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Atração do Rock in Rio, Érika Martins é ícone do protagonismo feminino

Cantora e a sua banda, Penélope, se apresentam ao lado do Pato Fu

Érika Martins Penélope

Érika Martins, vocalista do Penélope (Erika Suzuki/Divulgação)

No final dos anos 1990, o grupo baiano Penélope atraiu a atenção de vários diretores de gravadora com uma apresentação no festival Abril pro Rock. A Sony ganhou a disputa e lançou, no ano seguinte, “Mi Casa, su Casa”. O disco trazia uma pegada forte do rockn`roll, a começar pela releitura de “Namorinho no Portão”, do tropicalista Tom Zé. O Penélope lançou ainda mais dois discos e se dissolveu em 2004.

A vocalista Érika Martins, por seu turno, saiu em carreira solo, fez parte do grupo de power pop Autoramas, do projeto Lafayette e os Tremendões (onde cantava hinos da jovem guarda) e comandou palestras sobre o protagonismo feminino no rock brasileiro.

Em 2024, vinte e cinco anos depois da estreia do Penélope, Érika Martins remonta o grupo. Eles são convidados do Pato Fu e irão se apresentar hoje no Palco Sunset. Abaixo, uma entrevista com Érika Martins, que fala um pouco sobre o show de hoje e sua carreira.

No dia 08 de agosto, “Mi Casa, su Casa”, disco de estréia do Penélope, chegou às lojas de discos. Além do fato tudo ser baseado no streaming, qual a diferença entre daquele período com os dias de hoje?

A principal diferença é que atualmente temos uma volta ao passado, ao compacto, um consumo de single. Quando gravamos o “Mi Casa, su Casa” pensamos no disco como um todo, uma história a ser contada.

 Recentemente, lançou um single em parceria com Fernanda Takai. No Rock in Rio, o show  será com o Pato Fu, banda na qual ela é guitarrista e vocalista. Como surgiu essa parceria?

Os fãs pediam muito, desde o início da Penélope, um show das bandas juntas. No ano passado eu e a Fernanda nos aproximamos mais e compusemos a nossa primeira música  “Céu de Planetário” que virou um feat do meu projeto solo.  Além disso, as duas bandas estão com datas comemorativas, o que impulsionou a ideia da junção.

 E como será o show, as duas bandas tocarão juntas? E o repertório, será baseado somente no “Mi Casa, Su Casa” ou você também vai revistar canções de outros trabalhos da Penélope e da sua carreira solo?

O show tem vários momentos. As bandas juntas no palco, partes mais intimistas…vamos passar pelos principais sucessos da carreira de cada banda.

 O show no RIR vai ter a participação de ex-integrantes, certo? Pode adiantar como será essa participação e se farão algo para lembrar o Luisão (guitarrista original do Penélope, morto  em março deste ano)?

A ideia de fazer o projeto comemorativo de 25 anos do “Mi Casa, su Casa” surgiu depois da pandemia. Eu percebi o quanto a banda era importante  na vida de tantas pessoas, mexia com a memória afetiva. Recebi tantas mensagens de fãs contando histórias emocionantes da relação com a Penélope, com as letras, com as músicas. Comecei a relembrar algumas composições minhas do período e me senti à vontade de novo, cabendo naquele personagem…eu mesma. Convidei alguns ex-integrantes para fazermos o projeto, mas cada um estava em um momento diferente que não daria para conciliar. Pensei então em pessoas que tinham uma história junto com a banda e foquei no principal: o repertório!

 Para este show do Rock in Rio teremos a participação de alguns ex -integrantes, o que vai tornar tudo ainda mais emocionante. Luisão, que nos deixou em março, será lembrado sim.

 E como você vê a presença e a representatividade feminina na música hoje?

Falando especificamente sobre o rock, é incrível que até hoje ainda tenho que responder nas entrevistas sobre ter poucas mulheres fazendo rock. Sempre relembro o quanto somos presentes desde o início: o primeiro rock gravado no Brasil foi pela Nora Ney, depois tivemos uma cena muito rica na jovem guarda (Wanderlea, Lilian, Martinha, Silvinha…) inclusive de mulheres cantoras, compositoras e instrumentistas. Nos anos 80 também (Blitz, Metrô, Mercenárias, Kid Abelha…). Anos 90/2000 com Penélope, Pato Fu e tantas outras. Em todas as décadas sempre tivemos uma presença muito grande feminina e atualmente seguimos com a mesma força.

 Quais os planos após o RIR, a Penélope segue em turnê ou você retoma sua carreira solo?

Eu continuo na carreira solo ao mesmo tempo que viajo com o show comemorativo da Penélope. Tenho novos singles solo para lançar. Parcerias com Virginie Boutaud [vocalista do grupo Metrô] e single com participação da percussionista Lan Lanh.