Como o ‘Churrasquinho’, do Menos é Mais, virou case de sucesso
Cristóvão Neto, sócio do Grupo Onda, explica formato de show do grupo de pagode

Menos é Mais e Cristóvão Neto (Divulgação)
O sucesso do Menos é Mais vai além dos números nas plataformas digitais. O grupo de pagode consolidou não apenas um repertório de hits, mas também uma experiência de show com identidade própria no mercado, atraindo o público pelo “clima” antes mesmo do repertório. Estamos falando do “Churrasquinho”, formato de apresentação que começou de forma despretensiosa, como uma reunião entre amigos, e hoje ocupa arenas pelo país.
Duzão, vocalista do grupo, explica como a identidade artística e a proposta de show se misturam:
“Acho que o Menos é Mais tem uma linguagem musical muito própria. Mesmo quando a gente faz releituras, elas sempre têm a nossa identidade. E o Churrasquinho também tem uma atmosfera diferente, com uma proposta mais intimista, mais próxima do público. O visual, as cores, o formato do palco, tudo é bem característico do Menos é Mais, literalmente um churrasquinho entre amigos. Outra coisa importante é que a gente tenta ser democrático nos shows, entendendo e atendendo o que cada público pede. Acho que essa soma de identidade, proximidade e adaptação é o que mais diferencia a gente de outros shows”.
O Churrasquinho foi estruturado com visão estratégica. Segundo Cristóvão Neto, sócio do Grupo Onda, o projeto nunca foi tratado como um evento comum, mas como uma marca desde o início. “Nunca tratamos o Churrasquinho como um simples evento. Desde o começo, mesmo quando era menor, já havia uma identidade de marca muito clara. Nosso papel foi entender o que fez aquele audiovisual ser tão especial para o público e organizar isso para conseguir escalar. Transformamos em uma experiência que pudesse rodar o Brasil mantendo a sensação de que o público faz parte daquilo. Tivemos muito cuidado com esse crescimento, porque o maior risco de escalar é perder a alma”, afirma.
A marca conseguiu estruturar uma operação nacional sem prejudicar sua essência. “Ali, naquele primeiro Churrasquinho, havia algo muito poderoso: a sensação de proximidade, de verdade, de ‘estar numa resenha entre amigos’. Trabalhamos muito em como transformar o evento em algo replicável e escalável, sem deixar de ser autêntico. No fim das contas, o público não compra só o show, ele compra a experiência. E esse clima precisa ser reconhecível em qualquer cidade do Brasil”, completa.
“Sem dúvida, o maior desafio é manter a percepção de valor em um país continental como o Brasil. Hoje, com o digital, a entrega precisa ser 100% consistente. Imagine uma pessoa em Fortaleza acompanhando o Churrasquinho de São Paulo pelas redes e, quando o evento chega à sua cidade, ela não encontra o que viu e desejou viver. Manter essa percepção exige um nível de controle muito alto”, explica.
A experiência do Churrasquinho vai além de um show tradicional de 90 minutos, reunindo open food, ativações de marca e cenografia 360 graus. Para isso, o Grupo Onda estruturou uma operação com processos padronizados, equipe central e parceiros locais estratégicos. “Temos uma cenografia própria que nos acompanha e um modelo de entrega pensado para ser totalmente replicável. Mas, no fim, mais importante do que o que entregamos tecnicamente é como o público percebe isso.”
Com o tempo, o Churrasquinho passou a influenciar diretamente as decisões estratégicas da carreira do grupo. “Hoje é impossível pensar em carreira artística sem análise de dados. Observamos o comportamento o tempo inteiro: nas redes sociais, na abertura de vendas, durante o evento e nos relatórios finais de qualidade. Esse compilado de informações retorna diretamente para a estratégia. Ajuda a entender o potencial de cada cidade, como precificar ingressos e até quais blocos de música geram mais conexão com o público”, detalha.
Esse modelo, que combina talento artístico com gestão orientada por dados, já começa a ser replicado em outros projetos do Grupo Onda, tornando-se uma forma de pensar o negócio.
Cristóvão também analisa que o mercado de labels de artistas cresceu de forma acelerada. “O público passou a valorizar mais a experiência como um todo. Antes, muitas vezes, o foco era apenas o artista. Hoje isso não é mais suficiente. O Churrasquinho ajudou a reforçar que uma label precisa ter identidade, proposta e consistência de entrega. Vemos muitas labels surgindo, o que é natural, mas também haverá uma seleção natural de quem permanece. Essência e verdade vão ser fatores decisivos. Não adianta ter um bom line-up se você não constrói algo que o público reconhece e quer viver novamente”, analisa.
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