Olivia Rodrigo: 10 influências noventistas para conhecer
De No Doubt a Hole, artistas moldaram seu som e atitude

Olivia Rodrigo durante apresentação no Lollapalooza Chicago 2025 (Daniel DeSlover/Sipa USA)
A carreira de Olivia Rodrigo é frequentemente associada ao pop contemporâneo, mas boa parte de sua identidade artística nasceu da descoberta de bandas e artistas que marcaram os anos 1990. Entre referências assumidas em entrevistas, playlists, apresentações ao vivo e até nas influências perceptíveis em seus discos, nomes do grunge, do pop punk, do rock alternativo e do riot grrrl ajudaram a moldar a sonoridade da cantora.
Seja na energia de “Good 4 u”, na vulnerabilidade de “Drivers License” na atitude de “All-american Bitch” ou possivelmente em algumas notas de “The Cure”, Olivia já citou diferentes artistas que a inspiraram ao longo de sua trajetória. A seguir, conheça algumas das principais influências noventistas da cantora e um disco essencial para começar a explorar cada uma delas.
Alanis Morissette
Olivia já declarou diversas vezes sua admiração por Alanis Morissette, especialmente pela forma como a cantora canadense transformava emoções intensas em canções honestas e confessionais. Em entrevistas, ela apontou Alanis como uma referência para a escrita de letras que misturam vulnerabilidade e raiva, algo que aparece em boa parte de seu repertório.
A cantora revelou que costuma ouvir “Jagged Little Pill” quando precisa se reconectar consigo mesma. “Esse álbum me lembra o que estou tentando alcançar. Ele não segue fórmulas do tipo ‘precisamos fazer um refrão que grude’. Ela não estava escrevendo música para fazer sucesso ou agradar as pessoas. Parecia o diário dela”, afirmou.
Disco para ouvir: “Jagged Little Pill” (1995)
No Doubt
A energia explosiva de Gwen Stefani à frente do No Doubt é uma das referências mais evidentes na fase mais rock de Olivia. A cantora já incluiu músicas da banda em playlists pessoais e citou a combinação de atitude punk com apelo pop como uma inspiração importante para seu trabalho. Recentemente, essa admiração ficou evidente durante o show de encerramento da residência da banda na Sphere, em Las Vegas, quando Olivia subiu ao palco para abraçar Gwen Stefani e declarou ao público que o No Doubt era “a melhor banda do mundo”.
“A capacidade de Gwen de evoluir e explorar diferentes estilos de música, composição e estética, ao mesmo tempo que permanece fiel a si mesma, é incrivelmente inspiradora. Para mim, ela é um excelente exemplo de artista que desafia estereótipos e limites preconcebidos e apenas faz coisas que ela acha legais. Se isso não é um verdadeiro artista, não sei o que é”, declarou a jovem artista. Segundo a revista Nylon, Olivia descobriu a banda aos 15 anos por meio do álbum “Return of Saturn”.
Disco para ouvir: “Tragic Kingdom” (1995)
A admiração de Olivia pelo Hole e por Courtney Love vai além da música. Durante a era de “SOUR”, fãs apontaram semelhanças visuais entre a divulgação de “Sour Prom” e a capa de “Live Through This”, clássico lançado pela banda em 1994. Mais do que a estética, Olivia já destacou a importância das mulheres do rock alternativo dos anos 1990 em sua formação artística, especialmente artistas que combinavam vulnerabilidade, agressividade e autenticidade.
Recentemente, a ex-baixista Melissa Auf der Maur foi a um concerto de Olivia e comentou sobre como foi conhecer a cantora. “Olivia disse para minha filha: ‘Sem a sua mãe, nada disso teria acontecido’. Ouvir aquilo sendo dito para minha filha na minha frente foi um dos momentos de maior orgulho da minha vida”, contou.
Disco para ouvir: “Live Through This” (1994)
Veruca Salt
A mistura de melodias acessíveis com guitarras pesadas presente no Veruca Salt dialoga diretamente com parte da sonoridade explorada por Olivia. A cantora já compartilhou músicas da banda em playlists e destacou seu interesse por grupos femininos do rock alternativo dos anos 1990.
