Artur Menezes lança single e detalha show blueseiro no Lollapalooza

Artur Menezes (Adel Emata/Divulgação)
O guitarrista, cantor e compositor cearense Artur Menezes é uma das atrações nacionais do line-up do Lollapalooza Brasil 2026, no sábado (21), no Palco Flying Fish. Radicado em Los Angeles há uma década e recém-naturalizado cidadão americano, o blueseiro vive um momento de renovação. Ele lança nesta sexta-feira (13) o single “Once Again” e mostra uma sonoridade mais pesada e psicodélica.
A faixa é o cartão de visitas para o seu próximo álbum autoral, que ainda não tem nome definido. Após brilhar ao lado de lendas como Buddy Guy e integrar a prestigiada turnê “Experience Hendrix”, Artur Menezes inaugura uma fase mais densa.
A produção do novo trabalho é assinada pela baixista, produtora e compositora brasileira Pops Magellan, que funde o DNA vintage de Menezes a elementos modernos e ousados. O som é construído com guitarras barítonas, pedais de “fuzz” vintage e guitarras que emulam sintetizadores, criando uma atmosfera psicodélica.
Além de brilhar nas guitarras e vocais, Artur assume o baixo em passagens pontuais do novo disco, acompanhado pela cozinha do baterista Aaron Haggerty e o próprio Pops Magellan. O time técnico de peso é completado por Randy Emata na mixagem e Fili Filizzola na masterização.
Na entrevista a seguir, Artur detalha essa nova fase e a expectativa de reencontrar o público brasileiro no palco do Lollapalooza.

Leia a entrevista com Artur Menezes
Como é voltar para esse show brasileiro no Lollapalooza?
Voltar e tocar no Brasil é sempre muito bom. Eu já estou aqui em Los Angeles há 10 anos, então é sempre bom retornar ao lugar de onde você vem. O Brasil é minha terra natal e o carinho dos fãs sempre foi incrível. Toda vez que vou ao Brasil fazer turnê, os shows são “sold out”. Eu não cortei esse cordão umbilical com o Brasil de jeito nenhum. Tenho contato com minha família, com meus alunos, fãs e as pessoas que chegam junto nas redes sociais.
Acho muito legal o lance do Lollapalooza ter o artista mainstream e o independente no mesmo espaço, ganhando o mesmo palco.O blues sempre está presente, mas o som está indo para um lado mais rock e pesado. Vou trazer músicas inéditas e influências do Nordeste.
O que esperar do seu repertório no Lollapalooza Brasil?
Muitas novidades e terá um cover de Jimi Hendrix, que é um dos meus heróis. Recentemente participei da turnê “Experience Hendrix” e voltei a tocar as músicas dele.
Vou tocar músicas autorais dos meus discos anteriores, como o EP “AM/FM” e os álbuns “Fading Away” e “Keep Pushing”. Também vamos tocar “Once Again”, que estou lançando agora, e músicas inéditas do disco novo que não saíram ainda.
Leia mais – Jimi Hendrix vive: guitarristas explicam o legado do gênio
Você é um expoente do blues moderno. Como você entende essa modernização do estilo?
Eu penso que tudo evolui. Nos primórdios havia os “spirituals” e o Blues acústico, mas hoje a primeira coisa que vem à cabeça é o blues elétrico de Chicago, como o de Muddy Waters, Steve Ray Vaughan, Buddy Guy, B.B. King e Albert King.
Para isso ter virado tradicional, antes precisou ser moderno. O Muddy Waters veio do Delta e eletrificou o som dele em Chicago. Na época, os puristas podem ter reclamado, mas as coisas evoluem e as pessoas olham para trás e veem como era.
Acho que tem que ter o time do tradicional, que faz o trabalho de preservação de museu, e o time moderno, que mistura o Blues e traz outros elementos. É esse time que vai atrair novos ouvintes e renovar o estilo para que ele não morra.
Como é o seu processo de criação com influências roqueiras e de música brasileira?
Quando componho, não tento encaixar em um estilo para o mercado. Escrevo o que sai de forma natural. O pensamento vem no momento de corrigir a letra, ver se o inglês está certo ou procurar a metáfora correta.
Estou feliz com o trabalho novo porque vamos amadurecendo como pessoas e a mensagem muda. Trouxemos afinações mais baixas em afinações em Dó com cordas pesadas. Descobri que minha voz é de barítono, o que trouxe muito mais conforto para cantar.
Os sintetizadores que aparecem no disco são, na verdade, coisas que faço com a guitarra. A Pops Magellan mexe nos efeitos para parecer um sintetizador. O bom produtor traz o que há de melhor no artista e nos empurra para arriscar.
Quais são as suas influências sonoras no novo trabalho?
Com certeza tem o The Black Keys, do Dan Auerbach. Gosto dele também na banda The Arcs. Acho ele um compositor e guitarrista incrível.
O Alabama Shakes também influenciou, principalmente pela sonoridade do álbum “Sound & Color”. A voz da Brittany Howard é incrível, assim como os arranjos. De coisas mais recentes, o Eric Gales tem influência no meu fraseado técnico. É o repertório da vida inteira que fica no vocabulário e você nem percebe de onde vem.
No Brasil temos um grande legado de guitarra. Quem você acompanha ou destacaria?
O Pepeu Gomes é foda. O disco “Acabou Chorare” é um dos meus preferidos de todos os tempos. É legal como ele, o Moraes Moreira e a Baby do Brasil misturavam guitarra e outros instrumentos. Tem a galera da minha vibe como o Marcos Ottaviano, com quem tive aulas de slide. Cito também o pioneiro André Christovam, o Celso Salim, o Armandinho e os Mutantes. A música brasileira é muito boa.
Minha mãe, a cantora Lúcia Menezes, ouvia muito Chico Buarque e Belchior. Ele inclusive produziu o primeiro disco dela. Ouvi muita música brasileira em casa e isso influencia meu tempo e minha respiração na hora de tocar. Eu misturo baião com blues. No disco “Fading Away”, a música “Northeast” é essa mistura. Às vezes vem de forma natural, outras vezes eu decido colocar uma bateria de baião ou uma percussão que remeta ao samba.
“É o blues com molho brasileiro”
Você sente a responsabilidade de mostrar o legado do blues?
Sinto uma responsabilidade que vem do caminho que percorri, saindo de Fortaleza para tocar no circuito onde a música nasceu. É uma forma de devolver para a comunidade e inspirar as pessoas.
E como foi a experiência com a família de Jimi Hendrix?
Fiz as últimas turnês do “Experience Hendrix” em 2024 e 2025. O projeto convida guitarristas como Kenny Wayne Shepherd, Eric Johnson e Zakk Wylde para esses shows especiais. Foi incrível estar ali ao redor da família dele e receber esse reconhecimento.

5 músicas para conhecer Artur Menezes
“Hurts Like Hell”
“Come On” ft. Joe Bonamassa
“Change”
“Northeast”
“Any Day, Anytime”
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