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Caio Nunez estreia com disco que une ancestralidade e afeto

Disco reúne participações de Rashid, G.a.B.o, Luana Karoo e mais

Caio Nunez (créditos João Pedro Oliveira)

Caio Nunez (créditos João Pedro Oliveira)

Após quatro anos sem novos trabalhos, o tempo de espera acabou e Caio Nunez lança “Nada Fica Fora do Lugar”, primeiro álbum da carreira do cantor carioca.

O disco reorganiza memória, ancestralidade e afeto em faixas que atravessam ritmos afro-brasileiros, sonoridades afro-latinas e influências que marcaram a escuta de Caio Nunez desde a infância, em Irajá, subúrbio do Rio de Janeiro.

A produção do álbum é dividida entre G.a.B.o, Léo Israel, Medeirin, Marcel Sousa e Bon Beats. Segundo o artista, o processo de juntar produtores diferentes ajudou a dar identidade única ao trabalho.

“Um dos aspectos mais valiosos desse processo foi trabalhar com produtores de linguagens muito particulares que, juntos, conseguiram construir unidade e identidade para o álbum”, conta Caio Nunez.

Nomes como Otto, Nação Zumbi, Carlinhos Brown, Sara Tavares, Mayra Andrade, Dino D’Santiago e Santana ajudaram a moldar o universo sonoro do disco, ainda que sem citação direta nas faixas.

“Algumas inspirações foram essenciais para construir essa atmosfera de reconexão com o passado. Entre elas estão ‘Soul Sacrifice’, do Santana, música que me fez querer ser músico depois de assistir, ainda criança, a uma fita de Woodstock, e ‘Monólogo ao Pé do Ouvido’, do Nação Zumbi, que despertou em mim a vontade de compor”, relembra o cantor.

O álbum abre com “Dia de Oxalá”, parceria com Luellem de Castro que apresenta o eixo espiritual do disco. Em seguida, “Ginga”, com G.a.B.o, traz clima afrobeat e celebrativo.

Já “Lótus” aproxima desejo e intimidade a partir de ritmos afro-latinos, enquanto “Reticências”, primeiro single do projeto, é parceria com Rashid.

“Cavalo de Aço”, escrita ao lado do pai de Caio Nunez, incorpora elementos como jongo, griô e bate-bola. Depois, “Estrela Cadente”, inspirada em João Donato e Marcos Valle, cria um respiro antes de “Moçambique”, faixa que aproxima o Brasil de países africanos lusófonos a partir de temas como pertencimento e diáspora.

O álbum termina com “Mil Motivos” e “Valongo”, parceria com Luana Karoo, faixa que também deu nome ao disco.

“Esse processo de reconexão com o passado, sem deixar de olhar para o artista que me tornei, fez com que esse repertório acabasse se transformando no meu maior cartão de visitas. É o trabalho mais pessoal e autoral da minha carreira”, destaca Caio Nunez.

Antes de “Nada Fica Fora do Lugar”, Caio Nunez já havia chamado atenção com o EP “Akinauê”, de 2016, e com singles como “Madureira a Bagdá”. O artista também assina composições para nomes como Liniker, Rashid, Tássia Reis, Gabz e Yoún.

Ouça ‘Nada Fica Fora do Lugar’, de Caio Nunez