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Alok exalta povos indígenas em álbum político: ‘Mais importante da carreira’

DJ de 32 anos quer atingir públicos fora de sua bolha

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Coletiva de imprensa sobre o lançamento do novo álbum de Alok (Filipe Miranda/Divulgação)

Alok lançou o trabalho mais significativo e simbólico da carreira nesta sexta-feira (19). O DJ de 32 anos envolveu mais de 50 músicos no álbum “O Futuro é Ancestral”. Com nove faixas, o disco exalta a cultura indígena sem roubar o protagonismo ou ofuscar a voz de quem realmente é o foco do projeto.

Em coletiva de imprensa no Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília (DF), o produtor estava acompanhado de Buzurã Cantos Nativos, do povo Kariri Xocó; Kelvin Mbaretê, do povo Guarani Kaiowá, um dos integrantes do grupo BRO MC’s, precursores do rap indígena; Tashka Yawanawa, líder do povo Yawanawa; Célia Xakriabá, do povo Xakriabá e deputada federal; Mapu Huni Kuin, do povo Huni Kuin; Kretã Kaingang, do povo Kaingang; e Awa Nimoendy do povo Guarani Nhandewa.

“O resultado do disco é uma expressão do que as vozes deles queriam. Meu papel aqui é como eu posso potencializá-los, porque voz eles têm. Eu entendi que não era apenas um álbum, é um movimento”, afirmou Alok. “O álbum é um convite para fazer parte disso, porque quanto mais gente unida, maior é a transformação.”

O DJ e o time de músicos ficaram mais de 500 horas em estúdio. Os royalties do álbum serão revertidos aos músicos indígenas.”Estou muito feliz. Foi um processo de três anos para conseguir jogar o álbum no mundo. É o projeto mais importante da minha carreira, porque ele não é sobre mim.”

Ciente de que o projeto gera debates sobre apropriação cultural, o produtor quer se afastar do rótulo do “salvador branco”.

“Os povos indígenas não se veem na TV como gostariam. Sempre é estereotipado, selvagem e arcaico. Eles nem tiveram a chance de contar a própria história deles. Sempre foi contada por alguém com a visão do branco colonizador. A forma que a gente aprende na escola tem que ser revisada.”

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Coletiva de imprensa sobre o lançamento do novo álbum de Alok (Filipe Miranda/Divulgação)

Investimento

O DJ investiu cerca de R$ 4 milhões no projeto “O Futuro é Ancestral”, incluindo oferecer moradia para os artistas indígenas. Alok viabilizou a viagem de alguns dos músicos até Nova York, para uma apresentação especial no edifício-sede da Organização das Nações Unidas.

Questionado sobre o teor político do álbum, Alok prefere adotar uma postura longe de ser polarizadora. “Podemos unificar [as pessoas]. É uma pauta que enfraquece o projeto. Eu discordo que [o agronegócio] seja o inimigo número um [das marcações das terras indígenas]”, diz.

Ele cita como exemplo a possibilidade de levar os cantos indígenas para um público que não está próximo ao tema, como em rodeios.

“Não adianta nada eu falar para a mesma bolha de sempre. Eles já escutam o que quero dizer. Transitar por esses territórios [de gêneros e públicos diferentes] é a grande virtude que tenho.”

Alok se apresenta neste sábado (20) a partir das 21h30 na Esplanada. “Eu abri mão do meu cachê. Trouxe a iniciativa privada, meus parceiros comerciais, para viabilizar a estrutura da pirâmide.”

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Coletiva de imprensa sobre o lançamento do novo álbum de Alok (Filipe Miranda/Divulgação)
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Coletiva de imprensa sobre o lançamento do novo álbum de Alok (Filipe Miranda/Divulgação)

 

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