‘Ato de censura’: fim precoce de exposição de funk de museu de SP gera crítica
Mostra estava em cartaz no Museu da Língua Portuguesa

Audiência Pública sobre Censura da exposição "Funk: um grito de ousadia e liberdade" (foto - Rodrigo Romeo)
O fim precoce da exposição “Funk: um grito de ousadia e liberdade” foi tema de audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo nesta segunda-feira (15).
Realizada no Museu da Língua Portuguesa de novembro de 2025 até maio deste ano, a exposição foi dada como encerrada três meses antes do previsto. Os artistas não entenderam o motivo da ação, nem receberam respostas claras da gestão do museu e da Secretaria de Cultura do Estado sobre a retirada antecipada do cartaz, de acordo com a curadora Renata Prado, que fez uma representação no Ministério Público do Estado de São Paulo para pedir explicações e a volta da mostra.
“É o mínimo que nós merecemos, considerando que se tornou a terceira maior exposição da história do museu depois da sua reabertura. Eu quero saber para onde foi esse dinheiro que seria destinado para a exposição, para onde foi o orçamento. Tudo isso precisa ser contabilizado, então a nossa luta não é só pelo retorno da exposição, mas é uma luta especialmente para que haja reconhecimento, responsabilização e a não criminalização da cultura funk”, disse Renata Prado, de acordo com publicação da Alesp.
“Estamos diante de uma escolha histórica. Podemos repetir os erros do passado, criminalizando a cultura negra, ou podemos construir um país capaz de reconhecer a potência criativa das periferias e transformar diversidade cultural em democracia efetiva”, comentou o curador Dom Filó.

A exposição estava sendo alvo de críticas de deputados conservadores. Ela foi criada originalmente pelo Museu de Arte do Rio (MAR) e era organizada com mais de 470 obras que retratam a cultura do funk, entre sonoridade, estética, política e economia de matriz periférica. “Funk: um grito de ousadia e liberdade” também passou uma temporada na França.
Para a deputada Paula da Bancada Feminista (Psol), o que aconteceu foi um “ato de censura”.
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