Em ‘Especiarias’ Claudia Leitte vai do inferninho às grandes plateias
Em seu novo disco, cantora experimenta todos os gêneros aos quais tem direito

Claudia Leitte (créditos Dodô Villar)
O Língua de Prata era uma casa de espetáculos localizada na praia de Itapoã, em Salvador. Chamada de “templo do arrocha”, o local, que foi demolido em 2015, desafiava qualquer amante da música. Tinha apenas uma porta de saída e distribuía cervejas em garrafas ao invés dos tradicionais e seguros copo de plástico (na noite em que o autor dessas linhas visitou a casa, em 2012, houve um festival de garrafas atiradas ao chão por causa da falta de luz que interrompeu o show de Nara Costta).
Foi nesse local que Claudia Leitte, então candidata a vocalista do Babado Novo, fez seu teste fogo para entrar na banda, no ano de 2001.
“Todo mundo que fez pagode deu uma passada por lá, nem que seja para bater um prato de feijão voltando da balada”, diz a cantora, em entrevista à Billboard Brasil.
“Cal Adam, que se tornou meu empresário, me levou às cinco da manhã no Língua de Prata para fazer uma participação no show de uma banda de pagode.” O local foi o teste definitivo para mostrar que Claudia sabia enfrentar qualquer platéia.
Pois “Especiarias”, mais recente lançamento da cantora, que chegou no dia 20 de março nas plataformas de streaming, é uma compilação das várias facetas de Claudia. Da menina que se tornaria “a pagodeira da Bahia”, como gosta de afirmar, à rainha do trio elétrico do Carnaval de Salvador, passando pela faceta pop que seu trabalho adquiriu nos últimos tempos.
“É fruto de encontros e das minhas crenças musicais. Uma reunião de sentimentos, influências, pessoas… É um Carnaval, onde cabe de tudo”, resume. “Quem ouvir o álbum vai perceber uma sequência do trabalho, por isso é que ele foi dividido em três partes.”
Trata-se do trabalho mais bem urdido de Claudia, que em 2007 saiu do Babado Novo para a carreira solo. E que saída. Ela se apresentou para mais de 700 mil pessoas na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, que hoje se tornou palco de grandes atrações internacionais.
“Especiarias” chega num momento de revalorização da axé music. Principalmente a sonoridade dos blocos afro-baianos como Olodum e Ilê Ayê. O trio Gilsons (que gravou “Várias Queixas”, do repertório do Olodum) e o Filhos de Jorge, estão entre os muitos artistas que exploram a sonoridade desse gênero.
“É um retorno natural, ainda mais com nós, brasileiros, que somos temáticos: temos um tempo de sofrência, de música romântica…”, pontua. “Há células do axé em todos os gêneros de hoje: sertanejo, funk… Tem alma, tem essência, não tem como mudar isso.”
E o show de Copacabana, você ainda lembra? Sim, ela lembra tanto que repetiu o figurino no Carnaval de 2026. “Não caiu uma pedra sequer. Foi bonito ver a reação das pessoas, de sentir aquela emoção de novo.”
Claudia, além de cantora, saiu do Babado Novo para gerir sua própria carreira. “Diziam que eu ia sair não para uma carreira solo, mas carreira subsolo. Mas deu mais resultado do que esperava”, comenta. E como: seja no palco ou no trio elétrico, Claudia é um arraso.
Veja a entrevista de Claudia Leitte à Billboard Brasil
Ouça “Especiarias”, de Claudia Leitte
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