Ruel, atração do Lollapalooza, comenta: ‘A energia do Brasil é incomparável’
Australiano se apresenta no Lollapalooza Brasil nesta sexta-feira (20)

Ruel (reprodução Instagram)
Fenômeno australiano, Ruel tem ganhado o mundo, mas não é de agora. Com apenas 23 anos, ele iniciou sua carreira aos 14 e já soma três álbuns lançados.
Considerado um verdadeiro prodígio do pop, o cantor e compositor vem esgotando apresentações por onde passa. Em plena turnê pela América do Norte, ele abriu espaço na agenda para vir à América do Sul e se apresentar nas edições do Lollapalooza.
Pela segunda vez no Brasil, Ruel considera o público do país um dos mais apaixonados que já conheceu.
Em entrevista à Billboard Brasil, ele relembra a primeira experiência no país, fala sobre artistas brasileiros que conhece, comenta a expectativa de subir novamente ao palco por aqui e reflete sobre o amadurecimento ao longo de uma carreira iniciada ainda muito jovem.
Ruel também dá detalhes sobre seu processo criativo de composição, com destaque para o álbum recente “Kicking My Feet”, o desafio de cantar sentimentos mais íntimos e o desejo de, no futuro, levar uma vida mais simples.
Confira a entrevista com Ruel, atração do Lollapalooza Brasil
Sua turnê começou nos Estados Unidos e no Canadá, depois seguiu para a América do Sul e, em seguida, retorna à América do Norte. Existe ansiedade para essa nova etapa?
Tem sido muito divertido. Estive em ensaios nas últimas semanas trabalhando no show, construindo tudo. Temos um novo palco, um novo set, tocando várias músicas do álbum mais recente e também revisitando e reimaginando faixas antigas. Estou muito, muito animado para a América do Sul. Faz alguns anos desde a última vez, e fui ao Brasil apenas uma vez. O Lollapalooza é a maneira perfeita de retornar. É uma grande festa e estou ansioso para fazer parte disso no país.
Você vai tocar no Lollapalooza Brasil e será sua segunda vez no país. Você se lembra da primeira? Como foi?
Lembro principalmente da energia do público, que era incomparável. Parecia um jogo de futebol. Foi algo que me surpreendeu muito, no melhor sentido possível. Quando a música começava, toda aquela energia e os gritos me impulsionavam. Eu me sentia flutuando. É uma experiência muito especial e quero reviver isso. O clima geral no Brasil é incrível, tanto durante quanto antes dos shows. Todo mundo está se divertindo, e isso é contagiante.
Você pode adiantar algo sobre o set e suas expectativas?
Em festivais é sempre difícil, o tempo é limitado, você só tem geralmente entre 40 e 50 minutos. Então, a ideia é manter a energia alta. Eu não quero tocar músicas muito tristes. Bom, depende da definição do que é uma música triste, né. Vou manter a energia alta e focar em faixas mais conhecidas. Vou entender quais são as mais populares no Brasil e fazê-las o centro de tudo, além de incluir algumas músicas novas.
E sobre a música brasileira? Você conhece algum artista?
Essa é uma boa pergunta. Da última vez que estive no Brasil, ouvi bastante coisa, estou tentando pensar… Sabe de uma coisa? Gosto do MC Collin, me lembro disso, mas não me recordo o nome de muitas músicas. Acho que tem uma chamada “Papo de Sumido”, que eu realmente gostei muito. Tem outra música que escutei. Também vi vídeos dele no TikTok cantando a capela nas favelas e achei incrível.
Você começou sua carreira muito jovem e já soma cerca de dez anos na música, com apenas 23 anos. Como foi crescer como pessoa e artista ao mesmo tempo? Em que aspecto você enxerga mais maturidade?
É uma boa pergunta. Foi um processo estranho. Crescer dentro da indústria pode ser desafiador, mas tive pessoas incríveis ao meu redor que garantiram que eu tivesse uma infância. Meus amigos da escola continuam sendo meus amigos mais próximos, e minha família sempre esteve presente. Isso me ajudou a não me desconectar da minha infância, o que me deixa muito grato. Como cantor, amadureci mais rápido do que como pessoa. Acho que demorou um pouco para me encontrar. A pandemia foi um momento importante para esse amadurecimento pessoal, porque me permitiu refletir mais. A carreira pode ser estressante e intensa quando se começa jovem, viajando e sendo músico enquanto você ainda é criança, uma fase na qual há pouco controle sobre algumas situações.
Falando sobre experiências pessoais, você já comentou que “Kicking My Feet” é quase confessional e bastante pessoal. Como é cantar algo tão íntimo para milhares de pessoas?
É estranho. Sempre achei mais fácil escrever músicas íntimas e pessoais, principalmente sobre sentimentos negativos ou coisas que quero resolver, pedir desculpas ou falar de coisas que estão dando errado e eu quero consertar… sobre sonhos e tudo mais. É divertido, mas também assustador. É por isso que escrever sobre amor de forma honesta e positiva é mais difícil. Ser poético mas não ser cansativo. Escrever sobre amar alguém, como isso faz a gente se sentir bem, ao invés de tornar isso triste. Existe o desafio de não soar clichê. Nesse álbum, eu quis fazer música simples conceitualmente, sobre ser amado por alguém. Essa sinceridade foi a parte mais desafiadora.
Ouça ‘Kicking My Feet’, de Ruel
Sim, “Kicking My Feet” explorou o amor de maneiras positivas. E a faixa “The Suburbs” ganhou um prêmio de composição. Como você se sentiu recebendo essa reconhecimento?
Eu nem acreditei, foi muito especial. Ainda mais por ter sido na Austrália. Esse é um prêmio australiano e eu participo dessa competição desde que comecei a compor música. É algo que faço por diversão. Obviamente, eu nunca cheguei perto de ganhar, mas esse ano foi muito especial ter essa reconhecimento na Austrália, estou muito emocionado. Essa música fala sobre um futuro simples, como viver o amor e momentos cotidianos, como conversas no quarto ou viajar. Essas coisas podem ser difíceis para um músico manter na rotina.
Assista ao videoclipe de ‘The Suburbs’, de Ruel
E esse é um dos seus sonhos? Está nos seus planos do futuro? Um estilo de vida mais simples, talvez…
Com certeza. É um grande objetivo meu. Sei que a carreira nem sempre permite isso, mas vejo como um plano a longo prazo, sabe? Amo o que faço e quero continuar por muito tempo, eu realmente amo. Mas acho que, no futuro, quando desacelerar, esse é o tipo de vida que quero levar. É sobre isso que a música fala. E vai acontecer, inevitavelmente. Mas eu tenho 23 anos, ainda tenho tempo antes que isso seja realmente uma opção.
No cotidiano, em que momento você percebe que experiências pessoais poderiam virar música?
Quase imediatamente. Mas acredito que as melhores músicas surgem quando você processa melhor as experiências e observa todos os lados. Geralmente eu escrevo uma música e ela sai bem escura e direta, e eu vejo isso de uma perspectiva de que não é tão bom. Mas se você der um pouco de tempo, e conversar com pessoas diferentes, você começa a ter uma perspectiva própria sobre isso, começa a refletir mais. Aí é quando você consegue alcançar alguma mágica, porque isso permite transformar a experiência em algo mais completo e verdadeiro.
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