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Entrevista: Thiaguinho une gerações no segundo ato de ‘Bem Black’

Lançamento busca contribuir e fazer um tributo à música preta brasileira

Thiaguinho

Thiaguinho (André Nicolau/Divulgação)

O segundo ato de “Bem Black”, álbum do cantor Thiaguinho, já está disponível nas plataformas de música nesta sexta-feira (27). O lançamento busca contribuir e fazer um tributo à música preta brasileira. No segundo ato, o público encontra a sofisticação instrumental de Walmir Borges; a contemporaneidade urbana de Negra Li e a potência histórica de Sandra .

“É um álbum construído a partir de muita vivência, vem muito dessa vontade que eu tive de olhar ainda mais pras minhas raízes. A música preta sempre fez parte da minha história e do que eu sou como cantor. A ideia é inspirar quem está chegando e também honrar quem abriu caminho pra gente”, diz Thiaguinho para a Billboard Brasil.

“Quero exaltar a autoestima preta, que durante muito tempo foi, e ainda é,negligenciada. O ‘Bem Black’ vai além da música, é também para tocar as pessoas e transformar a forma como cada um se enxerga e vê a nossa cultura.”

O disco é acompanhado de um trabalho audiovisual que, neste volume dois, traz o desfecho da narrativa visual apresentada inicialmente no primeiro lançamento. As gravações aconteceram no tradicional Club Homs, que carrega a energia da Avenida Paulista, em São Paulo, e sediou inúmeros bailes blacks nas décadas de 1980.

“A ideia era colocar os ritmos em sintonia. Para construir o álbum, eu tive influência dos ritmos da black music, como jazz, soul e R&B, sem perder aquilo que é a minha essência, o pagode. O samba e o pagode estão no meu DNA, no meu jeito de cantar, de interpretar e de contar histórias.”

“Eu bebi muito em fontes que sempre me inspiraram, como Tim Maia, Cassiano e Wilson Simonal, artistas que conseguiram traduzir essa sonoridade global para a nossa realidade brasileira. Tenho a honra de contar também com a rainha da música preta brasileira, Sandra Sá. É um disco que respeita a tradição, mas que também tem a minha cara.”

Na faixa inaugural, Thiaguinho abre os trabalhos do lançamento acompanhado do refino musical de Walmir Borges em “Jóia Rara”. Em sequência, o cantor fala de amor (sua especialidade) com “Pensamentos Intrusivos” – música que dificilmente o ouvinte vai conseguir tirar da cabeça.

Thiaguinho
Thiaguinho (André Nicolau/Divulgação)

A regravação de “Curtir um som”, do grupo Fat Family, se bastaria apenas com a parceria entre Thiaguinho e a rainha da música preta brasileira, Sandra Sá, mas o cantor se aproveita da atmosfera criada no salão principal do clube para fazer a introdução da faixa em inglês – momento que remete a como as pessoas se comportavam nos bailes blacks da época.

Com a presença de Negra Li, “Empoeirado Violão” traz a força da música urbana com traços do R&B nacional em uma canção que fala sobre as dualidades de uma paixão arrebatadora.

“A escolha dessas faixas veio muito do coração e da história que eu tenho com a música preta brasileira. Esse momento do álbum é muito especial pra mim porque é uma forma de reverenciar artistas e canções que ajudaram a me formar. São músicas potentes, que carregam identidade e memória, e que dialogam diretamente com o conceito do ‘Bem Black’.”

No primeiro ato do álbum, o artista reuniu gerações com as participações especiais de Sampa Crew, Gaab e Sandra de Sá. Com estas colaborações, o cantor deixou claro que o disco é um projeto coletivo e um convite para que os mais jovens carreguem esse legado adiante.

“A turnê vai ser uma experiência completa. O público vai mergulhar no universo dos bailes balck dos anos 1980, teremos cenografia, figurino, ativações, tudo pensado com muito carinho. A ideia é levar para o público uma atmosfera completa do álbum, não só musicalmente, mas também visualmente. A intenção é que as pessoas se sintam representadas e saiam do show com essa energia lá em cima.”

Thiaguinho
Thiaguinho (André Nicolau/Divulgação)