Raimundos ganham documentário no Globoplay com depoimentos inéditos
Série documental chega na plataforma no dia 19 de março

Digão nos bastidores de 'Andar na Pedra' (Karyme França/Globoplay)
A trajetória complexa de uma das bandas mais emblemáticas do rock nacional ganha um novo olhar, com a estreia da série documental “Andar na Pedra – A História do Raimundos“, que chega ao Globoplay no dia 19 de março. Os cinco episódios desembarcam juntos ao catálogo e o primeiro estará disponível para todo o público, incluindo não assinantes. A obra promete uma imersão profunda nas amizades, nos conflitos e nos momentos decisivos que levaram à ascensão e à ruptura do grupo original.
“Foram mais de cinco anos de conversas individuais, negociações e muito cuidado para abordar a história de uma amizade quebrada”, pontua o diretor Daniel Ferro. Ele relembra que a motivação para o projeto veio em 2001, com a saída inesperada do vocalista Rodolfo Abrantes.
“A pergunta que nunca saiu da minha cabeça: afinal, por que o Rodolfo saiu da banda? Algo que até hoje nunca tinha sido explicado de forma realmente convincente. Aquilo virou um mistério para mim”, compartilha Ferro. Ele destaca que o documentário surgiu da necessidade de explorar o que antes era “um tabu” entre os integrantes, construído sobre décadas de silêncio e versões incompletas.
Para desvendar esse mistério, a série documental aborda desde a formação do grupo em Brasília no final dos anos 1980 até o boom da carreira, quando álbuns icônicos como “Lavô Tá Novo” e “Só No Forévis” dominaram as rádios e paradas de sucesso do Brasil na década de 1990, vendendo milhões de cópias. Com uma narrativa repleta de reviravoltas, a produção explora os altos e baixos de uma trajetória marcada por sucesso, dinheiro e brigas.
“Quando olhamos tudo isso com o distanciamento do tempo, especialmente considerando que Canisso já não está mais entre nós, a história se transforma em algo maior do que uma simples narrativa de biografia musical. É muito mais profundo. A série conta mais de 40 anos de história. Com esse distanciamento temporal, conseguimos enxergar como essa trajetória é cheia de paradoxos”, reflete o diretor.
Para Daniel Ferro, a própria sonoridade do Raimundos, serve como fio condutor da narrativa.
“O documentário não apenas explora a história, mas usa a trilha sonora da banda para dialogar com ela, revelando as origens e as nuances dos integrantes. Escolhi o título da série a partir de uma música chamada ‘Andar na Pedra’. Enquanto a letra fala sobre caminhar na pedra rumo ao mar, eu vejo uma metáfora sobre o caminho tortuoso, errático e sofrido que cada um escolhe. Suas consequências e provações. Para mim, essa letra funciona, sem querer, como uma metáfora perfeita da história da banda”, explica.
Além de contar com um vasto acervo de pesquisa, a produção traz depoimentos emocionantes e inéditos dos membros originais dos Raimundos: Rodolfo Abrantes, Digão, Fred e a marcante presença de Canisso – que ecoa na série através de áudios de acervo – são os pilares dessa narrativa. A eles se juntam familiares, como Adriana Toscano, viúva de Canisso, e Alexandra Abrantes, esposa de Rodolfo.
Músicos como Dinho Ouro Preto, Tico Santa Cruz e Marco Britto, além de jornalistas especializados e personalidades como Serginho Groisman, enriquecem a produção com múltiplas perspectivas sobre o fenômeno que marcou uma era do rock nacional. “Membros da equipe e colaboradores deram depoimentos muito fortes que ampliam a compreensão da história do Raimundos para além da visão dos próprios integrantes”, completa Daniel.
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