‘Peaky Blinders: O Homem Imortal’: o poder da trilha sonora no filme final
Billboard Brasil conversou com o upervisor musical Antony Genn

'Peaky Blinders: O Homem Imortal' (Netflix/Divulgação)
“Peaky Blinders: O Homem Imortal” chegou à Netflix nesta quinta-feira (12) como o encerramento da história de Tommy Shelby. Criada por Steven Knight e lançada em 2013, a série acompanhou a principal gangue de Birmingham após a Primeira Guerra Mundial ao longo de seis temporadas.
O filme lida com tramas dinâmicas, traições, trocas de socos, tiroteios, explosões e cenas em trens, carros e barcos. Mas é a complexidade psicológica e os temas pesados que são a base de tudo. O roteiro de Knight fala de família, relação entre pais e filhos, lealdade, traição e patriotismo.
Um dos pontos de atenção da produção é a trilha sonora. “Peaky Blinders” sempre se arriscou ao usar coleção de trilhas incidentais melancólicas e músicas pop que refletem o turbilhão interno e externo dos personagens.
Enquanto a maioria dos dramas de época prefere um acompanhamento musical delicado, a série “Peaky Blinders: Sangue, Apostas e Navalhas” apelou para a impactante “Red Right Hand’ de Nick Cave and the Bad Seeds com música-tema e fez o coração do público bater mais forte graças à adrenalina fornecida por nomes como Arctic Monkeys, Radiohead e The White Stripes.
“Quando você está compondo música para uma imagem, tudo se resume a seguir a história. Precisa ser sobre os personagens, o tempo, a história, o ambiente. Tudo isso é considerado em cada nota”, diz o compositor e supervisor musical Antony Genn para a Billboard Brasil. “A história está no comando. Nós somos apenas servos da história.”

Nascido em Sheffield, Genn começou a carreira musical tocando baixo no Pulp e saiu em turnê com o Elastica antes de participar da configuração original de Joe Strummer and the Mescaleros. Ele compôs e gravou músicas com artistas de vários estilos, como Stone Roses, Brian Eno, Robbie Williams, Jarvis Cocker e Scott ‘Walker’ Engel.
Entre seus créditos para o cinema e TV estão as trilhas de “The King” (2017), “O Olhar do Amor” (2013) e o episódio de “Black Mirror” chamado ‘Momento Waldo’ (2013). Genn já trabalhou em “Peaky Blinders: Sangue, Apostas e Navalhas”: na temporada 4, após receber uma ligação do “igualmente obcecado por música” Cillian Murphy, Genn e seu parceiro criativo de longa data, Martin Slattery atuaram como supervisores musicais para a trilha sonora e todas as músicas que tocaram na temporada.
A trilha sonora conta com 36 faixas no total, incluindo 5 gravações originais inéditas – incluindo contribuições de Grian Chatten, do Fontaines D.C., e Amy Taylor, do Amyl & the Sniffers.
“Eu e o diretor, Tom Harper, compusemos muitas músicas antes mesmo de começarmos a edição. Nos jogamos de cabeça desde o roteiro. Acho que escrevemos umas 50 peças musicais, entre pequenos trechos, piano e violão, arranjos orquestrais, melodias punk…”, conta Antony.

“Claro, também temos o próprio Tommy Shelby, interpretado por Cillian Murphy, que é um velho amigo meu e, assim como eu, é um apaixonado por música. Nós conversávamos constantemente sobre música, porque se existe alguém que entende o DNA profundo do som de ‘Peaky Blinders’, esse alguém é o Cillian.”
“Nós conversamos de forma muito direta. Se algo não está funcionando, tiramos. Falamos sobre o que podemos melhorar. No fim das contas, o que importa para nós é o trabalho, e acho que isso é algo que eu e o Martin sempre priorizamos. Não há ego envolvido. Se eu faço algo e ele não gosta, ele simplesmente me diz.”
Outros destaques são uma nova versão gravada de “Red Right Hand”, de Nick Cave, a colaboração de Grian Chatten com Lankum em “Hunting The Wren (The Immortal Man version)”, e duas versões transformadoras de músicas do Massive Attack — uma delas apresentada por Girl In The Year Above.
“Eles nunca lançaram nada. Eu a conheci há uns dois anos. Ela é cabeleireira e começou a colocar músicas na internet. Então, decidi entrar em contato para ver se eles queriam entrar no estúdio. Não tinha nada a ver com o universo de Peaky Blinders, eu só pensei: ‘Estou imaginando isso ou esta é uma das maiores vozes que já ouvi na vida?’. Quando ela cantou (“Teardrop”), poucas vezes eu ouvi uma voz tão poderosa. Depois, mandei a cena para Cill e ele perguntou, espantado: ‘O que é isso?!’”.
Veja o trailer de ‘Peaky Blinders: O Homem Imortal’
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