Toque de midas: dez álbuns em que percussão de Paulinho da Costa faz sua mágica

Paulinho da Costa (Divulgação)
Dá pra entender Paulinho da Costa quando ele diz que perdeu a conta de quantos hits número 1 ele já gravou. Com mais de 6 mil gravações no currículo, é figura onipresente nas fichas técnicas de sucessos dos mais diversos gêneros. “Hotel California” (Eagles, 1976), “I Will Survive” (Gloria Gaynor, 1978) e “Da Ya Think I’m Sexy” (Rod Stewart, 1978) são só alguns exemplos. Nesta lista, a Billboard Brasil seleciona 10 álbuns icônicos em que a percussão de Paulinho faz toda a diferença.
“Agora” – Paulinho da Costa (1977)

Embora seja reconhecido principalmente por seu currículo como instrumentista de estúdio, Paulinho ostenta também uma respeitável discografia solo com quatro álbuns lançados entre 1977 e 1991. “Agora”, de 1977, é o primeiro e dialoga com o jazz fusion do período. A destreza à frente das congas impulsiona a maioria dos arranjos para o ambiente rítmico afrobrasileiro. Mesmo quando sax ou piano improvisam, a batida se mantém no centro das atenções e faz de “Agora” um dos principais álbuns de jazz lançado por um percussionista.
“Brasil” – João Gilberto, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia (1981)

Paulinho da Costa gravou com intérpretes brasileiros consagrados como Djavan, Ney Matogrosso e Rita Lee – para citar só três. “Brasil” (1981), porém, se destaca por reunir o mestre João Gilberto com três dos seus principais discípulos. As quatro vozes se alternam elegantemente sob a bússola rítmica da batida do violão de João. Nesse contexto, a percussão encontra seu lugar de discrição para realçar a beleza da sinergia entre as cordas vocais e as do violão de João.
“Ella Abraça Jobim” – Ella Fitzgerald (1981)

Não é preciso nem um minuto de audição para o tamborim e a cuíca roubarem a cena na parte instrumental de “Ella Abraça Jobim”. Paulinho da Costa chama a responsabilidade logo na primeira faixa do álbum, “Somewhere in the Hills (Favela)” (versão para “O Morro Não Tem Vez”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes). A percussão do brasileiro aparece em 13 das 18 faixas, sempre em destaque. O álbum – com uma das maiores cantoras da história interpretando um dos principais compositores do Brasil – representa um dos momentos mais inspirados da conexão entre o jazz estadunidense e a bossa nova.
“Thriller” – Michael Jackson (1982)

O disco mais vendido da história (com cerca de 70 milhões de cópias) conta com Paulinho em duas faixas. Não se trata de uma mera contribuição em uma ficha técnica estelar que ostenta Quincy Jones na produção, Paul McCartney nos vocais de “The Girl Is Mine” e Eddie Van Halen no solo de guitarra em “Beat It”. Logo na primeira faixa, “Wanna Be Startin’ Somethin’”, a cuíca é um elemento que se destaca na base funk. Já na balada “Human Nature”, a percussão é parte crucial do ritmo que sustenta o arranjo. As duas chegaram ao top 10 da parada Billboard, assim como outras cinco do álbum Histórico!
“Can’t Slow Down” – Lionel Richie (1983)

É a batida de Paulinho da Costa que traz frescor latino ao mega hit “All Night Long (All Night)”. Desde a introdução, a percussão se destaca com uma levada meio caribenha. Mas é na terceira parte, quando o compositor e cantor da faixa Lionel Richie improvisa palavras inventadas que emulam um dialeto, que o ritmista brasileiro vira protagonista do arranjo e segura a base instrumental no ápice deste hit atemporal das pistas de dança. O percussionista também toca no segundo single, “Running With The Night”.
“We Are The World” – Vários (1985)

“We Are The World” reúne um time não menos do que absurdo de mais de 40 intérpretes – entre eles Bob Dylan, Cyndi Lauper, Diana Ross, Lionel Richie, Michael Jackson e Stevie Wonder. Paulinho da Costa é o percussionista dessa histórica gravação, que tem produção de Quincy Jones e foi concebida para reunir fundos para o combate à fome na África. Foi o single mais vendido no ano e a música ficou quatro semanas seguidas em 1• lugar no Hot 100 da Billboard.
“True Blue” – Madonna (1986)

O bongô de Paulinho da Costa é o primeiro instrumento que aparece na gravação do hit “La Isla Bonita”. Mais do que isso: o percussionista é também a primeira pessoa que aparece no clipe da faixa, terceiro single de “True Blue” e a primeira faixa gravada por Madonna com forte acento latino – e a batida de Paulinho é essencial nesse aspecto. O brasileiro dá seu toque único em outras duas faixas do álbum (“Open Your Heart” e “Love Makes the World Go Round”).
“Tracy Chapman” – Tracy Chapman (1988)

Tracy Chapman se apresentava somente com voz e violão e, quando surgiu a oportunidade de fazer um disco, não tinha o hábito de tocar com banda. Segundo o produtor David Kershenbaum, a faixa mais difícil foi “Mountain O’Things”. A solução para o arranjo surgiu quando decidiram gravar a cantora acompanhada somente da percussão de Paulinho da Costa. Depois, os outros instrumentos foram adicionados e a versão final evidencia o protagonismo do brasileiro – que toca também em “She’s Got Her Ticket” e “Why”.
“Let’s Talk About Love” – Celine Dion (1997)

Se um disco faz sucesso, a chance do nome Paulinho da Costa constar na ficha técnica é grande. É o caso de “Let’s Talk About Love”, o décimo quinto da carreira da cantora canadense Celine Dion, que vendeu mais de 30 milhões de cópias alavancado por “My Heart Will Go On”, tema do filme arrasa-quarteirão “Titanic” (1997). O brasileiro toca em duas faixas: “Us” e “I Hate You Then I Love You” – essa, um célebre dueto com o tenor italiano Luciano Pavarotti.
“Stadium Arcadium” – Red Hot Chili Peppers (2006)

Paulinho da Costa é creditado genericamente no nono álbum de estúdio da banda californiana Red Hot Chili Peppers: “percussões adicionais”. Dá pra apostar que são dele, no entanto, o pandeiro que incorpora suinge ao arranjo do funk-rock “Hump de Bump” e a levada dos tambores que conduz a balada “Hard to Concentrate”. “Stadium Arcadium” é o primeiro disco dos Chili Peppers a estrear em primeiro lugar na parada da Billboard.
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