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SXSW 2026 e as tendências para o futuro da música

Reformulado, o festival coloca IA, direitos e exportação de artistas no debate

SXSW 2026 (Divulgação)

SXSW 2026 (Divulgação)

Quatro décadas depois de surgir, em Austin (EUA), como um festival que dita tendências no mercado do entretenimento, o SXSW 2026 chega com uma formatação diferente: tudo junto e misturado. A edição de 12 a 18 de março celebra os 40 anos do evento com um formato mais compacto e simultâneo, que coloca música, tecnologia e audiovisual no mesmo calendário.

Para a indústria musical, isso significa menos isolamento em um “fim de semana da música” e mais inserção direta nas discussões sobre dados, plataformas e monetização que hoje definem o mercado. A mudança acontece ao mesmo tempo em que o festival mantém a escala de descoberta, com milhares de artistas espalhados pela cidade e programação musical ao longo de sete noites consecutivas.

SXSW 2026: veja datas, atrações e como funciona

Sem o Austin Convention Center, que passa por reforma, o evento foi descentralizado em centrais temáticas e setores dedicados a cada área, com programação musical distribuída ao longo dos sete dias, e não mais concentrada no segundo fim de semana. A proposta “All Together Now” elimina a segmentação tradicional e força a convivência entre executivos de tecnologia, audiovisual e música no mesmo fluxo de agenda. Na prática, isso reduz a lógica de showcases como “evento dentro do evento” e aproxima o setor musical das discussões de dados, plataformas e economia de criadores.

SXSW 2026: Direitos autorais, voz sintética e monetização

Mesmo com a redução do calendário total, a programação musical do SXSW 2026 foi ampliada para sete noites consecutivas de shows e mais de 4.000 artistas em cerca de 300 showcases, mantendo o caráter de vitrine internacional e de descoberta. A inteligência artificial aparece como eixo das trilhas de conteúdo, com impacto direto na cadeia musical. Sessões sobre composição assistida e produção com IA discutem ferramentas que já integram fluxos de trabalho de estúdios e compositores, reduzindo tempo de pré-produção e ampliando a capacidade de teste de arranjos. No campo de A&R, o uso de dados de streaming e modelos preditivos surge como ferramenta de prospecção de repertório e identificação de nichos.

O debate mais sensível do SXSW 2026 envolve direitos autorais. Painéis sobre treinamento de modelos com catálogos musicais, uso de vozes sintéticas e deepfakes apontam para um cenário de disputa jurídica ainda em aberto. A monetização de conteúdos gerados por IA e a definição de autoria em obras híbridas aparecem como temas recorrentes, com impacto direto em contratos editoriais, sociedades de gestão coletiva e licenciamento. A pauta deixa de ser apenas tecnológica e passa a estruturar modelos de negócio.