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Em último baile de Neguinho, Beija-Flor faz tributo a Laíla e emociona Sapucaí

Desfile relembra carnavais icônicos e celebra a trajetória do lendário diretor

beijaflor

Neguinho da Beija-Flor durante desfile (Reuters)

Desde o esquenta da bateria, a noite da Beija-Flor de Nilópolis foi marcada pela emoção. No ano em que Neguinho da Beija-Flor anunciou sua aposentadoria da Marquês de Sapucaí, os componentes já choravam a saída do maior intérprete da história da escola da Baixada Fluminense antes mesmo de o desfile começar.

Neste segundo dia do Grupo Especial, o cantor de 75 anos pegou o microfone e avisou que a despedida de verdade “será no Sábado das Campeãs”.

E não poderia haver enredo melhor para o último baile de Neguinho: a Beija-Flor levou à avenida uma ode a Laíla (1943-2021), lendário diretor de Carnaval que conquistou muitos títulos pela agremiação.

Ele fez história na escola nilopolitana ao lado do cantor e do carnavalesco Joãosinho Trinta durante décadas. O trio participou carnavais inesquecíveis, como o icônico “Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia”.

O 'Cristo mendixgo' da Beija-Flor em 1989 (Wikimedia Commons)
O carro ‘Cristo mendigo’ fazia parte do enredo ‘Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia’da Beija-Flor, em 1989 (Wikimedia Commons)

Um dos mais polêmicos da histórica, o desfile de 1989 foi lembrado com um tripé que levava o famoso “Cristo censurado” e também com uma ala de mendigos. Alguns décimos, no entanto, podem ser descontados pelos jurados porque a faixa erguida pela imagem religiosa estava enrolada, impedindo leitura.

Em 2025, Beija-Flor recria estátua de Jesus proibida (redes sociais)
Em 2025, Beija-Flor recria estátua de Jesus proibida (redes sociais)

A religiosidade de Laíla também foi muito abordada pelo carnavalesco João Vitor Araújo. Orixá do sambista, Xangô foi representado pela comissão de frente e também no abre-alas. No primeiro carro, as cores da escola deram lugar ao vermelho e branco, mais associados à entidade afrobrasileira. O sincretismo do diretor de Carnaval também foi lembrado, com seus muitos amuletos ganhando espaço no desfile.

Empolgada pela homenagem a um griô e pelo momento especial de seu intérprete, a escola passou pela Marquês de Sapucaí com a habitual garra, o que era uma prioridade do exigente Laíla.

Como morreu durante os tempos de pandemia, o sambista não teve direito a um “gurufim”, um velório onde canta-se e bebe-se a vida do falecido. Para muitos dali, o desfile foi o gurufim perfeito para um gigante do Carnaval.