Claudia Leitte sobre nova turnê: ‘A música me leva para perto das pessoas’
Cantora apresenta 'Intemporal' no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e em Curitiba

Claudia Leitte (Rodolfo Magalhães)
Três capitais brasileiras estão na rota de “Intemporal”, turnê da cantora e compositora Claudia Leitte. A baiana se apresenta no Rio de Janeiro nesta sexta-feira (13), em Belo Horizonte no sábado (14) e em Curitiba no dia 20 de março. A série de shows dá continuidade ao projeto mais intimista da artista, que revisita sucessos de sua carreira em novos arranjos e também inclui interpretações de músicas de outros artistas que marcaram sua história.
Antes de retomar a agenda da turnê, a artista cumpriu uma intensa maratona de Carnaval. Em seis dias, realizou oito shows em três estados diferentes. Mesmo após mais de duas décadas de trajetória na música, Claudia Leitte continua acumulando novos reconhecimentos. Um deles foi o título de Hit do Carnaval 2026, eleito pelos leitores da Billboard Brasil, com a faixa “Plugin da Bagaceira”.
Em entrevista à Billboard Brasil, a baiana comentou: “Não é uma coisa que você busca, mas é muito legal quando acontece. Lógico que tem o empenho dos meus fãs, que vão lá e votam em tudo. É amor de família mesmo, porque a gente dá e não espera nada em troca. Isso só acontece no reduto seguro, né? E meus fãs fazem isso o tempo todo por mim. Eu achei também o máximo porque a Billboard Brasil fala a língua da gente. É um reduto de música, algo que está cada vez mais escasso. O contexto está perfeito. A gente estava no Carnaval. A música é uma delícia e, toda hora que eu tocava, tinha uma resposta imediata da rua, do bloco ali pulando na minha frente. É muito bom sair do Carnaval e ver que, na internet, também alcançou um monte de gente.”
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Após a energia explosiva dos trios elétricos, Claudia Leitte retorna aos palcos com um espetáculo que propõe outro tipo de experiência. Ela ressalta que tudo acontece de forma orgânica. Na turnê “Intemporal”, a cantora aposta em uma atmosfera mais intimista e introspectiva.
“Isso tudo acontece comigo na vida real e eu acho que não é tão difícil colocar isso para fora. É bem natural. Eu acredito que tenha dado mais trabalho organizar do que sair de um para o outro, porque é um passeio dentro da minha mente. Se eu olhar pelo lado certo, dá para ver que tudo tem um porquê e que está tudo conectado. O contato com as pessoas foi o que me trouxe esse desejo de fazer um show intimista.”
Claudia Leitte explica o conceito de ‘Intemporal’
O significado de “intemporal” remete a algo que é perene, constante e imune às mudanças do tempo. Brincando com a palavra, também é possível interpretá-la como um movimento para dentro, a partir do prefixo “in”, combinado à ideia de “temporal”, uma chuva intensa. Claudia Leitte concorda com essa leitura e afirma que passou por um verdadeiro temporal de emoções antes de conceber o projeto.
A cantora explica que o título surgiu durante o processo de criação do espetáculo. “A gente sabe que essas coisas passam pela cabeça da gente e não dá muito tempo de explicar, porque estamos fazendo brainstorming para construir um show, para trazer um esqueleto para ele. Depois a gente vai moldando para o público. Tem que ser algo de fácil compreensão”, começou.
Ela também destaca o caráter provocativo da palavra escolhida. “Eu queria que fosse uma palavra que tivesse esse ar de provocação. Porque a palavra temporal é corriqueira, mais comum no nosso vocabulário. E quando a gente fala ‘Intemporal’, quem está indo ao show, quem já foi uma vez ou vai de novo, tem uma conexão imediata com aquele momento.”
A estrutura do espetáculo também segue essa lógica conceitual. A artista revelou que o show é dividido em quatro partes, inspiradas nas estações do ano: verão, outono, inverno e primavera. “Eu queria que tivesse essa coisa de dentro para fora, que isso ficasse explícito. Por isso dividi em quatro tempos, porque na vida tudo é cíclico. Ali temos uma mudança de estações e eu procurei trazer uma temperatura diferente para cada momento.”
O repertório acompanha essa narrativa emocional. “São músicas que fazem parte da minha história de vida. Como não deu para colocar tudo, procurei escolher dentro de um campo harmônico e de um andamento que combinassem com cada estação. Tem músicas que dialogam com dias alegres de verão e outras que refletem dias difíceis de inverno, dias em que eu canto uma melodia em tom menor, mais triste. Mas isso passa também. Depois desse temporal, quando a chuva lava tudo, a gente volta de novo. Só precisa equilibrar as coisas dentro de si, batalhar, porque as lutas dentro da cabeça são muito maiores do que a gente espera.”
Claudia Leitte também revelou que o setlist da turnê muda de acordo com as cidades visitadas, incorporando referências locais em cada apresentação. “Eu abro o show de maneira diferente em cada cidade, mas dentro do repertório sempre faço algumas mudanças. Vou fazer algumas coisas bem cariocas no Rio, algumas coisas mineiras em Minas e por aí vai.”