A influência é tão forte que Olivia incluiu “Seether”, lançada em 1994, no repertório da “SOUR Tour”, em 2022. O cover foi muito bem recebido pelos fãs e ganhou elogios das próprias integrantes da banda nas redes sociais.
Disco para ouvir: “American Thighs” (1994)
Garbage
O sarcasmo, a melancolia e a personalidade marcante de Shirley Manson também fazem parte do universo de referências de Olivia. A cantora já citou o Garbage entre os artistas que ajudaram a expandir sua visão sobre o rock alternativo e sobre a construção de identidade artística.
A admiração é mútua. Shirley Manson já manifestou publicamente seu carinho pelo trabalho de Olivia e elogiou sua capacidade de aproximar novas gerações do rock alternativo.
Disco para ouvir: “Version 2.0” (1998)
The Breeders
Entre as bandas que ajudaram a expandir seu horizonte musical, poucas impressionaram Olivia tanto quanto o The Breeders. A cantora já afirmou que o grupo “explodiu sua mente” e mudou completamente sua percepção sobre o rock.
A admiração se tornou ainda mais evidente quando ela convidou a banda para abrir apresentações da “GUTS World Tour”, incluindo shows no Madison Square Garden e no Kia Forum em 2024.
Disco para ouvir: “Last Splash” (1993)
Bikini Kill
O impacto do movimento riot grrrl também aparece nas referências da cantora. Olivia já apontou o Bikini Kill e Kathleen Hanna como inspirações fundamentais para sua visão artística. A influência pode ser percebida especialmente em músicas que exploram ironia, rebeldia e crítica social, como “all-american bitch”.
Kathleen Hanna chegou a elogiar publicamente Olivia por apresentar elementos do riot grrrl a uma nova geração de ouvintes dentro do universo pop.
Disco para ouvir: “The Singles” (1998)
Babes in Toyland
Outra banda frequentemente citada por Olivia é o Babes in Toyland. O peso das guitarras e a intensidade dos vocais femininos ajudaram a moldar parte da sonoridade que ela buscou para “GUTS”. A estética de “vestidos de boneca” que Olivia tem utilizado recentemente em shows pode ser uma referência ao estilo “kinderwhore” que Kat Bjelland e Courtney Love popularizaram no início dos anos 90.
A cantora revelou que “Fontanelle” serviu como uma referência importante durante a criação de “all-american bitch”, faixa que mistura delicadeza e explosões de energia de forma semelhante ao trabalho do grupo.
Disco para ouvir: “Fontanelle” (1992)
Smashing Pumpkins
As guitarras grandiosas e o senso dramático do Smashing Pumpkins também fazem parte do repertório musical que ajudou a formar Olivia. A cantora já mencionou a banda entre os artistas que escutava enquanto desenvolvia parte de seu trabalho.
Críticos e fãs também apontaram semelhanças entre algumas faixas recentes da cantora e a combinação de delicadeza e intensidade que marcou clássicos do grupo liderado por Billy Corgan. Ouça “The Cure” de Olivia e compare com “Disarm” e “Tonight Tonight” dos Pumpkins e tire suas próprias conclusões.
Disco para ouvir: “Siamese Dream” (1993)
Olivia também já demonstrou carinho pelo Weezer, especialmente pela habilidade da banda em unir melodias pop e guitarras distorcidas. Essa combinação aparece com frequência em seu catálogo, principalmente nas faixas mais aceleradas de “SOUR” e “GUTS”.
“É minha banda favorita no momento. Estou obcecada por ‘Pinkerton’. É praticamente o único álbum que escuto ultimamente”, revelou a cantora em uma entrevista.
Disco para ouvir: “Weezer (Blue Album)” (1994)
Ao longo de sua trajetória, Olivia Rodrigo mostrou que é possível construir uma carreira pop contemporânea sem esconder as referências que a formaram. Ao apresentar nomes como Alanis Morissette, No Doubt, Hole, Bikini Kill, The Breeders e Veruca Salt a uma nova geração de fãs, a cantora também ajuda a manter vivo o legado de artistas femininas marcantes que moldaram o rock alternativo dos anos 1990 e continuam influenciando a música pop até hoje.
Ouça Olivia Rodrigo
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