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Os 8 melhores momentos da estreia da turnê ‘Lux’ de Rosalía

Confira como foi a apresentação da cantora em Lyon, na França

Imagem de "Lux", disco de Rosalía (divulgação)

Imagem de "Lux", disco de Rosalía (divulgação)

Em determinado momento do primeiro show da aguardada “Lux Tour”, na noite de segunda-feira (16), Rosalía disse ao público de Lyon, em francês fluente, que aquela noite era “realmente especial” para ela.

É fácil entender o porquê: esta turnê mundial de 57 datas é a maior produção que a artista de 33 anos, natural de Barcelona, já realizou e marca seu primeiro ciclo completo de shows desde que “Motomami” a transformou em um fenômeno global em 2022. Desde então, ela se dedicou à criação de “Lux” – e, na segunda-feira, na LDLC Arena, na França, ficou claro que vinha sonhando com essa noite há muito tempo.

“Especial” também descreve bem a ambição da Lux Tour: estruturado em quatro atos mais um intermezzo, o show entreteve 13.700 espectadores – frequentemente em êxtase – durante uma hora e quarenta e cinco minutos, enquanto Rosalía se transformava incansavelmente de bailarina a provocadora de nightclub, de penitente confessional a anjo alado ao longo de 24 músicas. Com coreografia do coletivo francês (La) Horde e acompanhada por uma orquestra clássica de 22 músicos, a produção se situa entre a grande ópera e uma rave – e o resultado é frequentemente impressionante.

A “Lux Tour” deve satisfazer muitos fãs de Rosalía nos próximos meses, que certamente encontrarão seus próprios momentos favoritos no repertório. Ainda assim, a noite de estreia já apresentou alguns destaques claros.

A seguir, os oito melhores momentos da estreia da turnê “Lux” em Lyon, na França, na segunda-feira:

Legendas em francês para o público francês

Foi o detalhe que ninguém esperava: todas as letras, ao longo das 24 músicas, foram traduzidas e projetadas em francês acima do palco e em duas telas laterais. Para um show cantado quase inteiramente em espanhol, o gesto transformou a relação do público com o material, convertendo poesias desconhecidas em algo profundamente sentido em tempo real. Um pequeno feito logístico e um enorme impacto emocional – que definiu o tom de uma noite construída mais na conexão do que apenas no espetáculo.

A revelação à la Degas

A abertura do show foi uma aula de construção de expectativa. Após a entrada de uma orquestra ao som de “Angel”, de Jimi Hendrix, as luzes se apagaram, um grande cenário em forma de pintura se abriu ao meio, e uma equipe de palco, vestida com uniformes azuis, abriu uma caixa de madeira no centro do palco. Dentro: Rosalía, imóvel sobre um pedestal, cabelo preso, vestindo um collant branco e tutu rosa – uma referência clara à famosa escultura de bailarina de Degas. Em seguida, ela dançou na ponta dos pés enquanto “Sexo, Violencia y Llantas” explodia ao seu redor. Como imagem inicial, foi arrebatador – o silêncio de museu dando lugar a um caos sonoro controlado em questão de segundos.

‘Mio Cristo Piange Diamanti’ e o final operístico do primeiro ato

Cerca de vinte minutos após o início, Rosalía surgiu com um véu branco de freira – o mesmo da capa do álbum “Lux” – e iniciou a faixa em italiano sobre um Cristo em pranto. A intensidade vocal foi impressionante. Acompanhada pela orquestra completa, ela demonstrou domínio técnico digno de uma cantora lírica, alcançando registros que visivelmente impactaram o público. Foi o momento em que a plateia percebeu que não se tratava apenas de um show pop.

O colapso techno de ‘Berghain’

O segundo ato começou com a colaboração de destaque do álbum – com vozes de Björk e Yves Tumor – em uma faixa nomeada em referência ao famoso clube de Berlim. Ao vivo, a música ganhou uma nova dimensão, expandida pela coreografia do (La) Horde. O público inicialmente registrou tudo com celulares, mas logo abandonou os aparelhos quando o clímax techno tomou conta da arena. A ovação foi a mais intensa da noite, e Rosalía permaneceu observando a plateia, visivelmente emocionada.

A Mona Lisa viva em ‘Can’t Take My Eyes Off You’

Em um dos momentos mais inesperados, Rosalía interpretou o clássico de Frankie Valli na versão disco de Gloria Gaynor, enquanto permanecia imóvel dentro de uma moldura dourada, cercada por dançarinos que simulavam turistas fotografando uma obra-prima. Foi engraçado, estranho e sofisticado – um exemplo perfeito de sua habilidade em transformar um show pop em uma galeria viva. Esse momento deve variar ao longo da turnê, então pode não se repetir em todas as datas.

‘Sauvignon Blanc’ e a chuva dourada

No momento mais íntimo da noite, Rosalía se posicionou sobre um piano de cauda branco enquanto a seção de cordas a acompanhava. Confetes dourados caíam como luz líquida. Em seguida, quebrou o clima com um comentário espontâneo, em espanhol, sobre preferir vinho branco ao tinto. O contraste entre a delicadeza da música e o humor casual funcionou perfeitamente.

‘Wesh 6-9 la trik’ e a conexão local

Já no terceiro ato, Rosalía atravessou a plateia com um figurino elaborado – com coroa floral e tutu transparente em forma de cesta – e subiu a um palco secundário entre a orquestra. Após uma sequência que culminou em um clímax techno com referências a “Sweet Dreams”, do Eurythmics, ela declarou seu amor por Lyon e utilizou uma expressão local que levou o público à euforia. Um momento único, impossível de replicar em outras cidades, demonstrando preparação e conexão com o contexto local.

O desaparecimento em ‘Magnolias’

Após 24 músicas e quatro atos, Rosalía retornou sozinha para o encore – sem dançarinos, orquestra ou telas. Interpretou “Magnolias”, faixa final de “Lux”, uma meditação sobre a mortalidade. Com arranjo minimalista, sua voz conduziu toda a carga emocional. Ao final, desapareceu sob um único feixe de luz – sem reverência, sem aceno. As luzes se acenderam revelando os músicos se abraçando, enquanto o público aplaudia de pé. Um encerramento mais próximo da ópera do que de uma arena – exatamente como proposto.

[Este conteúdo foi traduzido da Billboard. Leia o texto original, em inglês, aqui.]

+Leia também: Veja o setlist da turnê ‘LUX’ de Rosalía; cantora vem ao Brasil em agosto