xande me entregou a carteira de músico do pai dele, como um gesto de carinho. Era uma forma de manter viva a memória de alguém que eu admirava muito. Nós tínhamos personalidades fortes, eu do Rio, ele de Santos, aquele amor e ódio típicos. Com o tempo, o Xande me deu o direito de explorar os arquivos do Chorão. Não ouvi tudo, claro, mas tive a chance de resgatar um take quase completo de uma música que ele estava desenvolvendo. Eu já tinha uma ideia e consegui conectar tudo, criando uma faixa que tem um pouco de mim e dele. Chamei o Liminha para fazer a mixagem, e ele topou na hora. O estúdio acabou virando uma festa, sabe? Reunir os amigos, conversar, criar. É assim que as melhores ideias surgem.