TV Girl empolga Lollapalooza entre vintage e contemporâneo
Brad Petering e banda se tornaram fenômeno silencioso entre Geração Z

TV Girl no palco do Lollapalooza Brasil 2026 (Reprodução)
Um belo acerto foi a escalação da banda californiana TV Girl como atração responsável por fazer o recheio antes do show mais esperado da noite: a consagração de Chappell Roan. Postados no palco Flying Fish, Brad Petering (vocal e samples) e banda entregaram uma performance que, ao longo de uma hora, sintetizou os principais motivos pelos quais o grupo se tornou um fenômeno silencioso entre os ouvintes da Geração Z.
Formado em 2010 em San Diego, o TV Girl construiu uma trajetória singular no circuito indie. A banda surgiu a partir das experimentações caseiras de Brad Petering, que, ao lado de músicos como Trung Ngo e Joel Williams, passou a lançar mixtapes e EPs que uniam sampleagens intrincadas, trechos de diálogos antigos e uma estética sonora deliberamente ancorada no passado. O projeto rapidamente se destacou pela abordagem artesanal: sem grandes gravadoras ou máquinas de divulgação convencionais, o trio conquistou um público fiel apostando na curadoria digital e na construção de uma identidade visual que remete aos filmes europeus da nouvelle vague, à moda dos anos 60 e à poesia melancólica da contracultura.
Essa estética vintage, que é a espinha dorsal do TV Girl, encontrou no palco do festival um território fértil para brilhar. Durante o show, o grupo apresentou um setlist que funcionou como um mergulho em sua discografia, repleta de referências sofisticadas. As composições passearam por texturas que remetem ao groove psicodélico dos Happy Mondays, banda inglesa que nos anos 90 ajudou a pavimentar o caminho do indie dance, e também prestaram tributo à poesia soturna do Velvet Underground — um tributo que ficou explícito na execução de uma versão lindamente arranjada de “Femme Fatale”, canção que encapsula como poucas a capacidade do TV Girl de transmutar cinismo e romantismo em música pop.
Versão de Velvet Underground
A sonoridade da banda, marcada pelo uso abundante de samplers que recortam soul, pop dos anos 60 e spoken word, ressoa de forma quase simbiótica com os anseios da geração Z. Não à toa, o TV Girl se tornou, nos últimos anos, um dos maiores expoentes do chamado “revival analógico” que tem varrido as plataformas de streaming – sobretudo o TikTok, onde faixas como “Blue Hair”, “Cigarettes out the Window” e “Not Allowed”. Esse fenômeno, no entanto, não é percebido pelos fãs como uma apropriação passageira, mas sim como um alinhamento natural entre a estética da banda e uma geração que redescobriu o valor do que é tangível, artesanal e nostálgico, o que encaixa perfeitamente como drive para o aumento significativo nas vendas de mídias físicas — especialmente o vinil e o CD.
O trio californiano abraça o objeto físico como extensão de sua arte. Os lançamentos em vinil da banda, como o clássico “French Exit” (2014) e “Who Really Cares” (2016), tornaram-se itens de culto, esgotando repetidamente em prensagens limitadas e sendo revendidos a preços altíssimos em plataformas como Discogs. Mais do que um gesto de saudosismo, essa valorização do físico representa uma forma de resistência à efemeridade do streaming, algo que ressoa com uma geração que cresceu no digital, mas anseia por experiências sensoriais mais profundas.
No palco Flying Fish, essa dualidade entre o vintage e o contemporâneo se fez presente não apenas no som, mas também na postura performática, com direito até a um sapateado do vocalista. Longe de grandes pirotecnia, a apresentação do TV Girl foi centrada na precisão técnica dos samplers, nas camadas vocais cuidadosamente sobrepostas e na curadoria visual que acompanhava as projeções de fundo. Essa atmosfera intimista, quase contemplativa, criou um contraste interessante com a expectativa do pop maximalista que viria a seguir com Chappell Roan, mas garantiu ao público um momento de imersão em um universo sonoro próprio.
Foi justamente nesse clima de entrega coletiva que a banda reservou para o final um dos momentos mais aguardados da apresentação: “Lovers Rock”, o grande hit que atravessou bolhas e se tornou um hino geracional.
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