Di Ferrero estreia no SXSW e aposta na troca humana como futuro do rock nacional
Cantor se apresentou em Austin a convite da Billboard Brasil

Di Ferrero no The Town 2025. (Divulgação)
Em sua primeira vez no SXSW, Di Ferrero disse ter se surpreendido ao se deparar com um festival que é menos sobre tecnologia e mais sobre gente. “As minhas primeiras impressões são muito diferentes do que eu esperava”, afirma o cantor à Billboard Brasil. “O mais legal que eu estou sentindo aqui é a interação mesmo. Muita gente que estou conhecendo, gente da indústria que está buscando inovação… isso é muito legal.”
Desbravando Austin, onde se apresentou na SP House, o vocalista do NX Zero aproveitou o festival como um território de descoberta, e não só de tendências da indústria fonográfica. Entre um compromisso e outro, ele cita apresentações que viu “por acaso”, como um show de Christina Aguilera, e planos de explorar desde gigs em pubs até apresentações dentro de igrejas locais. Coisas que só o SXSW proporciona.
“Você vai parando nos lugares, vai continuando… tem tanta coisa rolando”, diz. “Quero ver esse lance da igreja, quero conhecer artistas novos, quero fazer tudo.” Apesar da fama do SXSW como vitrine de inovação, Di relativiza o peso da tecnologia no ecossistema musical. Para ele, o que sustenta o presente – e o futuro – da indústria é mais básico.
“A principal inovação é justamente a troca. Reunir as pessoas, os shows, as experiências. Isso só vai crescer, porque é o que as pessoas estão buscando”, afirma.
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Essa visão também orienta a leitura do cantor sobre inteligência artificial, um dos temas recorrentes desta edição do festival. Di admite que vem experimentando ferramentas de IA no processo criativo, especialmente na composição, mas com cautela.
“Eu estou tentando usar a meu favor, principalmente na hora de compor. Você pega, absorve, digere e vê se serve”, explica. “Claro que nada se compara a ter um músico do seu lado tocando.” Para ele, o risco está menos na tecnologia em si e mais na forma como artistas reagem a ela. “Tem muita gente com medo antes de saber o que vai acontecer. Eu acho que não precisa se afobar.”
A recomendação, especialmente para quem está começando, é direta: menos ansiedade com ferramentas e mais foco na base. “O principal é tocar o instrumento, cantar, compor. Porque o que mais se destaca é o show, é a performance ao vivo, é passar um sentimento.”
A fala carrega também a experiência de quem já atravessou uma grande virada da indústria. Di lembra que o próprio NX Zero foi impulsionado justamente por uma mudança tecnológica: o surgimento de plataformas como YouTube, Fotolog e outras redes sociais, em um momento em que o mercado tradicional ainda resistia.
“O NX bombou porque veio contra o sistema, sem depender de rádio ou TV”, relembra. “E já mudou de novo. E vai mudar de novo. O principal é continuar tocando.”
Se o cenário global está em constante transformação, o momento, segundo ele, é especialmente favorável para artistas brasileiros. Em Austin, o cantor percebe um interesse crescente pelo país que vai além dos estereótipos tradicionais.
“O mundo está acostumado com a brasilidade da MPB e do samba, mas agora eu vejo que os olhos estão abertos para o Brasil em vários sentidos”, diz. “Está todo mundo querendo visitar, querendo entender [o país].”
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Para o rock brasileiro ganhar mais espaço fora do Brasil, ele acredita que o caminho passa por incorporar essa identidade. “Tem que ter um pouco de brasilidade. Não só aquele som quadrado, inglês ou norte-americano”, afirma, citando referências como Sepultura, Paralamas e Mutantes, que fizeram essa mistura com maestria.
Em paralelo à experiência internacional, Di vive um momento de transição na carreira solo. Ele está encerrando a turnê “SE7E”, que deve se transformar em álbum, enquanto prepara novos lançamentos ao longo do ano e uma série de shows acústicos.
“Estou concluindo uma fase e transformando isso em disco. Tem bastante coisa pra rolar, muito lançamento”, adianta, sem abrir muita coisa.
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