Entre hits autorais e versões de canções de outros artistas, a lista de músicas da turnê foi construída a partir da própria história da cantora. “Eu tive que buscar lá na minha infância. Precisei tratar a minha criancinha interior para sair desse casulo em que me meti na pandemia. E o que mais me aproximava dessa criança eram as músicas. Então eu toco músicas que tocavam no rádio, na vitrola que tinha em casa naquela época, nos anos 1990. Disco de vinil, fita cassete. Tem muito disso nesse show. É um mergulho naquele tempo de menina procurando por mim mesma. ‘Cadê eu?’.”
Segundo a artista, a seleção final precisou respeitar a narrativa do espetáculo. “Não deu pra botar tudo, porque tem a música, viu? Mas o que eu consegui colocar dentro do tempo do show, do tom e encaixar ali na minha história pra ter também uma letra que fosse condizente ali com o meu roteiro, eu fiz.”
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Momento de reflexão de Claudia Leitte
A pandemia foi um período decisivo para a cantora. Foi durante esse momento que ela passou a refletir com mais profundidade sobre sua trajetória. “Eu consigo entender que o artista se conecta com o tempo e com as pessoas e com um momento específico. E eu consigo me ver dessa forma, eu consigo olhar pra mim como alguém que está fazendo uma reflexão sobre algo que colheu desse tempo. Eu consegui olhar pra menina que eu fui, que estava ali à frente do Babado Novo, com sonhos, saindo da adolescência, entrando na fase adulta e num universo completamente distante. Consigo ver a criança que eu fui, brincando de ser artista e aspirando, sonhando, sem muita consciência. Consigo ver todas essas coisas reunidas. O passeio que eu faço pelas músicas é meio que um resgate até pra buscar essa menina.”
Apesar de ter continuado trabalhando durante a pandemia, Claudia Leitte afirma que viveu um conflito interno ao perceber que sua realidade era diferente da de muitas pessoas naquele período. Ela chegou a buscar ajuda profissional pela primeira vez.
“Acho que a pandemia foi o momento mais introspectivo que eu tive. E nessa introspecção, eu ainda entrei em conflito comigo mesma. Eu estava trabalhando, continuava produzindo. Era uma pessoa que é diferente da maioria das pessoas naquele momento, que tinha segurança de ter um trabalho. Eu tinha uma rede social imponente, tinha lives pra fazer, gravava todo dia publicidade. Então eu, teoricamente, não poderia reclamar de nada. Diferente da maioria das pessoas no planeta naquele momento. E isso me provocou algo muito louco. E graças a Deus, apesar de todo desconforto que eu tive e da dor profunda que eu não sabia explicar e que eu não achava justo sentir, o que é terrível, né? A gente não pode julgar o que a gente sente dessa forma. A gente precisa se acolher. Eu consegui conceber não só cura, porque eu busquei ajuda psicológica pela primeira vez na minha vida.”
Ela também destacou que a ausência do contato com o público foi um dos aspectos mais difíceis daquele período. “Eu sempre descarreguei tudo muito no palco e sempre fui a menina que viveu no acaso. Mesmo que esteja tudo difícil, quando eu chego no palco fica tudo bem e vai dar tudo certo. Tudo era curado ali, entre aspas, né? Como eu fiquei sem isso naquele momento de pandemia, eu já sabia que eu precisava de duas ou mais pessoas comigo pra fazer a minha arte. E eu não estou falando de fazer live, de estar no Instagram. Eu gostava mesmo era de estar com gente, de estar fazendo coisas não importava pra quantas pessoas fosse. Mas precisava estar com pessoas. Precisava do cheiro, do toque. Eu precisava ver o sorriso nascendo ali na minha frente, no rosto de alguém. Alguém dançando, alguém encontrando outro alguém. Não importava o número de pessoas. Eu queria ver gente feliz e eu cantava por isso. Isso ficou muito claro pra mim.”
Claudia Leitte explica que na turnê “Intemporal” consegue ficar mais próxima das pessoas. Para ela, o encontro com o público é parte essencial de sua música.
“É no palco que eu sinto o cheiro daquele momento. Que tem a roupa, tem a luz. E tem o contato ali com aquelas pessoas, por mais que eu não consiga trocar um bate-papo, entrar fundo. Eu acho que a música me leva pra perto das pessoas. E aí, eu queria ir mais junto deles mesmo. Eu começo o show no meio da galera, como se eu estivesse saindo de um Carnaval. E aí vai tendo um fade-out, uma fuga de luz, de gente. E eu começo a ficar meio que sozinha, reduzida àquilo ali. E a minha intenção é mostrar nesses dois blocos do meio que eu preciso muito estar perto deles. E eu acho que eu só começo o show no meio da galera porque é uma necessidade minha. Chegar perto deles, porque as verdadeiras estrelas estão ali embaixo. Eu preciso muito do outro. Minha música só existe porque há alguém e não muitos seguidores, muitos likes, muitas curtidas e afins. Ou porque eu sou famosa. É só porque eu canto pra alguém.”
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