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COPA DO MUNDO
Imagem de "Lux", disco de Rosalía, da Espanha(divulgação)

Imagem de "Lux", disco de Rosalía (divulgação)

Copa da Música: a Espanha que vai muito além do flamenco

Um giro pelo som que domina as paradas espanholas hoje

Neste domingo (21), a Espanha encara a Arábia Saudita pela segunda rodada do Grupo H, em Atlanta. Enquanto a Roja tenta encaminhar a classificação, vale girar o dial da nossa série Copa da Música para as ondas espanholas. O país vive um de seus momentos mais férteis e movimenta as paradas muito além do clichê do flamenco.

Foi justamente do flamenco que saiu boa parte do DNA sonoro do país. Nos anos 1970, Camarón de la Isla e o violonista Paco de Lucía reinventaram o gênero e abriram caminho para que a tradição andaluza conversasse com o pop, o jazz e, décadas depois, com o reggaeton. Essa raiz continua audível na produção espanhola atual.

Em 2026, quem manda nas plataformas é a chamada música urbana: reggaeton, trap e suas variações, puxadas pelo fenômeno canário Quevedo. Mas o pop de Aitana, a vanguarda de Rosalía e até o rock de arena dividem o mesmo Top 100. Para o ouvinte brasileiro, acostumado ao perreo nas playlists e à onipresença do reggaeton, é território familiar. A seguir, seis nomes que explicam o que a Espanha está ouvindo às vésperas de mais um jogo na Copa do Mundo.

O que toca na música da Espanha em 2026

Quevedo

Reggaeton e trap, com sotaque das Canárias. Dono de uma voz grave e melancólica que ele arrasta por cima das batidas, o artista virou fenômeno global em 2022, quando a sessão com o argentino Bizarrap o tornou o primeiro espanhol a liderar o Spotify mundial. Em vez de correr atrás do mercado latino, fez o caminho inverso: mergulhou na própria ilha. “El Baifo”, seu terceiro álbum, leva no título a gíria canária para filhote de cabra, que ele cruza com a sigla GOAT. Funcionou. Na semana que antecede o jogo, ele ocupa o primeiro e o segundo lugar da parada ao mesmo tempo, com “La Graciosa” e “Al Golpito”.

Rosalía

A  grande estrela desta safra. Formada no flamenco, transformou a tradição andaluza em matéria-prima pop: foi do disco-conceito “El Mal Querer” ao experimentalismo de “Motomami” e, agora, ao ambicioso “Lux” (2025), trabalho orquestral e em vários idiomas que liderou a parada espanhola de álbuns. A catalã é a artista do país com maior projeção internacional, e a que menos se repete. O single “La Perla”, com as mexicano-americanas Yahritza y su Esencia, segue na parada meses depois de ter passado pelo topo.

Aitana

Revelada no talent show Operación Triunfo em 2017, a catalã construiu a carreira pop feminina mais sólida da Espanha, com refrões grandes e produção reluzente feita para tocar em todo lugar. “Superestrella” é o retrato disso: um hit que se recusa a sair da parada, já em 50 semanas de permanência, enquanto “6 de Febrero” mantém a artista em dose dupla na lista.

Rels B

Trap melódico e R&B em câmera lenta. O mallorquino é o lado mais introspectivo e romântico da música urbana espanhola, com vozes processadas, clima noturno e uma fidelidade de público que o sustentou da margem ao mainstream. “Tu Vas Sin (FAV)” é a prova da paciência do estilo: um hit de combustão lenta que já soma 51 semanas na parada e em algum momento chegou ao número 1.

Bad Gyal

Dancehall e reggaeton de pista. Pioneira do auto-tune em catalão, Alba Farelo abriu a porta para uma geração inteira de mulheres no urbano espanhol com uma proposta crua, sexual e voltada para a balada. Não é artista de um hit só, e a parada mostra isso: ela aparece com quatro faixas ao mesmo tempo, entre elas “Choque”, com o porto-riquenho Chencho Corleone, e “Da Me”.

Arde Bogotá

Rock, contra a corrente. Num Top 100 dominado pelo urbano, a banda de Cartagena, na região de Múrcia, é a grande exceção: guitarras, refrões de arena e letras densas que fizeram dela o nome da retomada do rock espanhol. “La Salvación” resiste há 51 semanas na lista, recado de que ainda há vida fora do reggaeton para quem quiser procurar.