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Rick Bonadio: ‘É o melhor momento da música eletrônica’

Empresário conhecido no universo rock aposta na revolução das pick ups

Rick Bonadio Creditos Vinicius Oliveira

Rick Bonadio, que está lançando um selo de música eletrônica (Vinícius de Oliveira/Divulgação)

A música eletrônica no Brasil vive talvez o seu melhor momento. Isso se deve muito à evolução tecnológica e ao consequente barateamento de equipamentos necessários para produzir música com qualidade. Hoje, com um computador, um software de gravação, alguns plugins e packs de samples já é possível produzir –e, quem sabe, até aparecer nas grandes playlists das plataformas de streaming, não só no Brasil, mas no mundo todo.

Outro ponto bastante interessante é o fato de termos uma grande quantidade de DJs e produtores muito criativos no país. Depois da primeira onda, com o surgimento da house music, no fim dos anos 1990, tivemos a seguir uma baixa no estilo, que foi ganhar força novamente com o aparecimento do fenômeno DJ Marky e dos hits do DJ Memê –o que o levou ao mainstream, chegando a assinar um álbum ao lado do rei do pop Lulu Santos.

Mais tarde, vieram muitos hits e até se desenvolveu um estilo próprio, originalmente nascido no Brasil e exportado para o mundo: o Brazilian bass, gênero que colocou de vez no mapa-múndi a música eletrônica tupiniquim, e que particularmente eu adoro. Esse estilo bom de pistas e também de rádio deu fama a grandes DJs e produtores, como Bruno Martini, Alok, Cat Dealers, Felguk, KVsh e, indo mais para o lado alternativo (mas com muita força e talento), um dos maiores expoentes nacionais, o Vintage Culture.

Vejo agora uma grande oportunidade para a criação nacional internacionalizar talentos e hits. Foi com essa perspectiva que decidi me tornar sócio da Beeside Records, ao lado do DJ e produtor musical Bruno Martini e do empreendedor e empresário Edo Van Duijn, dois dos grandes nomes do setor. A decisão não foi apenas uma questão de investir em um novo selo, mas contribuir para o fortalecimento e a expansão da música eletrônica brasileira. A Beeside Records surge num momento crucial, em que o talento nacional necessita de uma plataforma robusta para ganhar visibilidade internacional. O selo não é apenas um empreendimento comercial, mas uma missão de promover artistas promissores e oferecer a eles as ferramentas necessárias para alcançar o sucesso.

Escolher me associar à Beeside foi natural, pois acredito no potencial de nossos artistas e no poder transformador da música eletrônica. Com minha experiência no Midas Music, vi de perto os desafios que muitos talentos enfrentam para se destacar em um mercado tão competitivo. A Beeside chega para ser esse suporte, para garantir que a qualidade e a criatividade dos nossos DJs e produtores recebam o reconhecimento que merecem, tanto aqui quanto lá fora. A colaboração com a distribuidora FUGA é estratégica, pois nos permite garantir uma distribuição eficiente e um marketing global, essencial para o posicionamento de nossos artistas no mercado internacional.

A importância da música eletrônica feita no Brasil é notória em países da Europa, onde muitos de nossos talentos já são reconhecidos e aclamados. A presença de grandes festivais do gênero no Brasil, como o Tomorrowland, reflete essa atenção global e fortalece ainda mais o nosso mercado.

Esses eventos não só proporcionam uma plataforma para que os artistas brasileiros se apresentem diante de um público internacional, mas também colocam o Brasil como um destino-chave e importante no circuito mundial da música eletrônica.

Isso é fundamental para o crescimento e a profissionalização do setor, gerando novas oportunidades para artistas, produtores e todos os envolvidos na indústria. O caminho está aí. Precisamos de gente com personalidade e que tenha musicalidade para colocar elementos orgânicos junto com o eletrônico. E, além dos beats, criar canções com melodias que possam cruzar fronteiras e deixar um legado. Eu acredito.

*Rick Bonadio, 55 anos, é produtor, compositor, músico  e CEO da Midas Music