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No Camarote Salvador, Olodum defende a capoeira nas escolas

Leia a entrevista exclusiva à BIllboard Brasil

Olodum no Camarote Salvador 2026 Caio Duran/Thiago Duran/Brazil News)

Olodum no Camarote Salvador 2026 Caio Duran/Thiago Duran/Brazil News)

Em entrevista exclusiva à Billboard Brasil nesta sexta-feira (13), durante a abertura oficial do Camarote Salvador, o Olodum reforçou sua posição como pilar da cultura nacional e precursor de sonoridades que conquistaram o planeta. Entre o rufar dos tambores e a adrenalina do primeiro dia de folia, os representantes do grupo conversaram sobre a importância histórica do bloco, o legado dos mestres de percussão e a conexão internacional que colocou o Pelourinho no mapa da música global.

Leia a entrevista de Lucas Andrade e Narcizinho, vocalistas do Olodum, no Camarote Salvador

Como está o ano de 2026 para o Olodum?

Lucas Andrade: Muitas gravações, né? Estamos com um feat com o BaianaSystem agora no verão: a música “Ginga Olodum”. É uma faixa que fala sobre ancestralidade e sobre o nosso pedido para que a capoeira seja, de fato, efetivada nas escolas — assim como a cultura afro-brasileira. Isso já é lei, mas nós queremos ver na prática, valendo.

Nacisinho: Estamos aqui no mundo para nos abraçarmos, sem violência e sempre respeitando as mulheres. Este é o nosso segundo ano aqui no Camarote Salvador; o ano passado também foi maravilhoso. Para nós, é sempre importante levar a força dos nossos tambores e a nossa musicalidade por onde passamos. Aquilo que transmitimos através das nossas letras — informações históricas, sociais e culturais — é de suma importância para todos.

Como é o sentimento de abrir o Camarote Salvador?

Lucas Andrade:  Estamos aqui a trabalho, mas é um verdadeiro showzão! É claro que a gente quer se divertir, e eu me sinto ótimo fazendo isso. A adrenalina é total! O dia mal começou e a aurora já está acesa, então sabemos que vai demorar para conseguirmos dormir.

Nacisinho: O importante é que estamos aqui para levar a força dos nossos tambores e da nossa musicalidade, transmitindo nossa essência através das letras. É de suma importância levar informações históricas, sociais e culturais para todo mundo. O show do Olodum tem esse papel; somos “World Music”. Navegamos por diversos temas e assuntos para satisfazer o público e celebrar essa energia.

Qual a mensagem que o grupo traz para este Carnaval?

Lucas Andrade: Todo ano é a mesma busca: muita paz, muito amor e alegria. A gente precisa levar a paz para as pessoas. Falar de paz, falar de amor. A gente se concentra muito aqui para dar um abração no público, sem violência. Sobre os próximos projetos pós-Carnaval, que vão findar o ano de 2026 para o próximo, estamos falando sobre essa externalidade, sobre o nosso pedido para que a capoeira realmente seja ativada nas escolas.

E o tema deste ano?

Nacisinho: Este ano temos o tema “Máscaras Africanas, Magia e Beleza”. A máscara, assim como os tambores, comunica nas aldeias: os ritos, a morte, o nascimento, o casamento, as festas. Cada máscara traz uma simbologia. E aí a gente vai levar essas histórias para a avenida através do nosso bloco. Antigamente, nas escolas de samba, as cores dos estandartes eram brancas. E chegaram jovens bonitos, com a coletividade do Olodum, com essa coisa do Pan-africanismo, com seus tambores e o seu rufar.

O Olodum mudou a forma de se fazer música na Bahia. Conta como foi esse processo.

Lucas Andrade: No samba, o Olodum cria e revoluciona quando se mistura com outros mestres e cria o “Samba-Reggae”. Através dele, a música baiana muda. Ela começa com o Carnaval e ali muda de figura. Os nossos instrumentos passam a estar em todos os palcos. Qualquer palco que você vá, seja de sertanejo ou qualquer outro gênero, você tem o repique, você tem o surdo, você tem a nossa forma de tocar. Essa técnica de usar as duas baquetas veio do mestre Paulinho Alakaza, que era o mestre anterior. Até então, só se tocava marcando com uma mão. No Candomblé também, o “Ilu” era tocado com uma mão só, mas ele dizia que não ia sangrar a mão dele mais, que tinha que tocar com as duas baquetas. Ali ele começou as batidas.

Essa sonoridade chamou a atenção do mundo. Conte como aconteceram alguns encontros históricos com estrelas globais.

Nacisinho: Depois da criação do “Samba-Reggae”, ele chama a atenção de grandes artistas no mundo inteiro. Naquela época, o João Jorge teve um encontro com o cineasta Spike Lee, e aí veio o Jimmy Cliff. Mas o Paul Simon veio porque estava bebendo na fonte de vários ritmos para gravar o disco “The Rhythm of the Saints”. Ele encontrou o “Samba-Reggae” e dizem que foi o próprio Paul Simon que batizou o gênero, que deu esse nome. Está lá, entregue a raridade da Bahia. Em todo esse contexto, você vê uma comunidade do Pelourinho, uma pequena comunidade, com toda a história da música da Bahia, da música brasileira e da “World Music”.

Veja trecho da entrevista com Olodum