Dia do Carimbó: Pinduca e Eliana Pittman se apresentam juntos no Festival Psica
Festival acontece em Belém nos dias 11 a 13 de dezembro

Dia do Carimbó (Divulgação)
Quando o carimbó ainda enfrentava resistência nos salões de Belém, Pinduca ajudou a transformar o ritmo ao incorporar a guitarra à sua sonoridade, enquanto Eliana Pittman levou canções do artista para novos públicos na América Latina e na Europa.
Nesta quarta-feira (26), é celebrado o Dia do Carimbó, e as trajetórias dos dois ajudam a contar como uma expressão cultural nascida no Pará conquistou espaço na música brasileira.
Em dezembro, Pinduca e Eliana Pittman se apresentam juntos pela primeira vez no Festival Psica, realizado entre os dias 11 a 13, em Belém.
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A data que celebra o carimbó homenageia o nascimento de Mestre Verequete, cantor e compositor que ajudou a levar o ritmo do litoral paraense até Belém à frente do grupo Uirapuru da Amazônia.
Reunindo música e dança em torno do curimbó, tambor tradicionalmente produzido a partir de um tronco escavado, o carimbó carrega influências indígenas, africanas e ibéricas e foi reconhecido pelo Iphan como Patrimônio Cultural do Brasil em 2014.
No Festival Psica, realizado em Belém, o gênero ocupa um espaço permanente na programação e é tratado como uma das bases da música produzida na Amazônia.
Para a organização do evento, compreender o carimbó também significa entender parte da origem de sonoridades como a guitarrada, a lambada e o tecnobrega.
“A gente entende que o carimbó é a base da música paraense, a célula fundamental, a origem de tudo: da guitarrada, da lambada, do tecnobrega. Não tem como pensar o Psica sem envolver carimbó”, afirma Jeft Dias, diretor e curador do festival.

Às vésperas de completar 90 anos, Pinduca soma mais de 40 discos lançados e segue nos palcos.
Nascido em 1937, em Igarapé-Miri, no interior do Pará, Aurino Quirino Gonçalves construiu uma trajetória decisiva para levar o carimbó das festas populares aos discos, às rádios, à televisão e aos grandes palcos do país.
O caminho, porém, esteve longe de ser imediato.
Antes de ser consagrado como Rei do Carimbó, o músico enfrentou a rejeição de parte da sociedade urbana de Belém. Em uma ocasião, chegou a ser avisado pela direção de um clube de que não deveria tocar o gênero.
Em outra, insistiu em se apresentar diante de um salão acostumado ao twist, mesmo sob vaias e protestos.
A resistência também acompanhou sua decisão de modificar a sonoridade tradicional do carimbó.
Pinduca incorporou guitarra, contrabaixo, teclado e instrumentos de sopro ao ritmo que conheceu no interior do Pará, aproximando-o das influências caribenhas que chegavam à região pelas ondas de rádios estrangeiras.
“Quando eu fui aprovado pela gravadora para gravar, falei logo que ia gravar o carimbó moderno, com guitarra, contrabaixo, teclado, pistão, sax e trombone. A minha proposta foi modernizar o carimbó”, conta o artista.
A aposta deu resultado. A gravadora havia condicionado a gravação de um segundo disco à venda de duas mil cópias do primeiro, mas, segundo Pinduca, o álbum chegou a 20 mil unidades.
A partir dali, o carimbó passou a ganhar espaço em rádios de diferentes regiões do Brasil. Em 2025, a obra do cantor foi declarada Patrimônio Cultural e Artístico de Natureza Imaterial do Estado do Pará.
Do Pará para o mundo
A ligação entre Pinduca e Eliana Pittman começou de forma inesperada, com um disco tocando em uma praia de São Luís, no Maranhão.
Ao encontrar um grupo de jovens dançando, a cantora ouviu pela primeira vez duas palavras que ainda desconhecia: carimbó e Pinduca.
Ela comprou o LP e, ao retornar ao Rio de Janeiro, procurou a gravadora para conseguir autorização para gravar músicas do artista paraense. “Sinhá Pureza”, “Carimbó no Mato” e “Mistura de Carimbó” passaram, então, a integrar seu repertório.
Carioca, Eliana iniciou a carreira ainda jovem ao lado do saxofonista norte-americano Booker Pittman, seu padrasto e primeiro professor de música. Formada artisticamente entre o jazz, a bossa nova e o samba, ela encontrou no carimbó uma nova dimensão de sua identidade como intérprete.
“O carimbó veio para sedimentar tudo isso na minha vida como artista brasileira, com uma música autenticamente brasileira, que é o carimbó, o ritmo brasileiro”, afirma.
A cantora levou esse repertório para além das fronteiras brasileiras. Eliana fez dez temporadas consecutivas na Venezuela e apresentou o carimbó em países como México, Canadá, Portugal, Espanha, Alemanha, Itália e Suécia.
Pinduca atribui à intérprete um papel importante na circulação internacional do gênero. “Eu, Marapanim e o estado do Pará devemos muito a ela, porque ela deu o pontapé fora do Brasil”, diz o músico.
Finalmente, o mesmo palco
As canções criaram uma ligação que, ao longo das décadas, se transformou em amizade. Vieram as visitas de Pinduca à casa de Eliana, no Rio de Janeiro, e o reconhecimento mútuo, mas ainda faltava um encontro no palco.
Embora compartilhem essa história há décadas, os dois artistas nunca haviam realizado um show juntos. Isso muda em dezembro, quando Pinduca e Eliana Pittman se apresentam pela primeira vez na mesma noite durante o Festival Psica, realizado entre os dias 11 e 13, em Belém.
O encontro integra o conceito “Nosso Tempo é o Norte”, que orienta a edição de 2026 do evento. Segundo Jeft Dias, a ideia de reunir os dois surgiu a partir de conversas com os próprios artistas.
Eliana, que define Pinduca como um de seus ídolos, já antecipa o clima da apresentação: “Ele é a essência do carimbó. Vai ser uma festa. Imagina nós dois. Nós vamos fazer juntos, em conjunto”.
SERVIÇO – Festival Psica 2026
- Data: 11, 12 e 13 de dezembro de 2026
- Local: Belém (PA)
- Ingressos: Shotgun
- Mais informações: @festivalpsica
Escute os sucessos de Pinduca
Escute os sucessos de Eliana Pittman
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