No hemisfério sul das Américas, o calor do verão se acende em janeiro, e as manifestações em forma de festa, herdadas diretamente da ancestralidade africana, tomam conta das ruas e dos sentimentos. O auge é o Carnaval, que tem, em sua origem, todo o peso desse experimento social que envolve muitas disputas: de espaço, de afirmação, de fé, de respeito e de luta pelo direito de festejar. Esse hemisfério, que mostra ao mundo muitos exemplos de convivência e crescimento por meio da cultura, é também palco de muitas batalhas — e os palcos do BaianaSystem seguem como esse lugar de luta pela nossa cultura.
Para começar o verão de 2026, nada mais forte e emblemático do que tocar na Ilha de Itaparica, no dia 8 de janeiro. A conexão do BaianaSystem com a ilha se dá desde 2018, durante as pesquisas para o disco “O futuro não demora”. A festa da Independência da cidade é uma síntese da própria Independência do Brasil, em um recorte local que dialoga com o mundo de forma atemporal. Itaparica celebra há mais de 200 anos a vitória genuína do seu povo contra um exército estrangeiro que tentou invadir o seu território. Representa sua própria invenção do Brasil: original e, ao mesmo tempo, universal.
De Itaparica, a pirataria segue para outros lugares importantes para essa construção, como Recife e Fortaleza. Essas cidades, além de terem uma incrível força cultural, funcionam como bússolas que ajudam o BaianaSystem a navegar pelos mares do Nordeste, que banham e bebem de muitas águas, mostrando caminhos e criando uma conexão nordestina muito importante para fortalecer nosso entendimento de uma nação culturalmente diversa.
Nessa caminhada que abre o ano de 2026, o BaianaSystem também fará seu primeiro baile em São Paulo: o Baile Pirataria, no Memorial da América Latina, no dia 24 de janeiro, com a presença de nomes como Emicida, Luedji Luna e outras surpresas a serem anunciadas. O baile é um grito necessário para o mundo neste momento em que vivemos, celebrando nosso direito de lutar por mais espaços para o fortalecimento de nossa cultura.
Quando fevereiro chegar, depois de saudarmos Yemanjá, o mar de gente voltará a conduzir o Navio Pirata pelas ruas. Este ano, serão quatro saídas em Salvador e uma em São Paulo, fechando esse ciclo. A simbologia do Carnaval deste ano estará diretamente conectada ao contexto mundial. É hora de transformar o medo em coragem e lutar pela paz. A mensagem que não está na vitrine é a de que a ancestralidade será nosso combustível para alcançar um futuro que o passado ainda não alcançou, em novos carnavais. Que a força da luz deste sol que banha a América Latina sirva como uma reza para que possamos continuar.
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Roberto Barreto, guitarrista e fundador do BaianaSystem
Veja a agenda de shows do BaianaSystem
Janeiro
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08/01 – Festival 7 de Janeiro – Ilha de Itaparica (BA)
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10/01 – Baile Macuca – Recife (PE)
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16/01 – Universo Spanta – Rio de Janeiro (RJ)
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24/01 – Baile Pirataria (Memorial da América Latina) – São Paulo (SP)
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31/01 – Ciclo Carnavalesco – Fortaleza (CE)








