O alquimista do ritmo: como O Kannalha une o pop ao pagodão

O Kannalha (Divulgação)
Se o Carnaval de Salvador fosse um laboratório químico, Danrlei Orrico seria o cientista responsável pela fórmula mais explosiva da última década. Conhecido nacionalmente como O Kannalha, o artista não apenas subiu nos trios elétricos, ele redesenhou a sonoridade da Bahia ao fundir a percussão crua do pagodão com a estética e o apelo visual do pop contemporâneo.
A construção da identidade
A trajetória de Danrlei começou longe dos holofotes da Barra-Ondina. Criado em Camaçari, o jovem artista trouxe das ruas a vivência necessária para entender o que o povo queria ouvir. O nome O Kannalha, escrito com a grafia característica que utiliza dois “n”, tornou-se uma marca de irreverência e carisma.
Diferente de gerações anteriores, o artista entendeu cedo que o pagodão precisava de um banho de loja digital. Ele trouxe elementos do trap e do funk, mas manteve a essência do swing baiano, criando uma sonoridade que conversa tanto com os paredões de som quanto com as coreografias das redes sociais.
Do som de paredão ao topo das paradas
A discografia do cantor é marcada por uma sucessão de singles que se tornaram hinos imediatos. O disco “O Kannalha de Malandro” foi um divisor de águas, mas foi com as colaborações que ele rompeu a bolha regional.
- “Fraquinha”: O hit que apresentou sua malemolência para o Brasil.
- “Penetra”: A parceria com Pabllo Vittar que selou de vez a união entre o pagodão e o universo pop.
- “Verão Doce”: Faixa que consolidou sua presença nas plataformas de áudio.
Ao colaborar com nomes como Ludmilla e atrair olhares de artistas internacionais, O Kannalha provou que o pagodão não é um gênero de nicho, mas uma vertente da música pop brasileira com potencial global.
O fenômeno da pipoca: o chão da praça treme
Não se pode falar de O Kannalha sem mencionar sua performance no Carnaval da Bahia. A sua pipoca, o bloco sem cordas voltado para o folião pipoca, tornou-se uma das mais disputadas do circuito. Mas o que explica esse sucesso?
Primeiro, a acessibilidade: Danrlei mantém uma conexão genuína com o público da periferia, fazendo com que o folião se sinta representado no alto do trio. Segundo, a performance visual: com figurinos pensados e uma presença de palco magnética, ele entrega um show que rivaliza com grandes produções. Por fim, o ritmo hipnótico: o grave do pagodão, quando misturado aos sintetizadores modernos, cria uma experiência sensorial que é impossível de ignorar.
O artista conseguiu o feito raro de ser respeitado pelos veteranos do axé, como Ivete Sangalo e Leo Santana, enquanto dita as regras para a nova geração. O Kannalha é a prova de que a música baiana continua sendo a maior usina de inovação cultural do país.
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